Cinco séries animadas estão de volta

16 de novembro de 2019

A onda de remakes de obras não é só uma mania do cinema. Séries e animações tem ganhado novas versões com roteiros transformados, estilos e até personagens reformulados. As mudanças podem até não agradar quem assistiu o original, mas é inegável que as produções provaram seu poder de atrair diferentes públicos.

Sem roupas sensuais e seios fartos, o novo visual da heroína She-Ra surpreendeu no reboot da Netflix em parceria com a Dream Works. A princesa-guerreira de Etéria surge diferente e totalmente voltada para o público jovem na produção de Noelle Stevenson. Inspirada na animação oitentista, a série que está em sua quarta temporada parte do mundo antes protagonizado pelo príncipe Adam, o He-Man, e agora foca nas mulheres.

Sucesso dos anos 1980, Thundercats teve uma nova versão em 2015, que se passava na Terra muitos anos à frente, no futuro. A raça humana foi extinta e os animais evoluíram. Alguns personagens mudaram e foram reformulados. Outra iniciativa da Cartoon Network fez mais barulho e desagradou os fãs. Thundercats Roar foi anunciada para estrear em 2019, mas por algum motivo está prevista para 2020. Com uma narrativa mais infantil e alegre, a versão chocou os fãs, lembrando que o projeto é destinado ao público infantil.

A Netflix também apostou em um remake da saga dos Cavaleiros do Zodíaco, febre dos anos 1980 e 1990. A nova produção une a ideia original do anime com inovações para atrair um novo público. Quem lembra de toda história original vai perceber que o novo roteiro sofreu algumas transformações. Uma que chama a atenção é a transformação de Shun de Andrômeda em uma personagem feminina. Na época o roteirista Eugene Son explicou: “Hoje o mundo mudou. Garotos e garotas trabalhando lado a lado é o padrão. Nós somos acostumados a ver isso. Certo ou errado, o público pode interpretar uma equipe só de homens como nós tentando tomar um posicionamento sobre algo.”

A nova versão do desenho animado Popeye criado em 1933 foi transformada O bom e velho lobo do mar, conhecido pela super força e pelo paixão por espinafre, e Olívia, está diferente. No lugar do cachimbo que o personagem trazia, agora Popeye usa um apito. Sua nova dieta inclui espinafre orgânico.

She-Ra

Rejeitada em sua primeira temporada, She-Ra e as Princesas do Poder é a prova de que as meninas estão com tudo. Nas estatísticas do IMDB – plataforma que reúne informações sobre música, filme e games, o público que negativou a produção de Netflix com a Dream Works tem nome e rosto: em sua grande parte homens com mais de 30 anos.

Não é estranho reconhecer que uma audiência goste de assistir uma produção por se sentir contemplado nela. Trata-se de algo que ultrapassa o tempo e as gerações. Talvez esteja aí parte do sucesso conquistado pela protagonista Adora entre o público jovem e feminino e reafirme o desapreço dos nostálgicos oitentistas.

Na saga original de He-Man e os Defensores do Universo, a jovem heroína foi tratada como coadjuvante, ofuscada pelo príncipe Adam. Sua exibição a partir de 1983 fazia parte dos planos da Mattel de promover sua linha de bonecos, os action figure, e manter o compromisso de comercializar os personagens de Etérnia.

Com uma trama repleta de roupas coladas no corpo e músculos a mostra, Adora surgia coma irmã gêmea de Adam e tinha lá os seus poderes. Após o primeiro episódio, a moça perdia espaço para as transformações de Adam/He-Man e sua luta com Hordak.

Essa repetição de homens recém-saídos da academia e mulheres com porte de modelo de passarela incomodou a show runner da produção, Noelle Stevenson. Desde a estreia da primeira temporada de She-Ra e as Princesas do Poder, em 2018, a cartunista tem batido de frente com as críticas nas redes sociais, diante de argumentos de que a história ficou “infantil demais”. Ao que ela respondeu: “Se não gostam, não vejam”.