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MEIO AMBIENTE

23 de dezembro de 2021

Fazendas viram reservas naturais

Com a pressão sobre o planeta para frear as mudanças climáticas, áreas protegidas se tornam estratégias cada vez mais importantes para manter a vegetação em pé. E isso não depende só do poder público – pode ser feito também por proprietários de áreas particulares. “São pessoas que trabalham em silêncio por um bem maior, que é a natureza”, diz o empresário Fabio Padula, que transformou 37 dos 300 hectares de sua propriedade em reserva.

Exemplo

A fazenda dele fica em Cavalcante (GO), no meio da Chapada dos Veadeiros. A Reserva Particular de Patrimônio (RPPN, o nome dado a esse tipo de área protegida) de Padula é uma entre várias outras transformadas num corredor de preservação no Cerrado. Foi descoberta por ele e a família há mais de 20 anos, mas só em 2020 conseguiram a formalização. “Essa área já era reserva no nosso coração, mas agora é formalmente uma reserva de proteção natural”, conta. Ele teve ajuda de entidades que trabalham para facilitar a obtenção da papelada exigida, como a Fundação Pró-Natureza (Funatura) e o Instituto Cerrados.

Modelo

No Brasil, há cada vez mais interessados no modelo, voltado para atrair proprietários de pequenas e médias fazendas, sítios, chácaras e loteamentos urbanos interessados na preservação da fauna e da flora. Entre os desafios, estão a adoção de incentivos que garantam a sustentabilidade financeira desses espaços e a expansão por outros biomas, como o Cerrado.

Levantamento

Levantamento da Confederação Nacional de RPPNs, de setembro, aponta que cerca de 73% das áreas do tipo ficam na Mata Atlântica e cerca de 16% no Cerrado. Biomas como a Amazônia, onde há mais unidades de conservação públicas e territórios indígenas, a presença das reservas privadas está em torno de 3,5%. “Tenho muito prazer em viver aqui observando paisagens, acompanhando pesquisadores científicos em seus estudos sobre árvores, sementes, calangos, bactérias, pássaros”, afirmou Padula.

Pesquisas

Segundo ele, pesquisadores da USP também já fizeram pesquisas na região localizando, por exemplo, mais de 4,1 mil cachoeiras de mais de dois metros. Laércio Machado de Sousa, coordenador técnico da Funatura, entidade que reúne várias RPPNs, afirma que “não há dúvidas sobre o avanço brasileiro”nessa política de proteção ambiental”. “Mas essa água está diminuindo com o passar dos anos”, lamentou o dono da RPPN Bacupari. “Estamos sofrendo forte ameaça com um cerco de agro, do gado e ataques de gente que põe fogo no Cerrado para desqualificar o bioma”, afirmou. Ele alertou ainda para tentativas de mudança de leis de preservação ambiental para forçar, por exemplo, a redução do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, que em 2017 foi ampliado. “Agora tem projeto para reduzir o parque”, critica Padula.