Meio Ambiente

Incêndios avançam em Minas Gerais

MEIO AMBIENTE

26 de agosto de 2021

Disparadas no número de ocorrências, seca extrema e vegetações extensas destruídas. O panorama do número de incêndios em Minas Gerais nos períodos sem chuva é devastador e deixa autoridades e toda a sociedade em geral em estado de emergência. Agosto e setembro costumam ser os meses em que as demandas do Corpo de Bombeiros crescem fortemente por causa da expansão das queimadas, sejam elas clandestinas ou involuntárias.

Crescimento

Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o estado teve 1.537 focos de incêndio nos primeiros 24 dias de agosto. O número representa um crescimento de 108,5% em comparação com o mesmo período do ano passado, quando os registros foram registrados 737 focos. Também já ultrapassa o total de todo o mês em 2020 – nos 31 dias de agosto do último ano, foram 1.155 focos. Os dados são coletados via satélite pelos pesquisadores do Inpe e muitas vezes divergem do balanço oficial do Corpo de Bombeiros. Os focos registrados nos primeiros 24 dias de agosto tiveram um crescimento de 18% se comparados com todo o período de julho. Especialistas afirmam que o número de registros neste mês vai ultrapassar os 2 mil, o que levará à liderança nos últimos anos.

Cerrado

Com 58,9% de área atingida, o Cerrado foi o bioma mais afetado pelas queimadas neste mês. Em Minas, a área dessa vegetação é composta pelas regiões do Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba e Noroeste, que estão sob estado de alerta devido à escassez de chuvas. São mais de 130 dias sem precipitações. Em segundo lugar, vem a Mata Atlântica, que concentrou 40,9% das queimadas, e a Caatinga, com apenas 0,8% dos focos. “Em Minas, temos uma característica peculiar, com a presença de serras e montanhas em nosso relevo. Nesses locais, há a formação de corredores de ventos, que aceleram a propagação dos incêndios. Por isso, nosso estado é muito afetado. Embora a gente não enfrente temperaturas tão elevadas, contamos com vegetações secas. Provavelmente, vamos bater os patamares históricos dos últimos cinco anos”, explica o tenente Pedro Aihara, porta-voz do Corpo de Bombeiros.

Avanço no Triângulo

Até o momento, o Inpe mostra que Uberlândia, no Triângulo, lidera a lista de cidades com os maiores focos de incêndio em agosto, um total de 42. Unaí, com 28, e Curvelo e Paracatu, com 23, vêm logo atrás no ranking do mês. No último fim de semana, foram feitos 242 chamados de socorro em todo o território de Minas Gerais, com 99% dos casos de origem humana. Aeronaves dos bombeiros e drones têm sido usados para controlar as chamas em locais de difícil acesso, onde os militares não conseguem atuar de forma manual. Segundo Pedro Aihara, a incidência de incêndios se tornou tão intensa que eles ocorrem nos centros urbanos e nos campos na mesma proporção