Coronavírus provoca aumento nas vendas em farmácias

29 de fevereiro de 2020

PASSOS – As redes de farmácia de Passos já tiveram que aumentar o estoque de álcool em gel, máscaras de proteção e luvas nessa última semana após a confirmação do primeiro caso de coronavírus, no município de São Paulo. Segundo pesquisa informal realizada pela reportagem, a população está preocupada com a rapidez da circulação da doença.

O gerente de uma farmácia localizada no centro, Ronaldo Bernardes, comentou que a procura por álcool em gel foi tão alta que precisou aumentar o estoque. Ao buscar o distribuidor em que costumava comprar, na cidade de Divinópolis, foi surpreendido ao ser informado que o estabelecimento tinha esgotado seu estoque comercial. “Precisei comprar no próprio comércio da cidade para revender na farmácia, senão ficava sem produto”, disse. Ronaldo calculou que está vendendo de 10 a 12 frascos de álcool em gel, de 420g, por dia.

“Ficamos surpresos em ver como a população está se preocupando com o assunto, antes esse era um item que não era tão procurado pelas pessoas”, observou, informando que está vendendo o produto por R$18,50. As máscaras de proteção também estão sendo procuradas, de acordo com o gerente, e podem ser compradas em uma embalagem com quatro unidades, por R$10.

A farmácia localizada em frente a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) também sentiu o aumento na procura pelos clientes. O atendente Paulo Donizeti da Silva informou que, ao solicitar a reposição do estoque de álcool em gel e de máscaras, os seus dois distribuidores, em Passos e em São Paulo, avisaram não ter mais dos produtos para vender.

“O álcool já está em falta, vendi bastante no tamanho de 500g por R$15 e do menor, de 30g, por R$4,99. A máscara só temos mais 30 e vendemos por unidade, sendo R$2,50 cada uma. Tivemos uma venda massiva desde a última semana”, comparou Paulo, também mencionando que as luvas tiveram uma alta saída na farmácia, restando apenas duas caixas no estabelecimento.

“Depois que foi confirmado o caso no Brasil a procura aumentou bastante. Já tínhamos preparado um estoque razoável porque imaginávamos que as vendas subiriam”, afirmou Carlos Antônio Gambardel, gerente de outra rede de farmácia no centro, sobre a venda de álcool em gel e máscaras.

Gambardel detalhou que as pessoas estão comprando o álcool em gel nos tamanhos pequeno e médio: um para levar na bolsa e outro para deixar em ambientes com maior frequência de circulação de pessoas, como em casa ou salas comerciais. “Sai de cinco a seis por dia de cada um, no mínimo. O álcool em gel é muito prático, substitui a água e o sabão”, reforçou.

As farmácias de bairros também observaram um aumento na procura da população local pelos produtos, como confirma o atendente de uma farmácia na Penha, Marcos Geraldo de Oliveira. “Recentemente, chegou para nós estoque novo de álcool em gel, porque a maioria dos clientes já está chegando na loja procurando, muito preocupados com a situação. A máscara esterilizada também chegou, mas ainda não está sendo tão vendida como o álcool, porque muitas pessoas não levam tão a sério o hábito de precaução a ponto de usar a máscara”, reconheceu.

A embalagem de 450g do álcool em gel está sendo vendido por R$24,99, como confirmou Marcos e o frasco menor, de 60g, por R$6,99. Já as máscaras de proteção podem ser compradas por R$7,50, em uma embalagem com cinco unidades. 

 

Número de suspeitas sobe para 182 no país

 

BRASÍLIA – O número de casos suspeitos de coronavírus no Brasil subiu para 182, segundo informações do Ministério da Saúde, divulgadas nesta sexta-feira, 28. Em Minas, são 17. De acordo com a pasta, será realizada uma campanha publicitária para reduzir o risco de transmissão da doença. Ofoco da ação, que tem custo previsto de R$10 milhões, será nos hábitos de higiene e nas precauções sobre contato físico entre as pessoas.

De acordo com o ministério, até ontem, 71 casos já foram descartados e um caso confirmado em São Paulo. Os registros de casos suspeitos estão concentrados nos estados de São Paulo (66), Rio Grande do Sul (27), Rio de Janeiro (19), Minas Gerais (17), Santa Catarina (9), Paraná (5), Distrito Federa (5), Goiás (5) e Espírito Santo (2). Na região, há casos suspeitos em Varginha, Alfenas e Lavras.

O secretário de Vigilância da Saúde do ministério, Wanderson Kleber de Oliveira, disse que, a partir da próxima semana, a pasta também divulgará os “casos prováveis” para incluir as pessoas que têm contato com casos já confirmados. Segundo Oliveira, nestes casos não será necessária a realização de exames laboratoriais para confirmação da doença, que poderá ser confirmada apenas por critérios clínico-epidemiológico.

Oliveira ressaltou ainda que a melhor estratégia de combate à doença é lavar as mãos e evitar compartilhar objetos pessoais.