Esporte

Sette Câmara quer austeridade na renegociação de dívidas do Galo

30 de março de 2020

BELO HORIZONTE – A palavra de ordem da gestão de Sérgio Sette Câmara no Atlético, e que já foi usada como rótulo, é “austeridade”. Em abril, teoricamente, o conselho deliberativo do clube irá votar e avaliar mais um balanço financeiro anual (2019) do Galo. Será a vez de saber como andam as contas do clube. Nos dois últimos anos, o presidente alvinegro não teve bons resultados em campo, mas conseguiu saldar algumas dívidas.
O mandatário do Atlético explicou como andam as duas situações. Em 2018, no último balanço publicado, o Galo ficou no prejuízo de R$ 21 milhões (número menor que o saldo vermelho de 2017, é verdade). Mas houve aumento da dívida e há a preocupação com os juros que correm todo ano diante de empréstimos adquiridos, principalmente com instituições financeiras. É o caso de Ricardo Guimarães, ainda que os juros praticados da dívida sejam “amigáveis”.
“Uma dívida que começou desde quando ele era presidente, de muitos e muitos anos. Mas é o juros mais barato que tem. Nós não temos nenhuma negociação, nenhum centavo no Atlético que o juros é mais barato que o dele. É, basicamente, a (taxa) Selic. O valor só é corrigido por ela” comentou.
Sérgio Sette Câmara cita a dívida com a família Guimarães, com o próprio Ricardo e com instituições pertencentes ao banqueiro – Banco BMG e Daycoval. No balanço de 2018 (publicado em abril de 2019) são sinalizados empréstimos contraídos das duas instituições financeiras: R$ 60,7 milhões com o BMG e outros R$ 9,7 milhões com o Daycoval, totalizando 70,4 milhões.

Na Fifa

O orçamento do Atlético para 2020 previa o pagamento de R$ 17,1 milhões em dívidas com outros clubes. Na Fifa, os valores seriam de R$ 13 milhões. Nos dois últimos anos, por outro lado, o Galo já conseguiu resolver grande parte do problema – com o Dínamo de Kiev por André, com o Sporting por Elias, com o Boca Juniors por conta de Cáceres, além de Diego Tardelli (Al Gharafa) e Otero (Huachipato).
“A torcida mede a gente pelo o que o time desempenha em campo. Mas como que você vai deixar de pagar esse tipo de dívida? A Fifa, hoje, é bem mais rigorosa. Se o clube deixa de pagar, ela pode aplicar sanções de toda sorte, que pode chegar até ao rebaixamento de divisão. Então, não vamos correr esse risco” – Sette Câmara.
Um dos grandes dividendos era da compra de Diego Tardelli em 2013, junto ao Al Gharafa. R$ 14 milhões foram pagos em março de 2019, mais de seis anos depois da operação. Mais recentemente, em maio do ano passado, houve também um acerto com o Huachipato (R$ 2,7 milhões) por não pagamento, na época, da compra de Otero, em 2017.
As situações mais urgentes, mas que já estão acertadas para finalizar, são das compras de Maicosuel e Douglas Santos junto à Udinese. No fim do ano passado, a Fifa emitiu comunicado ao Atlético, afirmando que o clube deveria pagar as parcelas remanescentes das compras dos jogadores. Seria na casa de 2,8 milhões de euros, sem juros e multas – R$ 15,4 milhões atuais, sendo 1,6 milhão de euros por Maicosuel e mais 1,2 milhão de euros pelo lateral-esquerdo.
De acordo com Sérgio Sette Câmara, a venda de Chará ao Portland Timbers, dos EUA, servirá para amortizar tal dívida. Ainda sobrará, na Fifa, justamente a ação que o Junior Barranquilla move contra o Galo por não pagamento da ida de Chará ao Brasil. A dívida com a Udinese, originalmente, era de 4,5 milhões de euros, mas o Galo conseguiu abater parte dela e chegou a oferecer um pacote de pagamentos ao clube italiano, algo rejeitado por eles. Sette Câmara foi pessoalmente a Milão tentar o acordo com a Udinese, mas o jeito será pagar “judicialmente”.