Meio Ambiente

Incêndios no Pantanal

15 de julho de 2021

Grandes focos de incêndio voltaram a atingir o Pantanal, em Mato Grosso do Sul, um dos ecossistemas mais vulneráveis do País, neste fim de semana. As chamas consumiram três mil hectares no Banhado do Rio da Prata e avançam sobre a região de Porto Morrinho, a 70 km da área urbana de Corumbá. Animais já foram atingidos pelo fogo. Pelo menos 100 bombeiros militares estão acampados na região, em missões de combate aos focos. A falta de chuvas e a baixa umidade do ar favorecem a propagação das chamas.


O que você também vai ler neste artigo: 

  • Focos
  • Área alagada
  • Primeiras vítimas
  • Turismo ameaçado

Focos

No último final de semana os bombeiros combateram vários focos que surgiram à margem direita do Rio Paraguai, em Porto Morrinho. Essa é uma região de pesqueiros, muito procurada por turistas que viajam para o Pantanal. A mata é fechada e com grande quantidade de coqueiros e caraguatás, que ajudam as chamas a ganharem altura. Essa frente de combate é integrada por 79 militares e brigadistas voluntários, com apoio de 15 veículos traçados. No fim da tarde, a fumaça densa ainda cobria o horizonte. Conforme o major André Munhoz, comandante da operação, havia chamas também na região da Nhecolândia e do Paraguai-Mirim. “A característica dessa região é que são áreas extensas de grandes fazendas, quase sem estradas, com acesso difícil aos focos”, disse.

Área alagada

Novos focos de incêndio apareceram no Banhado, área normalmente alagada, mas agora totalmente seca, na bacia do Prata, entre Bonito e Jardim. O Corpo de Bombeiros Militares de Mato Grosso do Sul (CBMMS) mobilizou 50 homens, dois aviões e quatro caminhões-pipas para combater os focos. O risco é de que o fogo atinja o Parque Nacional da Serra da Bodoquena.

Primeiras vítimas

Espécimes da fauna silvestre já são vitimados pelo fogo. Depois de terem encontrado jacarés queimados em um banhado, no sábado, 10, os bombeiros militares registraram uma sucuri de 5,5 metros, atingida pelo fogo, no Banhado do Rio da Prata. No ano passado, o Pantanal teve recorde de incêndios, atingindo cerca de 4,1 milhões de hectares do bioma, que se estende até o sul do Estado de Mato Grosso. Até onças-pintadas morreram nas chamas que afetaram 28% do bioma, segundo o Instituto SOS Pantanal.

Turismo ameaçado

Na região de Porto Morrinho, o turismo pesqueiro espera ser afetado pela fumaça dos incêndios em breve. “Não tem como correr: não chove, este tempo seco. De um jeito ou de outro vai afetar o turismo. Já vem afetando a falta de água, a isca, a gasolina, a covid”, afirmou Getúlio de Souza, proprietário da pousada Vida Selvagem de Corumbá.