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13 de janeiro de 2022

Desastre da seca no Cone Sul

A seca que atinge os países do Cone Sul da América do Sul já é um desastre de bilhões de dólares e será um dos maiores no mundo no ano de 2022, destaca a MetSul Meteorologia. Os prejuízos na agricultura da Argentina, Uruguai, Paraguai, Sul do Brasil e Mato Grosso do Sul são bilionários e crescentes com tendência de agravamento da situação pela continuidade da seca até o final do verão em algumas áreas destas regiões.

Bilhões de dólares

A Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA), o setor de seguros e resseguros, e o EM-DAT (Emergency Events Database) que contém dados de mais de 22 mil desastres no mundo de 1900 a dias atuais, catalogam os desastres naturais pelo seu prejuízo. Eles incluem terremotos, erupções vulcânicas, secas, enchentes, ciclones, etc. A seca no Cone Sul vai ingressar na base de dados de desastres naturais de bilhões de dólares de 2022.

Maiores desastres

Balanço da NOAA de 2021 apontou 20 desastres com custo de ao menos um bilhão de dólares nos Estados Unidos em 2021. O custo total dos desastres de bilhões de dólares no ano foi de 145 bilhões de dólares, o terceiro maior registrado desde 1980. A tempestade Ida trouxe danos de 75 bilhões de dólares, o quinto maior valor em qualquer ciclone tropical no banco de dados de bilhões de dólares da NOAA.

Eventos com danos

Em 2021, dentre os eventos com danos de ao menos um bilhão de dólares nos Estados Unidos, houve uma onda de frio com tempestade de inverno no Sul e no Texas, episódio de fogo (incêndios florestais no Oeste do Arizona, Califórnia, Colorado, Idaho, Montana, Oregon e Washington), um evento de seca e onda de calor (verão e outono no Oeste), dois eventos de inundação (na Califórnia e Louisiana), três ondas de tornados (incluindo as de dezembro), quatro ciclones tropicais (Elsa, Fred, Ida e Nicholas) e oito episódios de tempo severo (incluindo o derecho do Meio-Oeste de dezembro).

Seca traz prejuízo

As perdas do Valor Bruto da Produção (VBP) das culturas da soja e do milho provocadas pela estiagem podem ultrapassar R$ 19,77 bilhões de reais no Rio Grande do Sul, onde mais de 200 municípios estão hoje em emergência por estiagem, o equivalente a 3,5 bilhões de dólares. A cifra corresponde aos recursos financeiros que os produtores deixarão de obter na comercialização dos dois grãos em razão da quebra de safra. A estimativa é da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado (FecoAgro-RS). De acordo com o levantamento, o impacto negativo da estiagem chega a R$ 14,36 bilhões nas lavouras de soja e a R$ R$ 5,41 bilhões nas de milho. Em Santa Catarina, as regiões Extremo Oeste, Oeste e Meio Oeste são as mais afetadas. A principal preocupação do setor produtivo é a quebra na safra de milho – tanto milho grão quanto silagem – que deve impactar diretamente as cadeias produtivas de carne e leite. No Extremo Oeste, a colheita de milho esperada deve ter uma redução de até 50% e a expectativa de safra estadual já está sendo reduzida.