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O que você precisa saber sobre o coronavírus – Parte 4

Especialistas respondem questões que ajudam enfrentar a pandemia

8 de Maio de 2020

48 – A perda de olfato e paladar, que vários pacientes da covid-19 relatam, é temporária ou para sempre?

– Temporária. A perda permanente de olfato e paladar é considerada rara. “Este sintoma vem sendo observado em pacientes com quadro sugestivo de covid-19 e pode ser uma ferramenta para aumentar a acurácia do diagnóstico clínico da doença. No entanto, há um grande contingente de pessoas com a doença e sem este sinal”, afirma Unaí Tupinambás, professor do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

49 – Tenho alguns sintomas, mas, como eles são diferentes de pessoa para pessoa, como saber se é hora de procurar ajuda médica?

– A recomendação do Ministério da Saúde é: caso você se sinta doente, com sintomas de gripe, evite contato físico com outras pessoas, principalmente idosos e doentes crônicos, e fique em casa por 14 dias. “Só procure um hospital de referência se estiver com falta de ar”, informa a pasta.

50 – A pessoa pode se contaminar mais de uma vez?

– Há alguns casos pelo mundo de pessoas que tiveram a doença, melhoraram e voltaram a ser diagnosticadas com infecção pela covid-19. Por se tratar de um vírus novo, os cientistas ainda não chegaram a uma análise conclusiva.

De qualquer forma, a chance de se contaminar mais de uma vez é tratada como fato raro. “Outra possibilidade é que o teste cujo resultado foi negativo pode não ter sido feito de forma adequada. Ou, ainda, o novo coronavírus pode provocar uma infecção bifásica, isto é, ele persistiria no organismo e, após algum tempo, reapareceria com outros sintomas. Mas tudo isso são hipóteses na tentativa de explicar esses achados”, informa a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O infectologista do Hospital Sírio-Libanês Ralcyon Teixeira lembra que os casos de reincidência registrados são poucos se comparados com a quantidade total de casos de infecção pelo coronavírus no mundo, por isso, ainda não é possível tirar conclusões definitivas.

51 – Quanto tempo dura a internação por covid-19?

– O tempo de recuperação varia entre duas a oito semanas, dependendo do estado clínico do paciente.

52 – Por que esse novo coronavírus é tão imprevisível e mata jovens sem doenças pré-existentes e não mata idosos com mais de 100 anos?

– A gravidade dos sintomas varia e as pessoas do chamado grupo de risco têm chance maior de desenvolverem quadros mais graves por causa do coronavírus. Os cientistas ainda buscam a resposta para o fato de a covid-19 também matar jovens saudáveis. Algumas hipóteses estudadas são fatores genéticos e/ou a carga viral, ou seja, quanto a pessoa ficou exposta ao vírus.

53 – O que ainda não se sabe sobre esse coronavírus?

– São diversas perguntas sem resposta sobre o coronavírus até agora. A começar pelos números de casos e mortes, porque os países não conseguem testar as pessoas. Com a subnotificação, a taxa de letalidade é imprecisa. O motivo para a gravidade dos casos é outra questão que os cientistas ainda tentam responder. Não se sabe ao certo por que jovens saudáveis morrem por covid-19 e pessoas do grupo de risco sobrevivem após serem infectadas. Também não se sabe com certeza quanto tempo o coronavírus sobrevive em superfícies, mas ele parece se comportar como outros do mesmo tipo.

Pesquisadores descobriram que as principais células que o vírus ataca para se multiplicar são as do sistema respiratório, especialmente as nasais e as pulmonares. Já uma possível chegada do vírus a órgãos como fígado, rins, baço, coração e intestino dependeria da presença dele no sangue, o que ainda não foi comprovado, segundo a professora Luciana Costa, diretora adjunta do Instituto de Microbiologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

54 – Por que a nova doença foi batizada de covid-19?

– Desde o início de fevereiro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a chamar oficialmente a doença causada pelo novo coronavírus de covid-19. Covid vem de corona virus disease (doença do coronavírus, em português), enquanto “19” se refere a 2019, quando os primeiros casos em Wuhan, na China, foram divulgados publicamente pelo governo chinês. A denominação é importante para evitar casos de xenofobia e preconceito, além de confusões com outras doenças.

55 – É possível pegar o vírus apenas frequentando o mesmo ambiente de um infectado ou é preciso ter contato direto com o paciente ou com superfícies e objetos contaminados?

– “Estudos até o momento indicam que o vírus que causa a covid-19 é transmitido principalmente pelo contato com gotículas respiratórias”, diz Airton Stein, pesquisador da área de epidemiologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). “O ar sozinho não carrega o vírus, mas ele pode carregar partículas de secreções de uma pessoa que espirra e esteja infectada.” Uma pessoa pode ser contaminada, então, se inspirar gotículas de alguém infectado – é por isso que se torna importante ficar a mais de 1 metro de distância, evitando aglomerações.

Ou se tocar em objetos e superfícies que tenham sido contaminados e, em seguida, levar a mão aos olhos, ao nariz ou à boca. “Estudos sugerem que os coronavírus podem persistir nas superfícies por algumas horas ou até vários dias. Isso pode variar sob diferentes condições, como tipo de superfície, temperatura ou umidade do ambiente”, informa a OMS.

56 – Quantos tipos de coronavírus existem no mundo e quais doenças eles causam?

– Coronavírus é uma família de vírus que causam infecções respiratórias. Os primeiros coronavírus humanos foram isolados em 1937. No entanto, foi em 1965 que o vírus apareceu descrito como coronavírus, em decorrência do perfil na microscopia, semelhante a uma coroa. A maioria das pessoas se infecta com os coronavírus comuns ao longo da vida e as crianças pequenas são as mais propensas a se infectarem com o tipo mais comum do vírus. Os coronavírus mais comuns que infectam humanos são o alpha coronavírus 229E e NL63 e beta coronavírus OC43, HKU1.

57 – O novo coronavírus é mais letal do que outros tipos coronavírus?

– Também causadas por coronavírus, a Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars) e a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers) são mais letais do que a covid-19. “No entanto, no caso da Sars e da Mers, a transmissibilidade é menor e, por isso, as epidemias não tomaram a mesma proporção do novo coronavírus”, afirma Ester Cerdeira Sabino, infectologista e professora do Departamento de Moléstias Infecciosas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e pesquisadora do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo. Assim como a influenza, a covid-19 também tem alto potencial de transmissão.

58 – É possível que surjam outros tipos de coronavírus nos próximos anos? Por quê?

– Sim. É possível que outros coronavírus passem de animais para seres humanos. “Aparentemente, é um vírus que consegue ‘pular’ mais facilmente de uma espécie para outra e é o que estamos observando agora até mesmo com a transmissão de humanos para felinos”, acredita Ester Cerdeira Sabino, infectologista e professora do Departamento de Moléstias Infecciosas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e pesquisadora do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo.

59 – O vírus é mais contagioso do que o da gripe espanhola?

– Ainda não é possível dizer, porque ainda não há números concretos de infectados e assintomáticos. “Além disso, os números da gripe espanhola mostram quantas morreram e não quantas foram contaminadas. Para fazer uma comparação melhor é preciso esperar a pandemia do novo coronavírus acabar para saber quantas pessoas se infectam e são assintomáticas”, avalia Ester Cerdeira Sabino, infectologista e professora do Departamento de Moléstias Infecciosas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e pesquisadora do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo.

60 – Posso visitar pacientes com covid-19? Não é exagero do hospital a proibição?

Não é exagero, na opinião de Airton Stein, professor-titular do departamento de Saúde Coletiva da área de Epidemiologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre. “É necessário evitar o contato com pessoas contaminadas o máximo possível, considerando que 50% dos casos podem ser atribuídos a transmissão de pessoas assintomáticas e pré-assintomáticas”, afirma Stein. “É muito alto o risco de contágio.” Desde março, o Conselho Federal de Medicina (CFM) recomenda a restrição de pessoas em hospitais, o que fez alguns deles limitarem até visitas a pacientes que não estão internados por covid-19.

61 – Os enterros de vítimas de coronavírus precisam mesmo ter poucas pessoas?

O Ministério da Saúde informou que os mortos por coronavírus podem ser enterrados ou cremados, mas os velórios e funerais de pacientes confirmados ou suspeitos da doença, que juntem muitas pessoas em um ambiente fechado, não são recomendados. Neste caso, o risco de transmissão também está associado ao contato entre familiares e amigos. Na cidade de São Paulo, por exemplo, a Prefeitura suspendeu os velórios para vítimas da covid-19 e autorizou a realização de enterros noturnos.

62 – A covid-19 causa danos neurológicos? É pior dependendo da idade?

Estudo recente da Universidade de Ciências e Tecnologia do Hospital de Huazhong, na China, envolvendo 214 pacientes hospitalizados mostra que o novo coronavírus pode causar problemas neurológicos. Em mais de 60% dos pacientes foram identificados sintomas neurológicos de doenças do sistema nervoso central, sistema nervoso periférico e sintomas musculares esqueléticos.