Dia a Dia: As Gírias e Bordões do Futebol

5 de fevereiro de 2020

Começou o futebol dos campeonatos Estaduais do Brasil, e o meu Mengão em desacordo financeiro com TV para que seus jogos fossem transmitidos. Recorri ao rádio para ouvir seus primeiros jogos, o que me fez recordar a época em que poucos eram os jogos televisionados, e o jeito era ligar e ouvir os locutores com seus bordões e suas gírias usadas durante as narrações esportivas pelo rádio.

”Abrem as cortinas e começa o espetáculo, tem bola no barbante, tremulando as bandeiras, dez é a camisa dele, indivíduo competente” São frases famosas criadas pelos narradores do nosso futebol brasileiro e que eu acompanhei ouvindo pelo rádio esportivo brasileiro desde a época em que o rádio tomava conta dos lares. Até os dias atuais, faço uso do rádio, agora com menos intensidade devido à boa tecnologia que temos pelas transmissões da televisão.

Para os desportistas como eu, já com seus entas, que ouviam as transmissões pelo rádio devem ter na memória os bordões criados pelos locutores esportivos do rádio, em uma época um pouco antes de um Osmar Santos com “ripa na chulipa, pimba na gorduchinha, José Carlos Araujo, Oscar Ulisses, Luiz Penido, e o nosso bem conhecido Osvaldo Pereira dos Reis “Chiquinho do Pequetito” que narrou quase todos os jogos do nosso “Verdão” naquela áurea fase do nosso futebol passense nos anos oitenta. Hoje, ele, um dos melhores narradores esportivos do Brasil.

Assim também em nossa cidade de Passos já tivemos grandes locutores esportivos: Ferreira Dias, Baru de Pádua, e atualmente temos o nosso grande locutor narrando jogos tanto de Passos como da nossa região, o meu amigo José Carlos Kallas. A função do narrador esportivo é descrever com precisão os lances, mostrando ao ouvinte quem está com a bola, para quem foi passada, a posição que está ocorrendo o lance, sempre dando o placar e tempo do jogo, e na hora do chute a gol aumentar a emoção do ouvinte dando aquela vibração do grito do gol.

Cada locutor cria seus bordões durante as narrações, e cada um com sua maneira mexe com o imaginário do ouvinte, despertando paixões em estilos diferentes ao fazer um lance ser mais bonito do que é realmente.

Selecionei alguns bordões, ou como também eram falados “jargões” de alguns locutores que fizeram parte de uma época quando a televisão ainda estava engatinhando: Valdir Amaral: “É fumaça de gol- tem bala na agulha- tem peixe na rede- choveu na horta- estão desfraldadas as bandeiras- indivíduo competente”! Fiori Gigliotti: “Balão subindo, balão descendo- o tempo passa- aguenta coração- o moço que veio de… Certa vez o Brasil jogando na Rússia e Fiori: “Com a bola o moço que veio de São Sebastião do Paraíso” referindo se ao Lima, jogador do Santos jogando pela nossa Seleção Brasileira. José Geraldo Almeida: Llindo, lindo, lindo- o que é que é isso minha gente”! Celso Garcia: “Atenção garoto do placar”! Jorge Curi com seu vozeirão: 

 

Ainda havia os bordões dos locutores Doalcey Camargo- Osvaldo Maciel- Flavio Araujo- Oduvaldo Cozzi- Orlando Batista- Clovis Filho- Edson Leite- Pedro Luiz…

Em Minas, antes da era do Mineirão havia os locutores: Alberto Rodrigues, Celso Martinelli, Vilibaldo Alves, Jota Junio, o lendário Olavo Leite Bastos, o Kafunga, que depois de encerrar a carreira de goleiro tornou- se radialista com suas frases engraçadas: “gol barra limpa- cabeça de bagre- não tem core- coré e vapt- vupt. E assim os bordões se tornaram marcas registradas desses muitos narradores. Além dos bordões, todo locutor esportivo durante as transmissões usava vários estilos de gírias. Selecionei estas: zagueiro açougueiro- ao apagar das luzes- arrumar a casa- na boca do gol- banheira- bicanca- tirou da boca do jacaré- bola quadrada- catando borboleta- chapéu- ponte- com açúcar- drible da vaca- firula- caneta- cheio de gás- chuveiro- corpo mole- dar de bandeja- descer a lenha- fominha- frango- ladrão- gaveteiro- catimba- gol chorado- na boca da botija- linha burra- na gaveta- tirambaço- no pau- nas nuvens- onde a coruja dorme- sacudir o filó- tijolada- tranco- trivela…

Enfim, antes de perder espaço para a televisão, esses locutores do rádio, através de suas narrações, faziam o ouvinte buscar o imaginário para viajar no jogo e enxergar as imagens da partida desse esporte que está sempre a mexer com os amantes adeptos dessa Paixão Nacional que é o futebol! É o tempo passando e a gente “Memoriando”!