Meio Ambiente

Índios enfrentam o coronavírus

7 de Maio de 2020

A disseminação acelerada do novo coronavírus tem provocado temor em aldeias do Brasil. Boletins epidemiológicos da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), órgão vinculado ao Ministério da Saúde, apontam que o número de casos confirmados de covid-19 entre índios praticamente dobrou no intervalo de uma semana, comportamento que preocupa infectologistas e desafia estratégias de prevenção dos governos.

Números

De acordo com o Censo IBGE 2010, existem ao menos 305 etnias e 896,9 mil indígenas no Brasil, a maioria habitante de áreas rurais. A reportagem procurou tribos das cinco regiões brasileiras, com realidades distintas, para abordar medidas preventivas e os efeitos da pandemia nas aldeias. Em comum, os povos relataram que tentam seguir o isolamento social, recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), mesmo aqueles que vivem em contexto urbano.

Risco

“Se um vírus desse entra na comunidade, é o extermínio de um povo”, afirma Sonia Ara Mirim, líder Guarani e moradora da Terra Indígena Jaraguá, na cidade de São Paulo. Encravada no epicentro do coronavírus, a aldeia tem sobrevivido à base de cestas básicas, doadas por parceiros, para conseguir se manter longe de aglomerações. “O principal desafio é preservar as vidas na comunidade, são muitas crianças e velhos.”

Portaria

Desde o dia 17 de março, portaria da Fundação Nacional do Índio (Funai) proibe não índios de entrar nas aldeias. Pelo Brasil, caciques e lideranças mandaram fechar acessos e espalharam faixas de alerta. Em algumas regiões, há registros de estradas bloqueadas por troncos e até grupos que fazem campana nas matas contra invasores. Os povos, no entanto, relatam dificuldades diversas: desde escassez de equipamentos de proteção, falta de testes e ausência de rede hospitalar, ao risco de passar fome por desabastecimento.

Grau de adesão

O grau de adesão ao isolamento varia de acordo com o povoado, já que há comunidades que precisam deixar as terras em alguma hora, seja para comprar mantimentos, receber o valor da aposentadoria ou retirar benefícios como Bolsa Família. Embora muitas aldeias tenham desistido de realizar eventos, ainda há povos que mantêm festas e ritos ancestrais.