Folha Motors

Corolla Cross mais barato é modesto, equipado e bem resolvido ao volante

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29 de julho de 2021

Toyota Corolla Cross na versão de entrada XR dispensa luxos e se concentra em oferecer espaço e conforto:/ Reprodução.

Em meados de 2016, quando a Jeep lançou o Compass no Brasil, dificilmente alguém apostaria que a Toyota fosse lançar um SUV do Corolla. Além de parecer óbvio e até muito racional, naquela época, os SUVs ainda não eram vistos como ameaça real aos sedãs. Bem, passados cinco anos, o que vemos é a migração acelerada dos clientes de Corolla, Civic, Cruze e Jetta para os utilitários esportivos. Por isso, aqui está o Corolla Cross.

Lançado em março deste ano, o SUV médio derivado do sedã é um fenômeno. Em apenas quatro meses, já está entre os 10 SUVs mais vendidos do Brasil. Também já vende mais que o sedã Corolla, inclusive nas versões híbridas, que faz do novo utilitário o eletrificado mais vendido no País em 2021. E se desconsiderarmos as vendas diretas, o Corolla Cross já vende mais que o Jeep Compass.

Ainda é cedo para saber se o sucesso do Corolla Cross na categoria vai perdurar. Contudo, após um início de vendas arrasador, boas impressões não faltam. Naturalmente, pela questão tecnológica, a versão híbrida flexível é o carro da vitrine. Mas, desta vez, o Jornal do Carro avaliou a versão de entrada, com tabela de R$ 146.590. Trata-se do Corolla Cross XR, equipado com motor 2.0 flexível e câmbio automático CVT.

Mecanicamente falando, temos o mesmíssimo conjunto empregado no Corolla sedã. Ou seja, o motor 2.0 Dynamic Force, que é dos mais modernos do mercado, com construção leve e tecnologias que o ajudam a ser econômico. Dentre elas, o sistema que controla a abertura e o fechamento das válvulas de admissão e de escape, além de injeção variável (direta e indireta) de combustível.

Com tais recursos, o motor 2.0 do Corolla Cross rende 177 cv de potência com etanol, além de um torque máximo de 21,4 mkgf a 4.400 rotações com ambos os combustíveis. O câmbio do tipo CVT simula 10 velocidades e tem engrenagem na primeira marcha, o que torna as respostas ao acelerador mais rápidas na hora de arrancar – e também reduz ruídos. Na prática, o SUV tem o mesmíssimo conjunto mecânico do sedã.

Esportividade não é o foco

Os números de desempenho do Corolla Cross até são interessantes: 9,8 segundos para acelerar de zero a 100 km/h, e velocidade máxima de 197 km/h. Entretanto, ao volante, o 2.0 naturalmente aspirado não entrega virilidade. Dessa forma, o SUV é um segundo mais lento que o arquirrival Compass na versão com o motor 1.3 turbo flexível de até 185 cv e 27,5 mkgf. O Jeep faz a mesma tomada de zero a 100 km/h em 8,8 segundos.

Da mesma forma, o Volkswagen Taos, outro rival direto do modelo da Toyota, é também mais ligeiro nas arrancadas. A marca alemã anuncia zero a 100 km/h em 9,3 segundos – é só 5 décimos mais rápido que o Corolla Cross. Contudo, tanto o Jeep quanto o VW usam câmbios automáticos tradicionais de seis marchas. Assim, entregam dinâmicas diferentes. Por outro lado, o SUV da marca japonesa bebe menos que os concorrentes.

Segundo dados do Programa de Etiquetagem do Inmetro, o Corolla Cross com o motor 2.0 aspirado e flexível faz médias urbanas de 8 km/l, com etanol, e de 11,5 km/l, com gasolina. Já na estrada, as médias são de 9 km/l e 12,8 km/l, respectivamente. Ou seja, bebe menos que o Compass, com médias de 7,4/10,5 km/l (E/G) na cidade, e de 8,7/12,1 km/l em rodovias. E menos que o Taos, com 7/10,2 km/l e 9/12,5 km/l, na mesma ordem.