Dia a Dia: Da música ‘Amo Você’ (Parte 1)

10 de fevereiro de 2020

Não fui eu que te escolhi, / foi o céu que conspirou, / o caminho que segui, / com o seu se encontrou
Versos (ipsis litteris) de uma canção que leva o título de “Amo você”, composta por Ednaldo César, diretor administrativo do famoso Colégio São Miguel, de Passa Quatro. A cidade é uma das muitas “cidades altas da Serra da Mantiqueira”, na Região Sul de Minas Gerais. Mantiqueira, nome de origem tupi, significa “gota de chuva”. O Colégio São Miguel foi construído pelos padres franceses betharramitas, uma congregação católica fundada por São Miguel Garicoits, na França.

 

Chama-se: Congregação do Sagrado Coração de Jesus de Bétharram, nome de uma cidade francesa.

 

O colégio tem uma história bonita de mais de oitenta anos e por ela passaram centenas e centenas de alunos. Seria assunto para outra oportunidade.

Hoje, quero “filosofar” sobre os versos do meu conhecido amigo Ednaldo César que, além de diretor administrativo do colégio, também é compositor, violonista e cantor de primeira categoria. Quem o procurar no Facebook encontrará algumas gravações maravilhosas com a sua voz de tenor ligeiro ou até de contratenor. Preciso conferir melhor.

“Não fui eu que te escolhi”. Este é o primeiro verso. Como surge o amor de um homem por uma mulher, ou dela por um homem? Quantos casos já presenciamos que desde crianças os dois já se conheciam e no aflorar da idade mais adulta, a amizade entre eles transformou-se em verdadeiro amor que resultou num casamento e na formação de uma família feliz? Acredito que sejam poucos, mas, acontecem. Agora, quantos casos conhecemos de pessoas que até na idade adulta jamais sabiam da existência uma da outra e que, num encontro fortuito, se fazem colegas, depois amigos e um dia surge o amor? O verdadeiro amor, aquele que não se mistura apenas com a paixão, pois esta poderá ser passageira! É o amor que as levará para selar um relacionamento que terá tudo para ser eterno. Acredito que tais casos sejam em maior número. Daí, o sentido da frase: “Não fui eu que te escolhi”. O acaso, um encontro inesperado, o destino, a coincidência, algumas circunstâncias, a Mão de Deus, foram estas as surpresas da vida? Enfim, ninguém escolheu ninguém, mas, a química funcionou, as mãos se entrelaçaram, os corações e as duas almas disseram: sim!

“Foi o céu que conspirou”. Este é o segundo verso. Voltamos a uma das mencionadas surpresas: foi a Mão de Deus? Deus conspirou para que dois corações se unissem num amor eterno, conjugal, para que dele surgisse mais uma família que Ele poderia abençoar? Quem sabe! Se Deus é onisciente, onipresente e onipotente, conforme acreditam e aceitam os cristãos, Ele sabe o que faz. Só podemos acreditar que lá no céu (ou paraíso celeste), que creditamos existir, Ele está disposto a fazer as pessoas felizes, para que cumpram a Sua obra. A obra de Deus não é a de castigar os homens, mas, sim, fazer com que cumpram o seu destino na Terra conforme os seus mandamentos, preceitos e ensinamentos. Portanto, quando o céu conspirou, foi a Mão de Deus que agiu.

“O caminho que segui”. Este é terceiro verso. Perguntaremos: por quantos caminhos já seguimos e que não nos levaram a nada!? Mas, um dia, (aí voltamos à Mão de Deus), surge um caminho que sem sabermos o porquê, sem sabermos aonde irá, nós o seguiremos. Parece estarmos no escuro, mas, a luz projetada por Deus no levará ao “’destino” traçado por Ele. Iremos firmes pelo caminho, uma força inexplicável nos conduzirá, nos impulsionará. Não esmoreceremos, faremos valer a ansiedade (no bom sentido), a esperança no futuro e a confiança de estarmos caminhando pelo rumo certo. Encontraremos alguém que entrelaçará suas mãos em nossas mãos.

“Com o seu se encontrou”. Este é o quarto e último verso. Concluímos que será seguindo o caminho, sem saber, ás vezes, que foi traçado por Deus, que chegaremos a um entroncamento com outro caminho onde encontraremos alguém que, nas mesmas condições da nossa, também foi ao nosso encontro, sem que sequer nos conhecêssemos. São dois caminhos traçados por Deus para duas pessoas encontrarem a plena felicidade no amor conjugal. Do inesperado encontro para elas, mas, esperado e planejado por Deus, dois corações e duas almas se unem num só amor e numa só felicidade. Daí surgirá a família, com filhos, netos e até bisnetos. Que saibam, então, cultivar e manter aquilo que lhes foi destinado, pela graça do Todo Poderoso.

LUIZ GUILHERME WINTHER DE CASTRO, professor de oratória e de técnica vocal para fala e canto em Carmo do Rio Claro/MG, ex-professor do ensino técnico comercial – formado no Curso Normal Superior pela Unipac.