COP termina sem acordo

Meio ambiente

19 de dezembro de 2019

A expectativa sobre a Conferência do Clima da ONU deste ano (COP-25) não era lá muito grande. Mas o clamor que veio das ruas ao longo de 2019 – impulsionado por dois novos relatórios científicos do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) que reforçaram a necessidade urgente de ações para conter o aquecimento global em até 1,5ºC até o final do século – dava uma esperança de que algo melhor poderia ser alcançado. A COP de Madri, porém, foi um fracasso praticamente sob qualquer aspecto que se olhe. E bateu uma sensação de apatia e de desânimo de que talvez não haja mais vontade política para conter o desastre.

Acordo

O clima – na falta de palavra melhor – nos corredores da Feria de Madrid ao longo dos últimos 14 dias era completamente oposto ao que se viu há quatro anos em Paris, quando 195 países se mobilizaram de modo inédito para fechar o Acordo de Paris. Na época, os maiores poluidores do planeta, Estados Unidos e China, estavam na mesma página. O Brasil atuava como um facilitador para minimizar conflitos históricos entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. União Europeia tinha cacife para pedir mais ambição.

Aquecimento

 

Em Paris todos toparam se esforçar para conter o aquecimento a planeta a bem menos do que 2ºC até 2100, e se possível deixá-lo em 1,5ºC – limite da tragédia principalmente para os países mais vulneráveis às mudanças sofridas pelo planeta. Todo mundo ali sabia, no entanto, que as metas que cada nação estava voluntariamente oferecendo (as chamadas NDCs – contribuições nacionalmente determinadas) para ajudar o esforço global não seriam suficientes para isso. Elas ainda colocavam o mundo no rumo de aquecer 3ºC, o que pode ser trágico até mesmo para os países ricos e mais bem estruturados. Era preciso evoluir rapidamente. O Acordo de Paris, então, trouxe uma cláusula: de que em 2020 seria feita uma nova rodada para atualizar e melhorar as metas.

Condições

De lá pra cá, as condições pioraram. As emissões mundiais não estão caindo – chegaram a subir nos últimos dois anos –, e as concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera estão cada vez maiores. De acordo com cálculos do Programa da ONU para o Meio Ambiente (Pnuma), as emissões precisariam cair 7,6% ao ano para colocar o planeta nos trilhos do 1,5ºC. Queimadas em tudo quanto é canto, ondas de calor e tufões são alguns dos eventos críticos que ocorreram neste ano atribuídos ao aquecimento global que mostram que este é um problema atual, não para o futuro. O apelo, desse modo, era pra ter sinalizações mais concretas desse aumento de ambição já em 2019, na COP que era para ser na América Latina. Que era do Brasil, foi pro Chile após desistência do presidente Jair Bolsonaro, e foi pra Espanha após as convulsões sociais entre os chilenos. Faltaram rédeas curtas para a presidência chilena, mas, acima de tudo, faltou o espírito de Paris nesta COP. Ela terminou com um mera reafirmação do Acordo de Paris, sem acrescentar quase nada.