Meio Ambiente

Balanço de carbono desfavorável

6 de Maio de 2021

Enquanto o governo federal tenta dar sinais de que aceita a necessidade de alinhamento à visão global de sustentabilidade, o setor privado do País há tempos já se organizou a favor de um balanço de carbono menos desfavorável. As grandes empresas do Brasil estão focadas no fato de que as práticas de baixo carbono serão, cada vez mais, uma exigência do mercado – e, em geral, estão mobilizadas nessa direção, ainda que com diferentes níveis de agilidade.


O que você também vai ler neste artigo: 

  • Empresas responsáveis
  • Visão ideológica
  • Mercado
  • Redução

Empresas responsáveis

É o que o professor Eduardo Viola, do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), especialista em política ambiental, chama de “internacionalização do risco climático” pelas corporações – um processo acelerado pela crise da covid-19. “As empresas se deram conta mais claramente da importância de lidar com os riscos intangíveis, aqueles riscos que parecem longínquos, mas podem ocorrer a qualquer momento, como uma pandemia.”

Visão ideológica

Para o professor, a maior conscientização das empresas sobre as questões ambientais ajuda a amenizar a visão ideológica e polarizada que tradicionalmente envolveu os temas ambientais no Brasil, como se essa preocupação fosse algo exclusivo da esquerda. “Agora há também um ativismo empresarial, com típicos representantes do capital aderindo à causa”, ele observa.

Mercado

O mercado de carbono mundial não é necessariamente uma novidade. Existem mecanismos para precificar as emissões desde o Protocolo de Kyoto, que é de 1997, mas o Brasil ainda não conseguiu estruturar de forma robusta essa área, principalmente por falta de políticas governamentais mais modernas. Por essa razão, instituições como o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) vêm tendo uma posição histórica de defesa dos protocolos climáticos internacionais, como é o caso do Acordo de Paris.

Redução

Quando o presidente norte-americano Donald Trump anunciou a saída dos Estados Unidos do acordo, em novembro de 2019, o CEBDS classificou a notícia como sendo péssima para o mundo. “A redução das emissões de gases do efeito estufa é um bom negócio. A implementação do Acordo de Paris pode desbloquear ao menos US$ 13,5 trilhões em investimentos nos próximos 15 anos. Apenas as soluções do projeto Low Carbon Technologies Partnership Initiative (LCTPi) podem gerar de 25 milhões a 45 milhões de empregos por ano, respondendo por 65% das reduções de emissões necessárias em todo o mundo”, dizia a carta emitida pelo órgão empresarial, assinada por Marina Grossi, presidente do CEBDS.