Dia a Dia: Assim o tempo passou

11 de dezembro de 2019

Ao som da música de Rock and Roll, dos Beatles e dos Rolling Stones, a juventude buscava sua própria moda. Rapazes com blusão de couro, camisetas estampadas ou brancas e o jeans, moda americana. Era a mudança da moda fazendo parte da vida cotidiana de minha época de juventude, que foi um período que correspondia entre o início até o final dos anos 60.

Com a recém chegada televisão se tornando um veículo de comunicação em massa, principalmente com a introdução das telenovelas, e os programas de auditórios transmitidos por: Flavio Cavalcanti – Chacrinha – Sílvio Santos, Hebe Camargo, e o “Almoço com as Estrelas” com o casal Airton e Lolita Rodrigues. Cada um com seu estilo próprio de se comunicar, e suas atrações.

 

Nesta onda de TV surgiu o rock iê- iê- iê da Jovem Guarda que embalou a juventude pela década de 60, programa exibido na TV Record apresentado por Roberto Carlos, Erasmo e Wanderléia, com sucessos dos cantores: Os Vips- Martinha- Celly Campello- Leno e Lilian- Jerry Adriano- Rosemary- Paulo Sergio- Waldirene- Wanderley Cardoso- Sergio Reis- Eduardo Araujo- Silvinha entre outros.

E a moda era ditada por Roberto Carlos com suas roupas coloridas e cabelo comprido como os Beatles, a Wanderléa atacando de minissaia, várias roupas unissex, mulheres mais ousadas deixavam umbigo de fora e as minissaias ganhavam as ruas. Era uma explosão da juventude, eram os jovens levantando a voz, defendendo não apenas o seu estilo de vida, mas também a forma de se vestir.

Nesta época em que surgiu a filosofia “Hippie” com suas roupas e calçados artesanais, foi também marcada por grandes festivais da música popular brasileira, que fizeram despontar nomes como: Elis Regina, Jair Rodrigues, Caetano Veloso, Geraldo Vandré e tantos outros com letras de protesto. Um pouco antes destas tantas transformações, vivi no início de minha juventude um período completamente diferente desse conhecido como “Anos Dourados”: Colecionei e tenho até hoje revistas do esporte, do rádio, Cinelândia, melodias, fotonovelas da revista Capricho, e comprei discos 78 rotações, compactos simples e duplos.

 

De madrugada, padeiros com grandes cestas saíam levando o pão nas casas, o fogão a lenha enchia a casa de fumaça, e carregadores de mala fazendo ponto na Rodoviária da Praça do Rosário e na Estação Mogiana à espera dos passageiros. Ao cair da tarde eram colocados bancos e cadeiras nas calçadas e ali se procedia um papo sadio entre vizinhos e familiares.

 

Usei calças boca de sino, camisa volta ao mundo, sapato de plataforma, e a mulher mais bonita da época era a Miss Brasil Marta Rocha. No cinema, chorei ao assistir os filmes “Marcelino Pão e Vinho” e “Imitação da Vida”, e dei muitas risadas assistindo às inocentes Chanchadas, comédias musicais produzidas pela Atlântida.

Curti as músicas de rock dançante com Elvis Presley e, às tardes de domingo, íamos às brincadeiras dançantes ao som de eletrolinhas portátil. As moças usavam saia rodada, blusa ou vestido com anágua engomada, cabelos de coque, franjas ou rabo de cavalo, e os rapazes não dispensavam no cabelo a “brilhantina”.

Namoro era namoro, dava tremedeira só de segurar na mão e na cintura na hora de dançar, e passar o braço por cima do ombro nem pensar. Depois de semanas, muito escondido, é que acontecia o beijo, e quando dois se agarravam alguém falava: “Olha o grude!” Falava – se muito em gíria, “barra limpa, oi bicho, legal, brasa mora, grã, ligado, broto legal, créu, sacou, papo firme, joia, bicão, gata, pão, tudo azul, corta essa bicho”…

Já fui à praça namorar de terno e gravata, dei volta no “rela”, ouvi pessoas dedicarem músicas nos microfones do Roxy, parei de andar ao ouvir o sinal da hora de mais respeito em Passos, a “Hora da Benção”, e assisti nas Igrejas Matriz e Santo Antonio o Monsenhor Messias e Monsenhor Matias rezando missa em Latim, de costas para os fiéis.

Enfim, quem como eu, já na idade dos “entas”, sente que em sua juventude viveu dois estilos de vida em uma só, sabe que ambos nos deixaram saudade… Saudade dos namoricos, brincadeiras dançantes caseiras, músicas da Jovem Guarda, rela da Praça Matriz, escurinho do cinema… E assim o tempo passou!

É o tempo passando e a gente “Memoriando”!