Lingua Portuguesa

LÍNGUA PORTUGUESA

4 de dezembro de 2021

Sui generis

P – Já ouvi pessoas falando coisas como: tal situação foi sugênere. Já procurei e não encontrei o significado da palavra sugênere, se é assim que se escreve. O que significa? C. C. F., Castanhal /PA
R – Essa é uma expressão latina cuja grafia correta é sui generis e quer dizer “de seu próprio gênero”, ou seja, significa que algo (fato, situação, caso) é único no gênero, é original, peculiar, singular, excepcional, sem semelhança com outro. Dizemos então: “tal situação foi sui generis”, “nunca vi disso: o caso é sui generis”.

Pari passu

P – Existe equivalente em português para a expressão latina pari passu? F. V., Florianópolis/SC
R – Existe: a par e passo. A locução adverbial pari passu quer dizer “em passo igual”, que algo é levado no mesmo passo, no mesmo andar ou ritmo. Frase do escritor José de Alencar: “Renasce a mãe no filho, volve à puerícia, para simultaneamente com ele, a par e passo, de novo percorrer a mocidade e a existência”. Um bom exemplo atual é este que encontrei num texto sobre História da Educação:
Os programas das escolas primárias acompanharam a par e passo as transformações da Escola Normal.

e.g.

P – O que significa a expressão e.g. usada em livros e textos? R. M. F., Florianópolis/SC
R – A abreviatura e. g. toma as iniciais do latim “exempli gracia” e significa por exemplo. Também se usa, para o mesmo caso, v. g. , de “verbi gracia”, que pode igualmente ser abreviado em português: p. ex.

Apud

P – Qual o significado do termo apud que normalmente vemos em teses e dissertações? M. M. C. B., Petrolina/PE
R – Usa-se obrigatoriamente a palavra latina apud, ou sua abreviatura ap., quando se faz uma citação de segunda mão, isto é, a citação de uma citação. Em outras palavras, ela se refere à transcrição ou à paráfrase de uma frase ou um trecho de que só se tomou conhecimento na obra de outro autor. Isso dá a entender que a pessoa que transcreve a citação não leu o original, o que se justifica apenas no caso de ser uma obra de difícil acesso. No corpo da tese ou dissertação se faz, por exemplo, a seguinte indicação:
Ao tratar desse tema, em 1945 já afirmava Einaudi, apud Bobbio (1992, p. 215), que “os homens livres não devem renegar suas próprias razões de vida, renegar a própria liberdade de que se professam defensores”.
E nas referências bibliográficas só vai constar o autor do livro consultado/lido: BOBBIO, Norberto. A era dos direitos (edição ampliada). Trad. Carlos Nelson Coutinho. Rio de Janeiro: Campus, 1992.

MARIA TEREZA DE QUEIROZ PIACENTINI – Diretora do Instituto Euclides da Cunha e autora dos livros “Só Vírgula”, “Só Palavras Compostas” e “Língua Brasil – Crase, Pronomes & Curiosidades”