Continua mandando bem o governo federal

Foi como se o pastor vestisse pele de lobo

31 de janeiro de 2020

Caiu como uma bomba nuclear a representação marcial de teatro do cover de Joseph Goebbels (ministro da propaganda e braço direito de Hitler, até 1945), Roberto Alvim, até então secretário da (anti)Cultura nacional. Ao ensejo, quero fazer elementar reflexão com o leitor, sob dois pontos de vista: o não conceitual e o funcional/político. Não quero aqui tratar de doutrina conceitual sobre a ideologia nazista, devido sua extensão, porquanto não cabendo neste espaço em competição com os dois itens elencados. Ora, conceito exige intensidade doutrinária, filosófica e, digamos, menos pragmatismo. Melhor os exemplos.
 
Pragmaticamente o nazismo expressado por esse ex-membro do governo Bozonaro, apenas confirmou aquilo que todos nós já sabíamos desde a campanha partidária: seria um governo fascista. Qual seja, de extrema-direita, contra direitos sociais adquiridos, contra o meio ambiente, a educação, a cultura, racista, truculento, fundamentalista religioso, homofóbico, neoliberal e contrário ao livre exercício da imprensa. Salve-se quem puder!
 
Porquanto, para este modesto articulista, o que aconteceu com a representação do canastrão Roberto Alvim, nada mais foi que a expressão do que é o governo Bozonaro como um todo. O que surpreendeu foi só a reação proporcional, tanto dos contrários quanto dos favoráveis oportunistas de todo gênero, que viram ali oportunidade de fazer média com seu gado, quer dizer, seu rebanho. Foi como se um pastor vestisse pele de lobo e resolvesse pregar uma peça em suas ovelhas. Só que ele se esqueceu que seus cães não cairiam nessa e o reconheceram pelo cheiro. (De enxofre, diria Mephistópheles).
 
Para o ministro da Educação, o troglodita Abrahan Weintraub, aquele que é contra as universidades e por tabela contra a própria educação, analfabeto funcional, coerentemente com seu grau de discernimento, o Enem deste ano “foi o melhor da história”, mesmo tendo as notas de todas as disciplinas rebaixadas em comparação com o ano passado, exceto redação. Assim, Weintraub tenta comprovar que Goebbels estava certo ao cunhar a expressão: “Uma mentira dita mil vezes torna-se verdadeira”. Só que o ministro pensa legitimar sua mentira com no máximo dez vezes dita, como é de seu mister. Cá prá nós: alguém conseguia ver alguma diferença entre esse ministro da Educação e o nazista Roberto Alvim, demitido a contragosto pelo presidente Bozo (ante a inesperada reação até mundial), que até então era só elogios ao seu pupilo? Alguém já disse que “o pior cego é aquele que não quer ver”. E o ministro do meio ambiente, Ricardo Salles, então? Esse tem uma missão das mais extenuantes: destruir o próprio meio ambiente! Que “nobreza” de missão o presidente Bozo lhe confiou, héin? Ele, prepotente, insolente e arrogante, réu em ação ambiental no Estado de São Paulo, padece de ser vaiado em qualquer lugar do mundo em que se encontre. E o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, discípulo do mago Olavo de Carvalho, a quem foi confiada a missão de desconstruir a política pacifista secular da diplomacia brasileira de não alinhamento, exercida até pelos governos da ditadura? Missão essa tão indigesta quanto a da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, encarregada pelo Bozo de envenenar até a alma do consumidor brasileiro, assim como do exterior, com cerca de 500 novos agrotóxicos liberados apenas no ano passado?  O (des)Moro(alizado) então? Ah, desse nem precisa falar, pois todos conhecem seus modos e métodos nada republicanos para atingir seu projeto de poder. Esse não tem limites, parece um Heirich Himmler, o homem forte do “staff” de Hitler, assim como Joseph Goebbels. Ah, e tem mais um, aquele cópia do espectro do cientista inglês Stephen Hawking, o general Augusto Heleno, Ministro chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional). Aliás, que deu uma bela declaração sobre a demissão de Alvim. A exemplo deste que plagiou Goebbels, agora resta saber a quem o general plagiou, porque, pelo seu histórico, está bem mais para fascista que para democrata.
 
Bom, para fechar, resta cumprimentar o presidente Bozonaro por sua capacidade inata de garimpar gente dessa estirpe para o governo, assim como conseguiu com o Sérgio Camargo, lembram, um negro racista que foi ou iria para a fundação Palmares? E agora com o convite para a reacionária Regina Duarte (mal vista nos meios artísticos), pasmem, para a Cultura. Caso ela não aceite até à publicação deste artigo, o Bozo ainda poderia contar com um belo time de boçais: Augusto Nunes, Felipe Moura Brasil, pastor Malafaia, Magno Malta, Boris Casoy, Geisy Arruda… Opa, essa não! E por que não? Habundância! Onde ‘habunda’ não falta. Ou alguém julga que ele iria chamar um Bob Fernandes, uma Marilena Chaui? Até porque eles não aceitariam.
 
É, o nazismo no governo Bozo parece estar indo muito bem! Pelo menos na prática. Agora é rezar para que o incêndio do “Reichstag” e “A noite dos longos punhais” fiquem apenas na parte sombria da História recente da Alemanha.