Dia a Dia: A árvore de Natal

7 de janeiro de 2020

Ainda com um resquício de Natal no ar, veremos hoje curiosidades a respeito desta data tão importante para todos nós.

O costume de decorar os pinheiros no Natal teve início no século XVI, na Alemanha. Ao conservar, em pleno Inverno Europeu, a sua folhagem verde, o pinheiro é um símbolo muito antigo do poder da vida que até o frio não consegue vencer. A Árvore de Natal tem a sua origem numa antiga tradição germânica que consistia em pendurar nas casas, durante as noites, alguns ramos de verdura para afastar os maus espíritos, que eram repelidos de duas formas: a árvore, sempre verde, transmitia a sua vitalidade aos homens e aos animais, e a sua luz, iluminando as trevas da noite, expulsava os demônios. Na tradição cristã, esta árvore sempre verdejante e, ainda por cima, iluminada, convida a que Cristo entre nas casas e delas elimine todos os espíritos do medo, da hostilidade e da inveja. Em pleno Inverno, escuro e frio, a árvore traz luz e calor ao nosso mundo.

Os cristãos viram, no pinheiro de Natal, a “árvore do paraíso”, na qual se podem colher os “frutos da vida”. Estes são representados pelas maçãs e pelas nozes que sempre se penduraram nos seus ramos, ou então por bolas de vidro, imagens do paraíso na sua totalidade intacta. É por isso que a Árvore de Natal seria um arbusto da ‘Árvore da Graça’ até à qual Deus nos conduz pelo nascimento do seu Filho, para que a sua seiva apazigue os nossos sofrimentos.

A árvore é, para todos os povos, fonte de vida e símbolo importante de fertilidade. Na Antiguidade, cada uma era atributo de um deus: o ‘carvalho’, o de Júpiter, o ‘loureiro’, o de Apolo, a ‘murta’, o de Vénus. O Antigo Testamento fala das Árvores do Jardim do Éden: a “Árvore da Vida”, e a “Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal”. O cristianismo pressentiu na Cruz a atualização da ‘Árvore da Vida’: a cruz é a árvore que traz até nós a verdadeira vida, a árvore que nunca seca, já que nela o próprio Cristo foi imolado. A árvore estabelece assim uma ligação entre a terra e o céu, pois lança suas raízes nas profundezas da Terra-Mãe, da qual tira a sua força e, ao mesmo tempo, dirige-se para o céu e nele expande a sua copa. Ela é a imagem do homem tal como este deveria ser: enraizado no solo e com o pensamento em Deus. E porque nos dá a sua sombra, a árvore é também um símbolo maternal.

A árvore de Natal acentua também alguns dos aspectos relativos ao simbolismo geral da árvore. Em primeiro lugar, com o nascimento de Jesus, Deus faz desaparecer a fronteira entre os dois; é a partir da terra que podemos ascender ao céu. Em seguida, a sua imagem foi influenciada pela imagem da árvore que é abatida, mas que nasce de novo. Daí a promessa de Isaías relativa ao Advento: “Sairá um rebento da árvore de Jessé, um rebento surgirá das suas raízes” (Isaías, 11,1). É precisamente no momento em que falhamos, no momento em que somos ‘amputados’, quando o caminho nos conduz a um beco sem saída que, através do nascimento de Cristo, desponta em nós a certeza de uma vida nova, mais autêntica e bela do que a que conhecemos até então, e que nenhum frio pode destruir.

Eis, pois, a promessa que nos chega com a árvore de Natal, continuamente verdejante, decorada com bolas, com velas e fitas cintilantes. Os ramos do pinheiro exalam um perfume único, que revive em nós os sentimentos da infância, de que a nossa casa foi transformada, graças ao nascimento de Jesus, que Deus veio habitar nela, e que a Sua presença tão próxima se espalha como que um perfume de ternura, de amor, além de uma sensação de segurança.

E é porque o mistério está entre nós que podemos nos sentir em casa. Em casa, com o pinheiro, entra também a realidade da floresta, a realidade da natureza e de toda a criação; é então que desaparece a ruptura entre a natureza e a civilização. Ao tornar-se homem, Deus santificou toda a criação, e é enquanto seres humanos que nós participamos nessa criação santificada.

Que efeito este perfume do pinheiro de Natal produz em você? Procure contemplá-lo e ver que imagens despertam em você. A árvore decorada traduz um aspecto importante da Encarnação de Deus em Cristo. Tudo se transforma quando o próprio Deus desce sobre ela. O que se transforma não é apenas a sua vida passada, liberta dos seus males, mas a sua vida como um todo. Cristo quer penetrar no interior do seu corpo, penetrar no seu sistema nervoso vegetativo, para tudo poder transformar, para tudo curar. E quer lhe encher com o perfume da divindade, para que possas, literalmente, sentir-se único e para que se sinta bem consigo mesmo.