Defesa do consumidor: Anvisa quer banir gordura trans

12 de dezembro de 2019

O Brasil deve banir a gorduras trans de alimentos industrializados até 2023, determinou ontem a Anvisa. A substância, ligada a doenças cardiovasculares, amplia sabor e validade de produtos como biscoitos, sorvetes e chocolates. Restrições serão aplicadas em duas fases: na primeira, haverá um limite de 2% sobre o teor total de gordura, e, na segunda, a proibição do uso do ingrediente. Medida é para reduzir consumo da substância, associada a doenças cardíacas e ao aumento de mortes.

 

Objetivo

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou anteontem resolução para banir o uso de gorduras trans industriais em alimentos até 2023. O objetivo da norma é reduzir o consumo da substância, presente principalmente em alimentos industrializados, como biscoitos, massas instantâneas, margarinas, sorvetes, pratos congelados, chocolates e pipoca de micro-ondas.

Riscos de doenças

Diversos estudos apontam relação entre o consumo desse tipo de gordura e o aumento do risco de doenças cardiovasculares. Segundo a Organização Pan-americana da Saúde (Opas), dietas ricas em gordura trans aumentam em 21% o risco de doenças cardíacas e em 28% o risco de morte. A estimativa da Opas é que a substância esteja relacionada a 160 mil óbitos por ano nas Américas. No Brasil, a estimativa é de 18 mil mortes por ano.

Resolução

Segunda a resolução aprovada pela Anvisa, as restrições ao uso de gordura trans serão aplicadas em duas fases principais. Na primeira, que entrará em vigor em julho de 2021, será imposto um limite de 2% de gordura trans sobre o teor total de gordura de cada produto. A norma vale tanto para produtos industrializados quanto para os comercializados no varejo e atacado, como frituras vendidas em restaurantes fast-food. Na segunda etapa, que entrará em vigor em janeiro de 2023, a indústria ficará proibida de usar o ingrediente gordura parcialmente hidrogenada, principal fonte de gordura trans nos alimentos.

Consumo diário

Estudos apontam que o consumo diário de 1% de gordura trans sobre o valor total de calorias já eleva o risco de doenças cardiovasculares. Em sua justificativa, a Anvisa destacou que, em 2008, a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) já apontava o consumo diário de gorduras trans de no mínimo 1% do valor energético total (VET) para todas as faixas etárias, com os adolescentes chegando a 1,2%. Em 2010, o consumo geral havia crescido para 1,8% em todas as faixas etárias. “Desde 1990, evidências científicas apontam para riscos à saúde decorrentes desses ingredientes, como aumento do colesterol ruim no organismo e redução do colesterol bom.”