Depressão será maior causa de afastamentos em 2020

Incentivar mudanças no estilo de vida é essencial para combater o 'mal' da próxima década de 20, segundo especialistas

4 de dezembro de 2019

Ritmo acelerado, prazos curtos para entregas, jornadas estendidas, pressão por resultados. Essas são situações que têm se tornado cada vez mais comuns na vida das pessoas; não à toa muita gente vem sofrendo com efeitos físicos e mentais dessa “nova” rotina.

Diante desse cenário, a depressão deve ser o principal motivo de afastamentos por doença do trabalho em 2020. A aposta é da Organização Mundial da Saúde (OMS), que relata que cerca de 6% da população brasileira é diagnosticada com o problema – tornando o Brasil o país mais depressivo da América Latina.

 

Aumento da depressão

Durante um encontro sobre saúde básica no Brasil e no mundo, promovido pelo Instituto SAB, em São Paulo, o psiquiatra Ronaldo Laranjeira afirmou que a incidência de doenças cardiovasculares tendem a diminuir nos próximos anos, assim como o câncer. Entretanto, os transtornos mentais têm tendência a aumentar.

Para ele, até 30% dos indivíduos no mundo terão pelo menos um episódio depressivo durante a vida. Cada vez mais comum, a depressão (CID 10 – F33) é uma doença psiquiátrica crônica, caracterizada por tristeza profunda, perda de interesse, ausência de ânimo e oscilações de humor, que também pode levar a pensamentos suicidas.

 

Depressão desencadeada pelo trabalho

Diversos são os motivos que podem desencadear a depressão, incluindo o ambiente profissional. Já dentro do trabalho, a principal causa de depressão é a sensação de incapacidade para atender à demanda ou à função para qual a pessoa foi determinada, segundo uma pesquisa chinesa sobre a doença em empresas.

Outros fatores que afetam o bem-estar e desempenho no trabalho, afetando a saúde mental dos colaboradores, são: jornadas de trabalho estendidas; percepção de má chefia; falta de tempo para se capacitar mais; ausência de perspectiva de carreira; assédio (sexual e moral); mal-entendidos; conflitos profissionais entre colaboradores; pressão por resultados; prazos de entrega curtos e autocobrança.

De acordo com o estudo, as profissões que costumam apresentar maior taxa de depressão são aquelas de contato direto com o público, como vendedores e atendentes de telemarketing. Além disso, é possível identificar o problema através de sinais aparentemente simples no dia a dia, que devem ser observados com atenção. Os principais sintomas da depressão no trabalho são: desânimo; desmotivação; falta de iniciativa; falta de energia; improdutividade; isolamento social; dificuldade de concentração; alterações no sono; alterações no apetite; irritabilidade e mau-humor.

 

Resiliência pessoal

Nem sempre os fatores desencadeantes da depressão no trabalho estão ligados a um clima organizacional ruim. Isso porque existe a resiliência pessoal, que é a capacidade de superar e suportar pressões e situações inusitadas.

Cada pessoa tem um nível de resiliência distinto, conforme aspectos biológicos, psicológicos, culturais e educacionais. Por isso, alguns indivíduos são melhores em lidar com adversidades do que outros. Todo trabalho apresenta algum nível de exigência e temos de lidar com isso. Só que há quem tenha dificuldade em perceber, por conta própria, que os graus de sofrimento e queixas em relação ao trabalho são exagerados.

 

Efeitos do estilo de vida

Para amenizar as taxas de transtornos mentais relacionados ao trabalho, Ronaldo Laranjeira afirma que é preciso incentivar uma mudança no estilo de vida das pessoas. “Não é uma questão de ter mais psiquiatras disponíveis. Mudar a rotina pode diminuir as taxas de mortalidade e de doenças”, disse o psiquiatra