Dia a Dia Geral

Salve o concorrente – Parte 1

23 de Maio de 2020

Este é o tíltulo de alguns pensamentos constantes no suplemento do jornal Asalux, de setembro de 1989. A concorrência sempre foi um assunto a ser tratado com seriedade. Para mim, existem dois tipos de concorrência: a honesta, sincera, ética, legal e aquela que pratica o contrário. No segundo tipo, ela é mentirosa: para quem a pratica, o que importa é o resultado, o fim, não os meios utilizados.

Apesar do título estar no singular, as frases colhidas se apresentam no plural.

01 – Que me fazem levantar cedo e render mais.” – Se empresários ou profissionais não tivessem concorrentes, poderiam relaxar no atendimento de seus clientes, afinal, dependeriam apenas deles. Mas, como todos têm seus concorrentes, o negócio é não “dormir no ponto”. Portanto, preciso me preparar o mais cedo possível, ou permitido por lei, para enfrentar o trabalho.

02 – Que me obrigam a ser mais atencioso competente e honesto.” – Sim, exatamente porque tenho concorrentes que sabem trabalhar muito bem, dentro das exigências do negócio, que eu também tenho de não só me espelhar neles, mas, aprimorar minha capacidade.

03 – Que me fazem avivar minha inteligência para melhorar a divulgação dos meus produtos.” – Entendamos aqui como produtos, tudo que possamos vender, inclusive os serviços profissionais, que na verdade, também “vendemos”. Melhorar a qualidade é um dever de qualquer um com pretensão de progredir com seu trabalho e por consequência, melhorar suas condições econômicas e financeiras. Para tanto, usarei a inteligência, o chamado “tino comercial”, os meios e técnicas de propaganda e publicidade. Eu aprendi que há diferença entre estas duas palavras aí. Quem é do ramo sabe disso.

04 – Que me impõem a atividade, pois, se não existissem, eu seria fraco, incompetente.” – Os concorrentes me obrigam a ser consciente de minha atividade, a ser responsável e zelar por ela, para que eu possa ter os melhores resultados possíveis. Se não existissem os concorrentes, eu me sentiria o senhor dos negócios, não me preocuparia com clientes, mercado, atendimento, preço e demais virtudes que precisaria para ser um bom empresário.

Eu me tornaria senhor da situação e na primeira concorrência competente que surgisse, iria perceber a minha fraqueza e incompetência. Teria duas saídas: uma seria mudar os conceitos e atitudes, a outra, caso a cabeça seja teimosa, seria fracassar e sair do mercado.

05 – Que não dizem as minhas virtudes e gritam meus defeitos. Assim, posso corrigir-me.” – Falar mal é mais fácil que falar bem, que elogiar. Alguns concorrentes, não todos, é claro, estarão sempre aptos para descobrir e propagar meus erros e defeitos. Se não o fazem às claras, não perdem a oportunidade de fazer de forma dissimulada.

Naquilo que eu acerto, que eu faço de bom e corretamente, alguns possam até elogiar, mas, outros talvez prefiram omitir-se, ou seja, questionados ou perguntados por alguém, não esboçam sequer uma opinião favorável. Isso é muito bom, porque eles me obrigam a reconsiderar minhas atitudes, se estou sendo eficiente ou não, se está na hora de atualizar-me com as novas técnicas e práticas mercadológicas, enfim, me fazem buscar aprimoramento.

06 – Que quiseram arrebatar meu negócio, forçando a desdobrar-me para conservar o que já possuía.” – É o chamado “olho gordo”, como dizem na gíria. Quando um negócio vai bem, se desenvolve, mesmo que lentamente, mas, vai em frente e começa a fazer sucesso, sempre aparecerão candidatos à concorrência, nem sempre querendo montar um negócio igual e sim desejando adquirir o seu, que já deu certo, que atingiu um bom nível de “maturidade”.

Vender ou não o negócio, será sempre uma questão de oportunidade e interesse. São várias as situações e conveniências. Quando não há interesse em sair do ramo e partir para outra atividade, a atitude será sempre melhorar cada vez mais o seu trabalho para manter o sucesso que já alcançou, não se deixando abater por uma má inveja ou até uma tentativa de concorrência desleal. Sempre haverá alguém de olho naquilo que você já conseguiu, alguns mal intencionados, outros, nem tanto, apenas gostariam de ter a mesma capacidade que você tem. Você representa um bom exemplo para eles.

LUIZ GUILHERME WINTHER DE CASTRO professor de oratória e de técnica vocal para Fala e Canto em Carmo do Rio Claro/MG – Ex-professor do ensino técnico comercial – formado no Curso Normal Superior pela Unipac.