Crianças devem evitar o consumo de açucar

AÇÚCAR DEVE SER EVITADO NOS PRIMEIROS DOIS ANOS DA CRIANÇA, SOBRETUDO EM ALIMENTOS ULTRAPROCESSADOS

18 de dezembro de 2019

Dados recentes do Ministério da Saúde revelam que 49% das crianças brasileiras, com menos de 2 anos, têm metade da sua alimentação diária composta por ultraprocessados, como farináceos, bebidas lácteas, refrigerantes e biscoitos. Ainda segundo o órgão federal, 15,9% das crianças com menos de 5 anos já apresentam excesso de peso no país. A obesidade infantil é uma das possíveis consequências desse consumo excessivo e precoce, mas certamente não é a única.

O Guia Alimentar Para a População Brasileira, publicado em 2014 pelo Ministério da Saúde, já tinha entre suas principais orientações a redução do consumo de produtos ultraprocessados e o aumento da ingestão de alimentos naturais. Recentemente foi lançada uma nova versão do documento: o Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 anos. A publicação traz entre as atualizações a recomendação de que as crianças menores de dois anos não tenham nenhum contato com açúcar, nem com ultraprocessados.

É fato que o excesso de peso aumenta a predisposição à doenças crônicas não-transmissíveis, como diabetes tipo 2, hipertensão, colesterol alto, problemas cardíacos e até câncer, males normalmente relacionados os adultos, mas cada vez mais comuns entre os pequenos. De acordo com o nutricionista da Fiocruz, Cristiano Boccolini: “O cenário de obesidade infantil é muito preocupante, com índices cada vez mais altos de diabetes e hipertensão. Cada vez mais as crianças estão recebendo produtos ultraprocessados em vez de comida de verdade. Temos de desembalar menos e descascar mais”.

O Guia segue uma recomendação do Programa dos Mil Dias, da Organização Mundial da Saúde, a OMS, que também sugere o que deve, ou não, frequentar a rotina alimentar das crianças. Esta preocupação acontece porque os alimentos oferecidos neste período interferirão diretamente na formação dos sistemas endócrino, imunológico e neurológico. O pico de formação do sistema nervoso central se dá entre o terceiro trimestre de gestação e o décimo oitavo mês de vida, nesta fase há, portanto, uma grande necessidade de nutrientes.

É também uma fase na qual as crianças ingerem pequenas quantidades de alimentos por vez, então, se as refeições forem compostas de produtos formados por calorias vazias, como: açúcar, sódio e gordura, que estão na composição dos ultraprocessados, eles deixarão os pequenos saciados e ocuparão o espaço das vitaminas, fibras e minerais, presentes nos alimentos naturais. Essa substituição faz com que as crianças fiquem mal nutridas e tenham seu desenvolvimento prejudicado.

O açúcar é prejudicial aos consumidores de todas as idades. Ele serve de alimento para fungos e más bactérias, que atrapalham o funcionamento do intestino, consequentemente, prejudica a absorção de vitaminas e minerais e rouba energia do sistema nervoso central, gerando cansaço, sonolência, irritabilidade, falta de concentração, enxaqueca e aumento da gordura corporal, entre muitos outros sintomas, que variam de acordo com a predisposição genética de cada indivíduo.

 

Além dos problemas ligados diretamente a ele, o seu consumo está quase sempre associado ao dos ultraprocessados, produtos como: bolachas recheadas, refrigerantes, bolos prontos, margarina, caldos, molhos e temperos prontos, macarrão instantâneo, gelatina etc, ricos em aditivos químicos, que são comprovadamente bastante nocivos ao cérebro e ao intestino em todas as fases da vida, muitos deles já são proibidos em outros países. Os efeitos negativos destes alimentos permanecem com o passar dos anos, portanto, o contato com eles deve ser sempre moderado.