Meio Ambiente

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24 de junho de 2021

Voluntários lutam por árvore

Quem olha um faveiro-de-wilson, com seus 20 metros de altura e tronco que chega a 1,5 metro de diâmetro, não imagina que a árvore, depois de sobreviver ao desmatamento histórico, continue correndo risco de extinção. Desta vez, ameaçada pelo capim dos campos de pastagens. “Mas esta é uma ameaça real”, diz o engenheiro florestal Fernando Moreira Fernandes, professor do Jardim Botânico da Fundação de Parques e Zoobotânica de Belo Horizonte. Nos últimos anos, ele tem se dedicado à proteção dessa árvore, na área de transição entre o Cerrado e a Mata Atlântica.

Começo

Fernandes começou a missão em 2004. Saiu a vasculhar fazendas e sítios em busca de exemplares que restaram do faveiro-de-wilson na natureza. Ele é um sobrevivente da prática rural do desmatamento para formação de pastagens – predominantemente o capim braquiária (Urochloa decumbens), espécie africana plantada para alimentar o gado. O fogo que costuma lamber a grama seca dos campos do Cerrado em tempo de queimadas, a partir de agosto e setembro, agrava a ameaça ao faveiro.

Nome científico

Foi em 1968 que este foi identificado pelo mateiro Wilson Nascimento. No ano seguinte, ela foi descrita pelo botânico Carlos Toledo Rizzini – daí o nome científico adotado, Dimorphandra wilsonii Rizzini. Em 1984, Rizzini encontrou apenas 18 exemplares do faveiro-de-wilson, lembra Fernandes. “Naquela ocasião, já consideraram a árvore em curso de extinção”, relatou o engenheiro florestal em um simpósio científico.

Primeiro inventário

Com apoio de ONGs, um grupo de especialistas coordenados por Fernandes fez em 2007 o primeiro inventário da espécie. Em 2015, a pesquisa levou o Prêmio Nacional de Biodiversidade com o projeto de conservação e, ao longo dos anos, o trabalho passou a render proteção legal ao faveiro. Em meio ao estudo da espécie, Fernandes descobriu um primo do faveiro-de-wilson, o faveiro-da-mata (Dimorphandra exatata), também sujeito à mesma ameaça.

Preservação

Fernandes encontrou inicialmente 12 árvores da espécie nos municípios de Paraopeba e Caetanópolis, a 100 km de Belo Horizonte. Foram 17 anos de estudo na região. Mas, mesmo com todo o trabalho dos cientistas, apoio da Fundação Zoobotânica e de outros organismos e pesquisadores, hoje um faveiro-de-wilson grita, e outro não ouve. O cientista conta que há apenas 450 indivíduos da espécies por lá. O objetivo é salvar a bela florada amarela que origina vagens (favas) adocicadas, alimento para araras, antas, veados, cotias, e até animais de criação, como cavalos e gado, em uma área de 23 cidades. “É muito pouco”, resumiu o engenheiro florestal. “A gente começou a pesquisa com uma dúzia. Acabamos descobrindo que a espécie estava ameaçada.”