BH, de Niemeyer ao Mercadão

Conjunto de prédios da Pampulha e delícias como doce de leite garantem mineirices na capital

28 de janeiro de 2020

Foto: Reprodução

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Neste verão, a capital mineira está convidativa ao turista. Belo Horizontea tem como cenário uma coleção de prédios antigos e obras assinadas por Oscar Niemeyer, o que faz do trajeto uma viagem pela história da cidade.
 
Os primeiros prédios erguidos no início da carreira do famoso arquiteto habitam alguns endereços da capital mineira. Nos anos 1940, ele foi convidado por Juscelino Kubitschek, presidente à época e seu amigo, a desenvolver uma nobre área na cidade, onde fica hoje o Conjunto Arquitetônico da Pampulha, declarado Patrimônio Mundial pela Unesco.
 
Na região destacam-se o Museu de Arte, a Casa de Baile e a Casa Kubitschek. Depois de permanecer fechada por dois anos para reforma, a Igreja São Francisco de Assis foi reaberta em outubro do ano passado.
 
No circuito cultural da Praça da Liberdade também é possível ver uma das obras de Niemeyer: o prédio que leva o nome do arquiteto e que já foi endereço de Tancredo Neves. A praça conta com oito prédios públicos transformados em espaços interativos.
 
O Mercado Público de Belo Horizonte tem um grande diferencial: com certeza, tem os melhores produtos tradicionais mineiros, como queijos, cafés e doces de leite. Dentro do prédio que ocupa uma quadra inteira, a regra é caminhar sem pressa, degustar produtos e definir onde serão feitas as compras. Entre os queijos tradicionais estão o fresco mineiro e o da serra da canastra.
 
Também encontramos variedades de bancas com castanhas, amêndoas e pistaches, objetos feito em barro, canequinhas esmaltadas e cachaças típicas que podem servir de presente para os amigos.
 
Ao contrário de alguns mercados como o de São Paulo ou de Porto Alegre, que têm muitas opções de restaurantes e lanchinhos, em Belo Horizonte a variedade é menor – claro que você pode experimentar produtos nas bancas, mas não será suficiente para matar a fome no horário de almoço.
 
Uma opção gastronômica concorrida é o Casa Cheia. Ao chegarmos à porta do lugar, entendemos o significado do seu nome. Tradicional pela culinária, o restaurante tem fila durante boa parte do dia. O sucesso está no cardápio farto, com iguarias como o mexidoido chapado (R$ 36,90), feito com arroz, tirinhas de carne, linguiça, legumes e bacon, e as almôndegas de carne de sol (R$ 34,90).
 
Onde se hospedar em BH
Um roteiro prático pela capital mineira exige hospedagem em localização privilegiada. O bairro Savassi pode ser interessante para quem deseja aliar programação cultural com boas opções gastronômicas e noturnas.
 
Vizinho do shopping Pátio Savassi, o Radisson Blu fica no coração do bairro. A decoração moderna aposta no contraste. Ao lado da recepção, há uma sala com uma grande estante de fundo vermelho que abriga objetos e quadros. Em frente ao elevador, pedras preciosas catalogadas ficam dispostas numa caixa de vidro grudada em um paredão. Poltronas redondas que parecem jabuticabas pretas servem de descanso.
 
Outro destaque é o restaurante Pátio Olegário. Durante o dia serve café da manhã com produtos típicos mineiro. Pão de queijo, cocada, goiabada e doce de leite são variados e famosos por lá. Depois do desjejum, o lugar se transforma em uma famosa pizzaria e restaurante – as redondas que saem do forno já receberam uma quantidade de prêmios na cidade.
 
Pertinho do Radisson Blu está o Ibis BH Savassi, uma opção mais econômica. Entre as comodidades do Holliday In estão piscina ao ar livre e academia – de lá partem os ônibus diretos para o Inhotim. Para quem quer luxo pertinho do circuito da Liberdade, o Fasano Belo Horizonte tem spa com piscina, sauna, academia e o restaurante Gero.
 
Imperdível Inhotin
E quem visita Belo Horizonte precisa andar mais 60 kms para conhecer o Instituto Inhotim, na cidade de Brumadinho. Protegido por um cinturão verde e enriquecido por pinturas, esculturas, fotografias e instalações de cerca de 60 artistas de 38 países, o Instituto Inhotim – assim como a maior parte da cidade de Brumadinho – não foi afetado pela tragédia de 25 de janeiro de 2019. Ainda assim, viu 50% de seus funcionários terem perdas diretas com o ocorrido e uma redução brusca no número de turistas.
 
Mesmo antes do acidente, Inhotim tinha vocação para fortalecer a comunidade, atraindo para a região visitantes que fazem bate-volta a partir de Belo Horizonte ou preferem estender a visita (o recomendado é usar dois dias para ver as galerias com calma). Outra possibilidade é usar o museu-parque como parada no caminho para Ouro Preto.  
 
Ao programar uma visita, o turista encontrará atividades que podem incluir shows, passeios guiados e uma agenda intensa – além, é claro, das 23 galerias de arte e 560 obras espalhadas ao longo de 140 hectares. Um passeio pelos três eixos (laranja, amarelo e rosa) é um convite para diferentes experiêncis sensoriais, capazes de mexer com os cinco sentidos e de resgatar memórias da vida.
 
Use os carrinhos
Percorrer o Inhotim de carrinho custa R$ 30 além da entrada (R$ 44), e, à primeira vista, pode parecer um passeio de preguiçoso. Mas para quem quer ver (quase) tudo em um dia, é o melhor investimento.
 
O trajeto é um luxo, porque a partir dele surgem paisagens incríveis que mesclam obras de arte feitas por artistas do mundo e pela própria natureza. Samambaias gigantes, palmeiras, flores de vermelho intenso, ipês, orquídeas e um exibido tamboril em frente a um lago aparecem no percurso. 
 
Além de mostrar a criatividade de artistas em espaços generosos, Inhotim também tem peças interativas. Na galeria Marilá Dardot relembrei os galpões de um sítio de família. O prédio com paredes vazadas abriga letras em cerâmica e objetos de jardinagem. A ideia é formar palavras, que futuramente se transformarão em flores e em pequenas plantas. Escolhi a letra inicial do meu nome, “A”. Dentro dela, coloquei terra fofa e algumas sementes de amor-perfeito. Depois, escolhi um lugar embaixo das árvores e deixei a chuva abençoar minha pequena obra.
 
Dentro de uma área entre os ricos biomas da Mata Atlântica e do cerrado, o Inhotim tem como ponto de encontro um majestoso e alto tamboril, onde nosso passeio foi se encerrando. A árvore centenária fica no coração do parque e está ali desde a época
 
 
                                             Viagens para famílias em 2020
 
Foto: Reprodução

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O ano está cheio de feriados e 2020, tão redondinho assim, é uma oportunidade tentadora de fazer uma listinha. Por tudo isso, considero justificada a lista a seguir de 20 ideias de viagens com filhos neste vinte-vinte. Espero que você goste!
 
Para fins de semana (dois dias inteiros)
 
-Ilha do Cardoso: No extremo sul do litoral paulista, é um destino de praia vazio, calmo, preservado e frequentado por poucos; os pais relaxam, as crianças ficam soltas. De Cananeia, vá de balsa.
 
-Trindade: Vilazinha de praia a 25 km do centro de Paraty, cercada de Mata Atlântica. Você chega, estaciona e esquece o carro. A infraestrutura é suficiente, as praias são lindíssimas, há trilhas, piscinas naturais e passeio de barco. 
 
-Socorro: Rafting, cavalgada, trilha, arvorismo e tirolesa de 1 km, tudo muito cuidadoso com acessibilidade e normas de segurança. Um destino de aventura perfeito para famílias. 
 
-Monte Verde: Para o inverno. Mais fria e menos lotada que Campos do Jordão, tem o mesmo jeito de vila europeia, as lareiras e o chocolate. E fica coberta pela geada. 
 
-Brasília: Motivo chatinho e nobre: em um momento politicamente tão complicado do país, ajuda muito, principalmente os adolescentes, saber do quê exatamente os jornais e textos escolares estão falando quando mencionam Palácio do Planalto, Esplanada dos Ministérios, Itamaraty… 
 
-Rio de Janeiro: Museu do Amanhã, bondinho do Pão de Açúcar, praia no Leme e Forte de Copacabana; Cristo Redentor, Parque Lage, praia em Ipanema e pôr do sol no Arpoador: eis um roteiro sem erro para um fim de semana bem agitado com criança. 
 
-Região dos Lagos: A Gol acaba de transformar Búzios e Arraial do Cabo em destino de fim de semana até para paulistas, graças à estreia, em dezembro, do voo direto Guarulhos-Cabo Frio. Sem escala. Sem congestionamento desde o Rio. 
 
Para feriados (três ou quatro dias)
 
-Amazônia: Imensa e diversa, é o destino do ano do Viagem e de todo mundo que se importa com o planeta. 
 
-Serra do Cipó: São Paulo-Belo Horizonte é o trecho aéreo mais barato do Brasil. O centrinho da Serra do Cipó – rodeado de cachoeiras, trilhas e morros, tudo muito em conta – está a uma hora da capital mineira. 
 
-Inhotim: Também a partir de beagá. O museu e jardim botânico está cheio de novidades, como Robert Irwin e Claudia Andujar, para chamar o público de volta depois do triste rompimento da barragem em Brumadinho. 
 
-Olímpia: Preços acessíveis e uma infraestrutura em acelerado crescimento – três novos hotéis no ano passado, mais dois este ano – em volta dos dois parques aquáticos, Thermas dos Laranjais e Hot Beach, compõem a receita infalível para o turismo familiar. 
 
-Portillo: A família quer esquiar este ano? A duas horas (de transfer) de Santiago, Portillo tem bom cardápio de recreação e atividades adultas. 
 
-Lima: Mesmo sem Machu Picchu, a capital também entrega muito do hype peruano: ruínas em plena área urbana, praia para aprender a surfar, moda e comida diferentonas e até um museu do chocolate. 
 
Para férias (sete dias ou mais)
 
-Bonaire: A Fly Caribbean Direct estreia no segundo semestre voos diretos (desde São Paulo e Brasília) para esta ilha que, além da fama de oferecer o melhor mergulho do Caribe, tem dezenas de programas para mergulhar com crianças. 
 
-Suécia: Foi em Estocolmo que a menina Greta Thunberg começou as Sextas-feiras pelo Futuro. O aquecimento global é hoje a principal preocupação dos jovens do mundo, mostrou uma pesquisa da Anistia Internacional. Nossos filhos estão falando do problema – e de Greta – na escola e com os amigos. 
 
-Noruega: Frozen 2 estreou no fim de 2019, e é num fiorde norueguês que fica o reino fictício de Arendelle.
 
-Seul: 2019 foi o ano do K-Pop no Brasil, que vai seguir na preferência juvenil este ano. Se forem fãs do gênero, seus filhos irão gostar de conhecer os adolescentes de visual colorido e tecnológico que vivem entre letreiros néon e palácios de madeira centenários na maluca Seul. Ah, sim: K-Pop é a música pop sul-coreana interpretada pelos boys (e girls) bands da era das redes sociais. 
 
-Cidade do Cabo: Praias lindas, o tal do Cabo da Boa Esperança que a meninada aprende na escola, o passeio alucinante ao alto da Table Mountain, mergulho com tubarões e pedaladas por vinhedos. E ainda aéreo mais em conta que América do Norte e Europa. 
 
-Havaí: A final do Mundial de Surfe, em dezembro, foi brasileira: Ítalo Ferreira venceu o bicampeão Gabriel Medina. A praia de Pipeline volta, assim, a ganhar força de ícone no imaginário de jovens brasileiros, graças à atual geração de surfistas, conhecida como a “brazilian storm”.
 
-Disney: Estreou áreas dedicadas a Star Wars em dois dos seus parques nos Estados Unidos, em Los Angeles e Orlando. Ok, vamos admitir, Rey e Kylo Ren à parte: Star Wars é coisa de velho. Mas qual a graça de ter filhos se a gente não puder usá-los como desculpa para torrar dólares (nas alturas) em ingresso de parque para pilotar a Millennium Falcon?