Meio Ambiente

Previsões de Bill Gates

18 de fevereiro de 2021

“Quando eu era criança, o desastre que mais temíamos era uma guerra nuclear. Hoje, o maior risco de catástrofe global não se parece com uma bomba, mas sim com um vírus”. Assim começa uma palestra ministrada por Bill Gates em um Ted Talk oferecido pelo fundador da Microsoft. O curioso, porém, é que essa não foi uma frase dita na semana passada, em óbvia referência ao coronavírus, mas sim em 2015. O próprio nome da palestra já soa hoje perfeitamente profético: “O próximo surto? Não estamos preparados” – o que, conforme se espalha o novo coronavírus, vem se comprovando a mais concreta realidade.


O que você também vai ler neste artigo:

  • Novo perigo
  • Desastre climático
  • Alertas
  • Engajamento

Novo perigo

Mas essa pandemia do coronavírus parece até pequena pelo novo alerta do empresário. E ele quer que você saiba dois números: 51 bilhões e zero. O primeiro é o número de toneladas de gases de efeito estufa normalmente adicionados à atmosfera a cada ano como resultado das atividades humanas. Já o zero é o número de toneladas que precisamos atingir até 2050 para evitar uma crise climática. Gates tem um plano de como ir de 51 bilhões a zero, e fica feliz em dizer que isso não custa trilhões de dólares. O que podemos esperar de um empresário que fez sua fortuna com tecnologia é que a solução sugerida esteja ligada em grande parte à inovação?

Desastre climático

Ele explica seu plano em um novo livro, “Como Evitar um Desastre Climático: as Soluções que Temos e os Avanços que Precisamos” (ed. Companhia das Letras), que lançado na terça-feira, 16, nos EUA e no dia 19 no Brasil, de acordo com o site da Amazon. A meta número um do livro, diz Gates, é definir claramente quais setores da economia estão produzindo os 51 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa que o mundo normalmente adiciona à atmosfera a cada ano.

Alertas

Esta não é sua primeira receita pública para o clima. Em 2010, ele deu uma palestra no TED Talk clamando pela necessidade de eliminar as emissões de carbono até 2050. Já em 2015, se envolveu na Cúpula do Clima de Paris, ligando para o então presidente da França, François Hollande, e o encorajando a fazer com que os países concordassem em aumentar seus orçamentos de P&D para inovação em tecnologia limpa. Vinte países assinaram.

Engajamento

Não se sabe se o livro vai realmente influenciar os criadores de políticas e impulsionar a criação de novas tecnologias, mas, se nada der certo, Gates quer que as pessoas se engajem no tema. “Minha esperança é que possamos mudar a narrativa compartilhando os fatos com amigos, família e líderes. E não apenas os fatos que mostram que precisamos agir, mas também os que mostram quais ações são as melhores”, ele escreve.