Lingua Portuguesa

“Chegar em ondas”: o mundo das repetições

POR PROF. ANDERSON JACOB ROCHA

15 de agosto de 2020

Redundância é uma palavra que veio do latim “redundare” que significa afogar, inundar. A formação dela já nos diz tudo: RE mais UNDARE- “chegar em ondas”. A palavra pleonasmo também possui o mesmo sentido só que com conotação de lamúria. Vem do grego “pleonasein” que significa “ser mais do que suficiente”.

Em nossa língua diária, produzimos estas prolixidades, repetições, reiterações por conta do senso comum que faz as repetições e não atentamos ao uso lógico, consciente do significado delas. Vejamos alguns exemplos:

“Elo de ligação”. Podemos usar apenas “elo” que significa um elemento de ligação, entrelaçamento.

“Hemorragia de sangue”. A palavra hemorragia já é um sangramento.

“Surpresa inesperada”. Se há surpresa é porque não se espera.

“Há dois anos atrás”. Se substituirmos o verbo “há”, ficará “Faz dois anos”. Portanto, o “atrás” não é necessário.

“Consenso geral”. Quando há consenso é porque a maioria aceita aquela ideia ou fato. Dessa forma, “consenso”, apenas.

“Detalhes minuciosos”. Minúcias são detalhes e detalhes são minúcias. Desse modo, use “detalhes” ou “minuciosos”.

“Ganhar gratuitamente”. Se é de graça é porque ganhou.

“Metades iguais”. Metade sempre irá ser igual. Se não for, não se trata de metade.

“Protagonista principal”. “Protos” do grego significa “primeiro”. Assim, um protagonista é o principal papel de uma peça.

“Panorama geral”. Panorama significa “vista mais abrangente”, por isso, já é geral.

“Na minha opinião pessoal”. Se já é a sua opinião, ela é pessoal. Dessa forma, basta dizer “Na minha opinião”.

“Subir para cima”. Toda subida é para cima, não é?

“Sobrado de dois andares”. Um sobrado possui dois pavimentos.

Há outros usos que são questionados por alguns gramáticos, mas nem sempre com razão. Quer ver? A palavra “alternativa” vem de “alter” (outro). Assim, dizem que não podemos falar “outra alternativa”. No entanto, vai que além daquela “alternativa” surja uma outra. Não poderíamos dizer “outra alternativa”? O importante é saber que essas repetições ficam em nós por diversos motivos. Por exemplo, Raul Seixas cantava “Eu nasci há dez mil anos atrás”. Há redundância, mas como poderíamos imaginar essa conhecida música sem essa repetição? Não dá, né? Por isso, conhecer as etimologias, os contextos e os usos é importante.

PROF. ANDERSON JACOB ROCHA. Doutor em Língua Portuguesa. Autor do Livro: A Linguagem da Felicidade. Instagram: @prof_andersonjacob. Youtube: Prof. Dr. Anderson Jacob