Meio Ambiente

Metas reduzem em só 0,5%

4 de março de 2021

As metas apresentadas no final do ano passado por 75 países, entre eles o Brasil, para a redução das emissões de gases de efeito estufa até 2030 estão muito longe do necessário para conter o aquecimento global e precisam ser refeitas. O alerta foi feito no último final de semana pela ONU, que divulgou uma análise dos compromissos entregues.


O que você também vai ler neste artigo:

  • Números
  • Valor irrisório
  • Acordo de Paris
  • Revisão

Números

De acordo com o relatório, as propostas desses países, que juntos hoje representam cerca de 30% das emissões de gases de efeito estufa do planeta, serão suficientes para reduzir em apenas 0,5% as emissões até 2030 em relação aos níveis observados em 2010. Não foram incluídos nesse cálculos os dois maiores mundiais – China e Estados Unidos – porque eles não apresentaram novas metas no ano passado.

Valor irrisório

O valor é irrisório perto do que a ciência estima que seria necessário para conter os danos mais intensos da crise climática. De acordo com relatório lançado no fim de 2018 pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), para conter o aumento da temperatura média do planeta a 1,5°C até o fim do século a redução das emissões até 2030 deveria ser de 45%. Chegando a zero em 2050.

Acordo de Paris

A análise foi feita em cima da revisão das chamadas NDCs (contribuições nacionalmente determinadas) que haviam sido apresentadas por cada país como contribuição ao Acordo de Paris, de 2015. Na ocasião, praticamente todos os países do mundo se comprometeram a fazer esforços para conter o aquecimento do planeta a bem abaixo de 2°C até 2100, com a tentativa de ficar em 1,5°C, valor considerado mais seguro. Já naquele momento, porém, sabia-se que todas as NDCs juntas eram pouco ambiciosas e ainda colocavam o mundo no rumo de um aquecimento de cerca de 3°C. Já pelo Acordo de Paris ficou definido que as nações teriam de revisar suas metas e que cada nova meta deveria ser mais ambiciosa que a anterior.

Revisão

A primeira revisão estava prevista para ocorrer na Conferência do Clima da ONU de 2020 (COP-26), que deveria ter ocorrido em Glasgow, na Escócia, mas foi adiada para este ano por causa da pandemia. Mas mesmo assim, a ONU pediu para que os países submetessem seus novos compromissos, o que foi feito por 75 deles. Na falta da COP, a ONU organizou em dezembro a Cúpula de Ambição Climática, para a qual os líderes dos países foram convidados a apresentar seus novos compromissos.

Os mais ambiciosos tiverem espaço para se manifestar – o que não foi concedido ao Brasil, justamente porque os organizadores do evento não consideraram suficientes as metas climáticas divulgadas quatro dias antes do encontro pelo Ministério do Meio Ambiente. O Brasil é o 6º maior emissor do mundo, e a destruição das florestas responde pelo maior volume de emissões.