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Volkswagen Fox se despede do mercado brasileiro

30 de setembro de 2021

Perto de sair de linha, Volkswagen Fox deixa uma história de quase 20 anos que reúne inovações e até inspiração musical

Um dos carros nacionais mais importantes da Volkswagen em quase duas décadas está saindo de linha. Após ficar de lado nos últimos anos, o Fox deixará de ser feito em breve pela marca alemã. O hatch nasceu em 2003 sobre a plataforma do Polo, porém com projeto brasileiro. A pretensão inicial era que o Fox ocupasse o lugar do Gol. Entretanto, o hatch de teto alto nunca conseguiu ser barato o suficiente. Embora a Volkswagen não confirme, o próximo passo é a aposentadoria do modelo em outubro.

Custando quase R$ 70 mil e oferecido em duas versões de acabamento, o Volkswagen Fox deixou de ser atraente. Isso tanto para a marca, quanto para os consumidores. Nem câmbio automático ele tem. Para se ter ideia, em agosto, o hatch foi o 35º modelo do ranking de automóveis, com 936 unidades, de acordo com números da Fenabrave. Ou seja, muito pouco para quem, até recentemente, respondia por bom volume.

Para a VW, muito mais vantajoso investir no T-Cross, afinal, os SUVs vêm fazendo sucesso no mercado brasileiro. Sem contar que o Fox já está desatualizado e fora de contexto dentro da gama – em quase 20 anos, não teve sequer mudança de geração. Hoje, as concessionárias vendem apenas as unidades em estoque. Algumas cores e pacotes, já acabaram, informaram as revendas consultadas pelo Jornal do Carro.

Virou até música

E se o Volkswagen Fox está indo embora, vale a pena relembrar alguns fatos. Afinal, o hatch produzido em São José dos Pinhais (PR) não conseguiu substituir o Gol, mas trouxe inovações para a marca, aumentou a família, arrancou dedos de usuários e foi até tema de música.
Quem não se lembra que, em 2009, a cantora Stefhany Absoluta fez uma paródia da música “A Thousand Miles” criando a canção “No Meu CrossFox” – em menção à configuração aventureira do modelo. Mesmo numa época em que o YouTube não era tão popular, o vídeo caiu nas graças do público e rendeu milhares de visualizações.

Projetado no Brasil, o Fox foi feito sobre a plataforma do Polo de quarta geração (código PQ24). A ideia original era chamar-se Tupi. Entretanto, reza a lenda que a Volkswagen desistiu da denominação porque sua pronúncia, em inglês, soaria como “to pee”, que significa “urinar”. Nesse sentido, a montadora achou de bom tom a troca do nome.

O nome Fox, todavia, significa “raposa”, em inglês. Para a marca, a ideia de velocidade, agilidade e tamanho compacto característicos do animal caíram como uma luva para o hatch, que – apesar do visual sem graça e preço mais caro – queria substituir o Gol. Não deu certo.
No entanto, o Fox acabou caindo nas graças do público e vendeu bem. Um dos méritos se deve ao fato de que, muito antes dos SUVs, o modelo inovou com estrutura mais vertical. Isso, no entanto, caracterizou-o como um hatch “altinho”, quase um monovolume, que encarava bem o asfalto brasileiro, bem como tinha sensação de maior espaço a bordo.

Mas, o que era para ser uma inovação, virou um problemão para o Volkswagen Fox. Em 2008 – quando o modelo já tinha até mesmo a versão 4 portas e a configuração aventureira CrossFox, cheia de apliques plásticos, faróis auxiliares e até estepe pendurado na traseira – quase 10 pessoas tiveram o dedo decepado ao tentarem estender a área do porta-malas de maneira diferente do que mostrava o manual do proprietário.

Mesmo com o uso incorreto – utilizaram uma argola metálica ao invés da alça de tecido para afastar o banco de trás – as pessoas mutiladas venceram a VW pelo cansaço que, com isso, se viu obrigada a realizar um recall para correção do defeito. Este recall acabou ganhando a mídia. Foram mais de 500 mil unidades envolvidas.