Brasil registra a maior taxa de depressão da América Latina

A DEPRESSÃO É UM TRANSTORNO MENTAL QUE TEM ACOMETIDO CERCA DE 12 MILHÕES DE PESSOAS NO PAÍS, O NÚMERO REPRESENTA 5,8% DE BRASILEIROS. PASSOS POSSUI UNIDADES DE SAÚDE QUE DISPONIBILIZAM ATENDIMENTO PSICOLÓGICO

29 de janeiro de 2020

PASSOS- A depressão é um transtorno mental que tem acometido muitos brasileiros. São cerca de 12 milhões de pessoas que sofrem com este transtorno no país, o número representa 5,8% dos brasileiros, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Visando promover a prevenção e evidenciar temas de saúde mental, o mês de janeiro ganhou a cor branca e marca a campanha nacional “Janeiro Branco”.

A necessidade de se falar sobre a depressão se justifica quando o país possui a maior taxa de pessoas que possuem este transtorno na América Latina e a segunda maior das Américas- ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Há uma estimativa que entre 20% a 25% da população teve, tem ou terá depressão, colocando a doença psiquiátrica com maior prevalência no Brasil. A médica psiquiatra Amanda de Lima Teixeira indicou alguns fatores que podem explicar o crescimento da doença.

“Nunca se viveu em um mundo tão globalizado, tão conectado e tão competitivo como o atual. Ao mesmo tempo, as pessoas estão cada vez mais fechadas, individualistas. Observa-se também um aumento crescente do uso de álcool e drogas ilícitas, e esse consumo tem sido cada vez mais precoce. Todos esses fatores colaboram para o aumento do número de casos da doença. No entanto, também é importante destacar que existe a predisposição individual para o quadro. Todos esses fatores somados podem contribuir para que haja uma desregulação de neurotransmissores, como se observa na depressão, importantes para a nossa química cerebral, como a serotonina, a dopamina e a noradrenalina”, ponderou.

Conhecer o sintomas, o que é e as causas da depressão é importante para promover a prevenção. Segundo Amanda, a depressão é caracterizada por rebaixamento do humor, redução da energia, diminuição do prazer nas atividades, perda de interesse, pensamentos de culpa e/ou menos valia, desesperança, alterações de sono, do apetite, dentre outros sintomas. A doença pode se manifestar em todas as faixas etárias.

“Para caracterizar o transtorno, também é importante estar atento à duração dos sintomas. Na depressão, o quadro precisa durar duas semanas ou mais, trazendo grande impacto na vida do paciente. Observamos uma prevalência maior em mulheres adultas, mas a incidência têm aumentado em todos os grupos etários”, informou a médica.

A doença pode ser causada por predisposição genética ou por fatores ambientas, como acontecimentos traumáticos; consumo de drogas ilícitas; uso incorreto de determinados medicamentos e doenças sistêmicas como o hipotireoidosmo (disfunção na tireoide que se caracteriza pela queda na produção dos hormônios). Em alguns casos, a doença pode ser crônica. Amanda explicou que algumas pessoas podem ter apenas um episódio do doença durante a vida e, em outros casos, a doença pode se tornar crônica, sendo necessário o acompanhamento médico contínuo.

É comum, ainda, que as pessoas confundam os sintomas de depressão, luto e tristeza. Como clareia Amanda, a tristeza é uma emoção normal e os sintomas duram por horas ou poucos dias, e normalmente está relacionada a um fator determinado. Já o luto é um conjunto de reações devido a uma perda significativa, a duração é variável e é notável a falta de interesse pelo mundo exterior.

Tratamento e melhora no quadro

Cada caso da doença deve ser estudado e tratado da maneira adequada. Casos leves podem ser tratados com a psicoterapia e, casos moderados e graves, necessitam de tratamento com medicamentos também, como explicou a médica, que reforçou, ainda, a necessidade da procura de ajuda profissional.

“A falta de tratamento pode ser extremamente danosa ao indivíduo e em casos extremos pode chegar ao seu ápice com o suicídio. Buscar o tratamento adequado melhora a qualidade de vida do paciente e preserva a vida. Além do acompanhamento médico e psicoterápico, a atividade física mostra-se como uma grande aliada porque melhora a qualidade do sono, diminui o nível de ansiedade, aumenta a sensação de bem estar. Ademas, ter uma rede de apoio com amigos e um bom suporte familiar também é de grande valia para o paciente, colaborando para a sua melhora e para a boa adesão ao tratamento”, afirmou.

Onde buscar ajuda

A busca por acompanhamento profissional é determinante para a melhora do quadro, mas o que tem dificultado a cura da doença é que muitos não possuem recursos para consultarem um psicologo privado.

As unidades de saúde do Sistema Único de Saúde (Sus) de Passos -como ambulatórios, Programa Saúde da Família (PSF) e Centro de Referência de Assistência Social (Cras)-, assim como de outras cidades, disponibilizam ajuda psicológica. A porta de entrada é pela atenção básica, onde o paciente passa em uma consulta com médico do clínico geral que vai realizar a triagem, avaliar o caso e encaminhar para o psicologo. Se a demanda for grave, a consulta da psicoterapia pode ser realizada no mesmo dia.

Há também o Centro de Valorização a Vida, uma associação sem fins lucrativos que presta serviço de apoio emocional e prevenção ao suicídio sob anonimato e sigilo. O interessado pode ligar através do número 188 ou entrar no site www.cvv.org.br/o-cvv/ e conversar com os voluntários pelo chat.

É fundamental, ainda, observar ao redor e identificar aqueles que podem estar precisando de ajuda. Estar atento às mudanças de padrão de comportamento, aos sinais, ao tempo de duração e sintomas da depressão e como está impactando na vida do indivíduo, são algumas das coisas que podem ajudar. Iniciativas para falar sobre o assunto e informar a população são atividades que ajudam a diminuir o preconceito e, consequentemente, as tentativas de auto extermínio e aumento da doença.

“É importante ter em mente que a depressão é uma doença que exige tratamento como todas as outras. Não se trata de fraqueza, falta de fé ou força de vontade. É um estado de adoecimento psíquico que faz com que o paciente tenha um sentimento de tristeza profunda e uma visão negativa e deturpada dele, dos outros e do mundo. Então, rotulações só servem para aumentar o estigma e atrasar a busca de ajuda e tratamento, fazendo o sofrimento perdurar ainda mais”, finalizou a psiquiatra.