A educação rumo ao abismo

POR ESDRAS AZARIAS DE CAMPOS

3 de Maio de 2021

O ministro da Educação, o pastor Milton Ribeiro, ao contrário do ministro anterior, o Abraham Weintraub, que fazia questão de dizer asneira todo santo dia, este outro, no entanto, raramente aparece em público, tanto que até parecia não ter mais ministro no MEC. Mas eis que o ministro Milton Ribeiro reapareceu e produziu esta pérola de pensamento abstrato: “O MEC deve seguir a visão educacional de Bolsonaro” (UOL/26/04/2021).

Mas afinal, qual é a visão educacional de Bolsonaro? Em qual projeto o governo Bolsonaro apresentou sua visão educacional para o país? Nas eleições a população quando escolhe um presidente está aprovando um projeto em todas as áreas seja da segurança, saúde, educação e outras, isto em tese, mas qual projeto o Bolsonaro apresentou?

Aliás, o Bolsonaro nem apresentou projeto de governo, não participou de debates na campanha eleitoral e assim não pode apresentar nem proposta e muito menos a sua visão educacional. A única visão de Bolsonaro sobre educação é baseada em seus pronunciamentos de antes quando era deputado e de agora como presidente.

E ao basearmos no que ele disse sobre educação veremos que na sua visão educacional o ideal é o fechamento do Ministério da Educação e a transferência de suas atribuições para o Comando do Exército e transformação da rede escolar em escolas militares. E então teríamos um processo educacional sem a diversidade e a liberdade para que os pais, as crianças e os jovens pudessem fazer suas escolhas de instituições escolares diferenciadas para o direcionamento do futuro de suas vidas!

Para começo de conversa podemos afirmar que a visão educacional de Bolsonaro é bem tacanha se levarmos em conta o nível mental e intelectual dos seus ministros escolhidos para o MEC. Um pior que outro em sequência. Este é de fato o projeto baseado na visão educacional do presidente Bolsonaro. Até porque o presidente para as áreas mais sensíveis que são ligadas aos problemas sociais tais como saúde, educação, cultura e Direitos Humanos, as escolhas dos ministros deixam a desejar e muito.

Veja o caso MEC, começou com um ministro colombiano o Ricardo Vélez, veio após o irascível Abraham Weintraub e agora o pastor Milton Ribeiro, em menos de dois anos três ministros da educação, todos incapacitados ou subservientes, portanto competentes apenas para levar a visão educacional de Bolsonaro adiante.

No dito pronunciamento do ministro Milton Ribeiro evidencia-se total falta de coerência, ao afirmar que o “MEC e o Inep são lugar de gente técnica, não política“, mas os ministros ali colocados por Bolsonaro são ideológicos da linha do astrólogo Olavo de Carvalho cujo pensamento filosófico astronômico inclui a teoria da Terra Plana.

E os tais ministros desestruturam todos os órgãos do MEC e os aparelhando com Olavistas para servirem à “visão educacional” de seu chefe cujo lema é “um manda e o outro obedece”. Tal visão educacional se distancia evidentemente da visão dos educadores e pedagogos nacionais e internacionais, a qual visão, o MEC se recusa a seguir desde quando o Bolsonaro assumiu o poder.

Se o nosso processo educacional já não era uma “Brastemp” no passado até recente 2018, como nos mostra a posição 60º do mundo no ranking de avaliação Pisa, Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Tradução de Programme for International Student Assessment).

Atingiu 413 pontos, sendo que a média da OCDE é de 489 pontos. Então, imagina agora em 2021 quando está previsto nova avaliação do programa Pisa, levando-se ainda em consideração o que aconteceu com a nossa educação em plena pandemia e com o descaso do MEC sob a direção dos incompetentes ministros bolsonaristas/Olavistas.

É como dizia o saudoso grande pedagogo, o Professor Darcy Ribeiro, “A crise da educação no Brasil não é uma crise; é um projeto”. E no governo Bolsonaro o projeto é levar a educação com crise e tudo para o abismo, pelo menos é o que podemos deduzir através da sua (dele) visão educacional.

ESDRAS AZARIAS DE CAMPOS é Professor de História