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Alago defende uso de térmicas para garantir nível de reservatórios

8 de Maio de 2021

A emenda estabelece que o nível mínimo de água deva ser mantido em 762 metros acima do nível do mar, para o Lago de Furnas. / Foto: Divulgação

PASSOS – O país registrou, de setembro de 2020 até o mês passado, a pior afluência de chuvas sobre o Sistema Interligado Nacional (SIN) de energia elétrica desde 1931. Devido a essa seca, os reservatórios das hidrelétricas estão apresentando níveis muito baixos. Segundo o secretário-executivo da Associação dos Municípios do Lago de Furnas (Alago), Fausto Costa, o nível em Furnas está muito abaixo do que era esperado para essa época do ano. De acordo com o Operador Nacional do Sistema (ONS) o volume útil do reservatório de Furnas era de 38,32% e o de Peixoto era de 51,9%, conforme a última atualização dos dados, no dia 5 de maio.

De acordo com Costa, a Alago está trabalhando politicamente para que o sistema que controla a geração de energia no país adote, o quanto antes, a oferta de energia alternativa gerada, especialmente, pelas termelétricas”, a fim de aliviar a geração no sistema hidroelétrico. “O presidente da Alago, Professor Djalma Carvalho, estará em Brasília na próxima semana com uma série de agendas com autoridades federais, no sentido de demonstrar a gravidade do problema que o baixo nível das águas de Furnas e Peixoto causa para a população da região”, afirmou Costa.

Para o secretário-executivo, o Projeto de Emenda à Constituição (PEC) nº 52/2020, que diz respeito ao tombamento do lago de Furnas e Peixoto, é uma vitória. “A PEC é realidade, é uma vitória da população mineira e precisa ser cumprida. O Governo de Minas precisa tomar as devidas providências, seja administrativamente ou judicial, para que se cumpra o que está estabelecido na constituição mineira. O tombamento do lago estabelece a cota mínima de 762 para Furnas e 663 para Peixoto”, disse.

Se nada for feito, os reservatórios do Brasil podem chegar a 14,9% da capacidade, segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), sendo o pior nível dos reservatórios em 91 anos. Para Costa, o assunto tornou-se falta de responsabilidade e respeito com o povo mineiro.

“O assunto já é de conhecimento de todas as autoridades estaduais e federais. O povo mineiro já pagou um alto preço com a inundação das melhores terras na região e, agora, vem pagando novamente com a ausência da água em quantidade suficiente para dar estabilidade econômica às diversas atividades econômicas. Não é justo, por exemplo, atender a demanda de uma hidrovia no estado de São Paulo e sacrificar Minas Gerais. Também não é aceitável retardar tanto a ligação das termelétricas, que podem contribuir com mais energia, aliviando a geração em Furnas”, salientou.

 

Termelétricas serão acionadas

 

BRASÍLIA – Diante desse contexto, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico avaliou na última quarta-feira, 5, que será necessário acionar todas as usinas termelétricas que estiverem em condições de operar. A ação tem o objetivo de preservar o volume de água dos reservatórios e evitar apagões no fim de 2021. Além disso, o Brasil importa energia da Argentina e do Uruguai desde outubro para mitigar o risco de colapso.

“Isso tem nos preocupado bastante desde outubro e o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico existe pra isso. Desde o ano passado nós decidimos despachar as nossas usinas termelétricas fora do padrão normal, justamente para preservar os nossos reservatórios e aquilo que nós ainda temos de agua neles”, disse o ministro Bento Albuquerque, das Minas e Energia.

O ministro responsabiliza uma medida do governo Dilma (MP 579/2012) pela situação. O almirante afirmou que a legislação atual –proposta pelo governo federal em 2012– não considera gastos além do operacional para geração de energia elétrica.

“[A medida provisória] não envolvia manutenção e não considerava a falta de água. Determinava que, considerando a sua capacidade instalada, [a usina] teria de produzir um valor determinado no período de um ano. O que aconteceu? Não tinha água, mas aí a usina gerava tudo o que podia. O reservatório foi para baixo sem nenhum critério de segurança energética”, afirmou.

Embora admita que a situação seja grave, o ministro não trabalha com a possibilidade de apagão. “Partimos do princípio de que não vai acontecer e temos de tomar todas as medidas para manter a segurança do abastecimento”, completou.