Entrevista de Domingo

Entrevista de domingo: Denise Alves de Souza Neves

30 de março de 2020

Denise Alves de Souza Neves aos 49 anos está no último ano de seu primeiro mandato como prefeita de Pratápolis, uma cidade com 8.600 habitantes e que vive praticamente da agropecuária. Casada com Mauro Lucio Neves, 51 anos, com quem tem a filha Ana Clara Souza Neves, 19 anos, a pratapolense é graduada em Pedagogia, com pós-graduação em Saúde Pública e concursada há 28 anos na função de Técnico em Contabilidade do município, curso que fez antes da graduação. Trabalhou em diversos setores da prefeitura, sendo 18 anos na área da saúde, até ser eleita prefeita em 2016. A cidade passou por várias crises, como a falta de recursos financeiros, das enchentes no final do ano passado, agora com a pandemia do coronavírus, mas, com uma equipe bem escolhida, a prefeita assegura que vem conseguindo administrar a cidade e alcançar conquistas importantes. Para contar um pouco desta trajetória e finalizando a série de mulheres entrevistadas no mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, a prefeita conversou com a Folha da Manhã por telefone, obedecendo às suas próprias recomendações: vamos ficar em casa!

Folha da Manhã – A maternidade é uma das questões mais femininas que existe. Era um desejo seu ser mãe?

Denise – Era um sonho. E ser mãe é a coisa mais gratificante que existe no mundo. Sou muito feliz por ser mãe de Ana Clara, que hoje está cursando o segundo ano de faculdade, portanto, sou realizada, sempre comento que sou iluminada. Deus é muito bom comigo.

Folha da Manhã – E para a política, como foi a sua entrada neste universo?

Denise – Foi uma sequência do meu trabalho, especialmente na atuação que realizei na área da saúde durante mais de 18 anos.

FM – Será candidata à reeleição?

Denise – A vida e a condução política estão nas mãos de Deus. No momento, estou muito atarefada com os desafios da administração e esta questão do coronavírus, mas oportunamente vou sentar e discutir o assunto com as pessoas da comunidade e com nosso grupo político. Não importa onde esteja ou o cargo que ocupe, o meu desejo é sempre servir.

FM – Você se considera uma mulher empoderada?

Denise – Sim, me considero, sempre trabalhei muito em busca de meus objetivos. Para mim, ser uma mulher empoderada não tem nada a ver com dinheiro, e sim em ser mais humana, consciente das próprias escolhas, segura, confiante e feliz.

FM – O que a mulher conquistou nestes últimos tempos que você considera importante?

Denise – O respeito profissional, a igualdade, principalmente na política. Antigamente, as pessoas pensavam: mulher no poder? Eu mesma enfrentei várias coisas. Não vim de família de posse, sou de família humilde. Hoje, graças a Deus, um dos bônus que recebi é que ficou claro que não é só pessoa de poder aquisitivo alto que sabe administrar. Nós, mulheres, batalhadoras, que trabalhamos, também sabemos e podemos administrar. A mulher tem esta característica versátil, sabe se adaptar em todos os lugares. Sinto-me capacitada por Deus para administrar a cidade e agradeço por ela estar da maneira que está hoje, em que pese toda a crise que enfrentamos.

FM – Numa cidade pequena, como Pratápolis, tudo o que você, como chefe do Executivo, faz vira exemplo. Você se ente orgulhosa de poder ser exemplo para a nova geração?

Denise – Sinto sim, porque na administração sigo princípios de vida e estamos trabalhando com ética, respeito ao dinheiro público, cuidando das pessoas, valorizando a boa política, e isso acredito ser bons exemplos.

FM – Quem são as mulheres da humanidade em quem você se espelhou para ser quem é?

Denise – Admiro muito as mulheres, não só mulheres que são formadas, que têm diplomas. Mas também aquelas que trabalham, que são humildes e, mesmo assim, formaram seus filhos com o suor dos seus trabalhos. Trabalhando em várias áreas, às vezes como lavadeiras, passadeiras. Em Pratápolis, temos vários exemplos. Algumas não sabem sequer ler e escrever e conseguiram formar filhos médicos, enfermeiros, professores, advogados. Eu me espelho muito nestas mulheres e as admiro muito, afinal, não é só das famílias de poder aquisitivo que sai um bom líder. As pessoas de caráter estão em todas as classes sociais. Minha mãe é um destes exemplos, ela mal sabe ler e escrever, lavava roupas para fora e criou os filhos, somos em três, que não estudou mais aquele que não quis. É uma mulher que formou nosso caráter. Eu sempre trabalhei em setor público e busquei em toda minha carreira tratar as pessoas da maneira que eu gostaria de ser tratada. Então, via a pessoa chegar e pedir um exame, eu me colocava no lugar dela. Será que eu gostaria de ser tratada mal? Levo isso como um lema: como eu gosto de ser tratada? Vou tratar a pessoa com respeito, carinho. E, ainda como exemplo que não é daqui de Pratápolis, cito a Madre Teresa de Calcutá, uma pessoa humilde. Eu me espelho naquelas que, mesmo sem dinheiro, na humildade, conseguiram vencer na vida.

FM – Quase no fim deste seu primeiro mandato, o que analisa que foi ônus e o que foi bônus?

Denise – Principalmente as dificuldades financeiras que todos os prefeitos de Minas Gerais enfrentaram nesta gestão. A falta de recursos, que nunca antes havia acontecido, tivemos o confisco de arrecadações. O município teve que sobreviver sem recursos. Esse foi um dos ônus. Tivemos problemas também com enchentes, agora esta pandemia do coronavírus que fez a cidade parar, aliás, está fazendo o mundo parar. Vai ser muito difícil sair desta crise. Já os bônus, atribuo-os a Deus. Saímos de uma crise causada pelas enchentes, agora se Deus quiser, vamos sair da pandemia. Deus tem me dado sabedoria e discernimento para sair destas provações. Temos conseguido manter o município equilibrado, não atrasamos a folha de pagamento, mesmo com todos os problemas enfrentados. O Estado tem uma dívida de mais de R$2,8 milhões e recebemos R$150 mil. Ia ser parcelado, mas veio esta nova crise do coronavírus. Ou seja, colocamos a casa em ordem, estamos gerando empregos, devolvendo a esperança aos pratapolenses. Nunca fiz nada sozinha, temos uma equipe excelente. Deus colocou pessoas competentes para me ajudar.

FM – Quais os maiores desafios enfrentou à frente da administração?

Denise – O maior desafio é realmente não ter recursos. Manter a administração funcionando sem dinheiro, pagar os servidores e fornecedores. Conseguimos atravessar, sem ficar devendo e ainda pagando precatórias, mais de R$1 milhão. Foi difícil, mas Deus está no comando. Podemos dizer que temos uma cidade com a área da educação com muitos avanços, conseguimos fazer obras e implementamos as escolas com o Sistema Anglo de Ensino. O setor da saúde também, com o hospital bem equipado e modernizado. Para mim é uma glória, sinto-me vitoriosa e iluminada. Aqui tem um povo ordeiro, temos muita paz aqui.