Entrevista de Domingo

Carlos Melles, presidente do Sebrae

19 de abril de 2020

Mineiro de São Sebastião do Paraíso, Carlos Carmo Andrade Melles é engenheiro agrônomo, formado pelaUniversidade Federal de Viçosa e pesquisador com pós-graduação em Fitotecnia pela Unesp. Como especialista, tem um legado importante para o cafeicultura, com atuação profissional na Epamig e Embrapa e presença em organismos nacionais e internacionais do setor. Entrou para a vida pública em 1994 e se elegeu para seis mandatos consecutivos de deputado federal, com trajetória marcada por importantes funções na Câmara dos Deputados, onde foi Relator Geral do Orçamento da União (2000), presidente da Comissão Especial da Microempresa, que aprovou a Lei Geral (2006), relator do Microempreendedor Individual – MEI (2009), presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, presidente da Frente Parlamentar do Cooperativismo e da Frente Parlamentar do Café, relator da Câmara do PLC Crescer Sem Medo (2016) e relator do Projeto que criou a Empresa Simples de Crédito – ESC. Foi Ministro do Esporte e Turismo (2000 a 2002), quando implantou vitoriosos programas e políticas públicas que criaram um novo Brasil esportivo e deu grande dimensão ao turismo como fator gerador de emprego e renda no país. Melles foi também Secretário de Transportes e Obras Públicas (2011-2014) do Governo de Minas Gerais, conduzindo uma das principais pastas do Estado, com a responsabilidade por ações e programas como o Caminhos de Minas, ProAcesso, Proaero, ProMG, entre tantos outros na área de infraestrutura e transportes. Foi presidente estadual do Democratas em Minas Gerais entre 2007 e março de 2018. Atualmente é o presidente do Conselho Político Nacional do partido. Foi eleito e assumiu em abril a presidência do Sebrae Nacional, comandando uma entidade com atuação em todos os estados brasileiros, com equipes de alto nível que objetivam a capacitação e a promoção do desenvolvimento econômico e competitividade de micro e pequenas empresas, estimulando o empreendedorismo no país. E, para a Folha, fala sobre as ações que o Sebrae vem desenvolvendo para os pequenos e médios empresários em tempos de pandemia.

 

Folha da Manhã – Quantas micro e pequenas empresas o Sebrae tem notícia de que operam no Brasil?

Melles O quadro da micro e pequena empresa no mundo e no Brasil é muito semelhante. O tecido das micro e pequenas empresas gira em torno de 98 a 99% e no Brasil não é diferente. Os pequenos e micros geram entre 50 e 55% dos empregos formais aqui no Brasil. No mundo, ocupam quase 50% do Produto Interno Bruto (PIB) e aqui em torno de 30%, sendo que ainda tem muito onde crescer em termos de faturamento. Antes da crise, tínhamos e vamos continuar com o programa “Emprego e Produtividade”, do Sebrae, com o Ministério da Economia, para melhorar a produtividade da micro e pequena empresa brasileira, que tem um grande potencial. Isso, com crise ou sem a crise, iria acontecer, e agora com a pandemia, mais relevante se torna. Outro caminho é a exportação, que ainda é tímida, mas estamos trabalhando a possibilidade do incremento e incentivo destas empresas. Na maioria dos países, as micro e pequenas empresas têm uma representatividade forte na exportação e aqui no Brasil ela ainda é tímida.  Estamos trabalhando na possibilidade do incremento do incentivo para a exportação destas modalidades de empresas. Para responder sobre as quantidades, hoje, o Brasil tem de micro e pequena empresa,6,5 milhões de unidades. Tem perto de 10 milhões de MEIs, totalizando cerca de 17 milhões de pequenos negócios. No universo dos 6,5 milhões, cerca de 70% faturam entre R$80 mil e R$360 mil por ano. A faixa de pequeno porte vai de R$360 mil a R$4,8 milhões anuais. E o MEI vai até R$80 mil, ano. Em média, a micro e pequena empresa tem 3 funcionários por empresa, empregando aproximadamente 21 milhões de brasileiros.

FM – Tem algum setor do qual o senhor pode citar que tem estas possibilidades de exportação?

Melles- Cito, começando em Passos, pelo setor moveleiro, que neste ano já íamos levar o pessoal daí em Milão, na Itália,para a feira de móveis. O artesanato brasileiro tem um potencial rico e grande. Mais de 65% do PIB da Itália está no manufaturado, na micro e pequena empresa.

FM – Quais os estados com o maior número destas modalidades de empresas?

Melles – O caminho da micro e pequena segue muito o caminho normal da economia. Onde mais compra, onde mais vende e onde mais circula. Onde tem as maiores populações e economias. O campeão é SP, com 40%, Rio, MG, Paraná e Bahia.

FM – Quais as ações do Sebrae neste período de pandemia em favor dos pequenos negócios?

Melles – O Sebrae está disponibilizando 450 tipos de soluções para que os pequenos negócios enfrentem a crise provocada pela covid- 19, que está afetando diretamente as micro e pequenas empresas no país e no mundo. São estratégias nas áreas de negócios, finanças, crédito e legislação. São oferecidos vídeos, tutoriais, cursos on-line, atendimento aos empreendedores, artigos e lives, dentre muitas outras iniciativas. Até agora, mais de 500 mil pequenos negócios procuraram o serviço, desde o alastramento da pandemia em março deste ano. Enfatizamos que, desde o início da pandemia, o Sebrae tem recomendado  para que as empresas  façam a avaliação da sua situação financeira. Vem recomendando manter os empregos dentro do limite do possível. Aliar a recomendação ao apoio que o governo vem dando, como férias antecipadas, renegociação do intermitente, redução das horas de trabalho. Ou, seja, propondo uma série de medidas para o micro e pequeno negócio. Emprego, depois a mercadoria. O Sebrae está pedindo a prorrogação dos pagamentos, por exemplo, na quarta-feira última fizemos reunião com a Malwee, setor de malharia, Boticário franquias, Armazéns Martins atacadistas, Ambev distribuidora de bebidas. A Malwee tem mais de 20 mil pontos de distribuição, que são os micro e pequenos empresários e estamos pedindo alongamento dos pagamentos destes clientes, para que dê tempo de venderem, receberem e pagarem de volta.  O Sebrae está entrelaçando este time, que são grandes fornecedores das micro e pequenas empresas para dar conforto a todos.

FM – Alguma outra ação?

Melles – Estamos recomendando a todos que negociem e renegociem aluguel, desde as portinhas do interior até as grandes cadeias que estão nos shoppings, onde são praticados aluguéis mais caros. Fazer negociações das contas de energia e água. Outro ponto importante, o Governo Federal tem feito bom trabalho, tem sido sensível à pandemia e ajudado bastante. Mas entre a ação e a ajuda efetiva tem sido difícil. Estamos vendo a dificuldade dos R$600 chegarem aos interessados. É natural que seja assim. Sou do tempo que quando fizemos o Vale Remédio, precisava de um kit, precisava ter uma bolsa escola para material escolar, o gás subiu muito o preço e precisava vir da Bolívia, fizemos o vale gás, isso tudo virou o Programa Bolsa Família. Dois ou três ministros caíram por não conseguir implementar efetivamente o Bolsa Família. Programas sociais não são de fácil implantação. O cadastro não é fácil. Um dos melhores trabalhos que fizemos para a micro e pequena empresa e MEIs foi a Lei Geral da Micro e Pequena, quando conseguimos formalizar estes brasileiros, que não tinham endereço, CNPJ. Eram pessoas alienadas da sociedade e hoje, esta inclusão é meio santa, pois é através destes instrumentos é que estamos agregando as possibilidades dos R$600.

FM – Além dos R$600, de que forma o governo tem ajudado?

Melles – Devemos lançar antes do fim de semana um programa robusto com a Caixa Econômica Federal, que tem feito um papel formidável, transformando-se num moderno banco do povo, no popular Wolks Bank da Alemanha. Estamos disponibilizando por meio do Portal do Sebrae tudo que o governo está fazendo para as micro e pequenas. No 0800 e também na Universidade Sebrae disponibilizamos todos os cursos à distância, para quem tiver em casa aprender a empreender. No primeiro momento, o governo suspendeu o tributo do Simples e depois os ICMS e ISS, por enquanto por 90 dias.

FM – O que o Sebrae tem feito especificamente para a região Sul e Sudoeste de Minas Gerais?

Melles – No Sul e Sudoeste a necessidade do pequeno não é diferente. É óbvio que tenho pedido, por questão natural, mas o trabalho do Sebrae é para todo o Brasil. Especificamente,estamos atuando para setores o moveleiro de Passos, a lingerie de Juruaia, o calçado de Guaxupé, lembrando que todos têm grande expressão. E outros, como: alimentação, apicultura – não só interna, mas para exportação -, neste sentido o Sebrae é muito competente e já vive esse ambiente com muita propriedade. O que procuramos para todo o país, mas vale para cada município e região, é que preservamos o emprego. O pior problema da pandemia é o desemprego. Depois disso, paralelo, a falta de capital de giro e nisso estamos trabalhando intensamente, pois é o oxigênio para o micro e pequeno empresário. Estamos olhando o faturamento do ano anterior vamos oferecer 30% para eles capitalizarem. Tudo que é preciso de apoio e no Sul de Minas tem vocação natural forte, vamos apoiar, como o turismo. Estamos atentos, e assim que passar esse período de reserva, vamos incentivar muito o setor de serviços do turismo.

FM – Qual seu posicionamento sobre o isolamento?

Melles – O isolamento se faz necessário. Não sabemos de que forma, quando e como o vírus do coronavírus, que provoca a covid-19, vai atacar. Ainda que o Brasil tenha no SUS o sistema bom, o país não tem estrutura e recursos para enfrentar a pandemia no campo aberto. Bolsonaro tem uma visão que o preocupa, pois ele é presidente do Brasil, que é a economia. E, por outro lado temos que defender também a vida. É preciso que se tenha um equilíbrio. O Sebrae está agindo de forma pesada na comunicação de valorização do pequeno, de manter o seu negócio vivo. É o que vai sustentar no futuro.

FM – O senhor está em isolamento em São Sebastião do Paraíso, cidade onde mora. Foi confirmada a primeira morte por covid-19 na cidade. Qual o seu posicionamento a partir desta morte?

Melles – Estou em isolamento em Paraíso. É difícil ver no país do tamanho do Brasil as coisas acontecerem de forma democrática. Eu tenho agido com responsabilidade, pela minha idade, não só pela minha vida e familiares, mas por responsabilidade exemplar. Tudo passa e vai passar.

FM – Tem conseguido fazer seus trabalhos no Sebrae desta forma, on line?

Melles – Sempre uma louvação à inteligência do homem que transforma a tecnologia. Temos realizado reuniões com até com 100 pessoas. Quando tínhamos que trazer o Sebrae do Brasil para Brasília as despesas eram enormes. Essa é uma transformação grande, e com paciência, ficamos menos agoniados. Confesso que estou gratamente surpreso com nossa capacidade de adaptação, manter a produção e aumentar a produtividade com essa história de trabalhar on line. NoSebrae, neste ano, estabelecemos metas. Uma era colocar o nacional com os 27 em rede. Elegemos que a digitalização da comunicação era prioridade e em um mês fizemos mais do que o ano passado na prática, algo revolucionário. Este não tem volta. Bom, caminho na esteira, mas dá para refletir mais, produzir muito, e dá para ser mais focado nas demandas que temos. Fico o dia todo muito ligado em todos os problemas, noticiários, acompanhando muito o Congresso, faço alguns exercícios físicos.

FM – A máxima de que é nas piores crises que surgem as melhores oportunidades será confirmada nesta pandemia? Como os pequenos negócios podem se beneficiar da crise e no que o Sebrae poderá ajudá-los?

Melles – A gente brinca que na vida estou vendo e vivendo essa crise. As outras, eu ouvi dizer. Eram elas a da gripe espanhola, de 1918, e de uma geada no Brasil, também em 1918, algo impressionante e o café tinha muita importância. A gravidade de uma crise acentuada quando o café no Brasil representava 80% da exportação e do PIB. Afetou pelas duas crises. Li e ouvi falar. Crise da Bolsa em 1929, mas que aparentemente não afetou, por não ser da saúde. Em 2008, vivenciamos a derrocada do sistema americano. Agora, crises que afetam a saúde, ensinam. Essa, longa, como tem sido a do coronavírus, vai ensinar, vamos tirar muitos proveitos, mas é intensa, traz insegurança. Pode demorar muito para recuperar. O que vai ser interessante e que estamos percebendo que o comércio é mais que ato de compra e venda. É um gesto fraternal do ser humano. Ir à padaria, conversar com o vendedor de verduras. No mundo inteiro a relação humana pressupõe mais que isso. Mas, vai ter que ter sim, por comodidade os serviços de delivery, estão crescendo, mas não vão chegar a 20 – 30% do consumo. As pessoas querem ter contato com outras pessoas. O isolamento não faz bem a ninguém. O homem é um ser social. Vamos sair melhor e mais humanizados.

FM – Esta paralisação em quase todas as cidades do país certamente causará grandes perdas para a economia. Como o senhor acha que os pequenos e microempresários vão sair desta crise?

Melles – A pesquisa que o Sebrae fez agora em março/abril está mostrando que mais de 90% vai apresentar queda defaturamento. Dificilmente algum setor vai crescer, se sim, será uma rara exceção. Quanto mais exercitar, melhor vai transpor a crise. Quanto mais criatividade e mais fidelidade com o cliente. Este aspecto vai trazer valor ao cliente cativo. O Sebrae está trabalhando na plataforma Mercado Azul, vamos assinar com a rede Magalu para que o pequeno possa vender coisas dos pequenos. O primeiro parceiro robusto será o Sebrae. É uma oportunidade ímpar. Tentar oferecer a melhor forma de democratizar a produção dele. Não deixar de ver os tradicionais, ligar e dizer o que ele quer em casa. Nesteaspecto é uma grande oportunidade de consolidação, ainda que não fature o que faturava. Se conseguir 50%, e com o alongamento da dívida e o relaxamento da parte tributária, a gente vai compensar essa perda com estes instrumentos. E desta forma o pequeno tem a oportunidade real de sobrevivência. Por outro lado, vai sair quanto mais rápido expandir sua base de clientes. Pela base digital, seja via Sebrae ou alguma de marketing place.

FM – Quais as linhas de crédito que foram disponibilizadas para os pequenos e microempreendedores neste período?

Melles – Este é um dos pontos fracos que temos até agora. Para os MEIs não teve linha de crédito, mas está tendo o abono de R$600. Dos acima de R$360 mil, teve a Medida Provisória financiando o pagamento de 2 meses da folha de pessoal. Já os de R$80 mil a R$360 mil, estamos lançando neste fim de semana, uma plataforma via Caixa. Serão recursos de R$12 bilhões, específico para os microempresários. Este valor está suportado por um fundo garantidor, o fundo de amparo à micro e pequena empresa FAMP. O Sebrae está colocando aproximadamente 1 bilhão para que numa parceria com a CEF que a gente possa nesse R$1 bilhão do fundo alavancar os R$12 bilhões, ou seja, 1 para 12 vezes. Ou seja, nós vamos juntos, Sebrae e CEFajudar o micro empresário a ter uma capacidade de gestão fortalecida com educação financeira fornecida e que os juros sejam os mais baixos possíveis, todos em torno de 2,5 a 8% ao ano. O outro lado está sendo analisado no Congresso e no Senado, por meio de MP, um crédito do Tesouro Nacional de 20 bilhões de reais, também para fazer face à capital de giro. A outra alternativa, estamos estudando com o BNDES, seria disponibilizar R$5 bilhões e estamos vendo como operacionalizar este valor através de 40 a 50 bancos parceiros. Vale à pena fazer uma citação de que estamos buscando parceiros para o FAMP que foi potencializado, porque o corte de que nos meses de março, abril e maio, revertemos para potencializar o FAMP. Estamos buscando parceiros para potencializar.

FM – Os empresários que estão mesmo em locais em que o fechamento dos comércios foi mantido estão vendendo por delivery saem na frente em relação aos outros que preferiram não atender desta maneira? E, isso pode vir a ser um negócio a ser mantido no futuro após a crise?

Melles – O tradicionalismo pode ser um impeditivo. O mais tradicional tem dificuldade de usar o celular, o computador, eles devem vencer essa barreira. No primeiro momento parece quase impossível, mas temos que aprender o que o banco tem de mais rico é o cadastro de seus clientes. Mexem com o ativo perigoso que é o dinheiro. O micro e pequeno precisa aprender a valorizar o seu cadastro, que é seu cliente. Ele quer e precisa de atendimentos diferenciados, não por querer, mas por necessitar. As empresas que oferecem, nas suas lojas virtuais, o ativo principal que é o cadastro. O mais antigo comerciante sabe que essa é a base do seu negócio, mas precisa se atualizar. Vale a pena olhar esta parte do comércio eletrônico, os novos caminhos de vender e  comprar.

FM – O senhor sempre foi e continua sendo também um importante líder político regional, sendo inclusive o deputado majoritário em várias de nossas cidades até a eleição do seu colega de partido e hoje Senador, Rodrigo Pacheco. O senhor tem tido tempo de também atuar na política?

Melles Diria que na política partidária não. Sou muito focado. Abraço as causas com muita intensidade. Estou focado e apaixonado pelo que o Sebrae faz e pode fazer pelo Brasil. Fizemos um material com o Sebrae que o Brasil precisa e nele estamos, com a Fundação Dom Cabral, FGV, Makenzie, avaliando o cenário de antes e agora teremos a oportunidade de avaliar o cenário de hoje. Este desafio é muito primoroso. Tenho uma boa dose e vocação para o executivo. E foi graças a isso que pudemos atuar. Meu foco hoje é o Sebrae, mas ao longo dos 25 anos, criamos uma teia de amizades que nos fortalece e dá prazer por continuar. Você não sai da política. Na de apoio à região. Nossa equipe é muito boa, mantive minha estrutura de equipe, prefeitos recebendo emendas. Não afeta o meu trabalho do Sebrae, pois minha equipe está alinhada. Essa semana, mesmo saíram recursos de saúde. É importante manter esta relação.

FM – Nas últimas eleições, a região ganhou um representante no Senado, mas perdeu seu único deputado federal com influência na Câmara e reconhecimento nacional. Como o senhor tem feito para suprir esta lacuna em nossa representação política?

Melles – Torço para todos eleitos. O voto é sagrado. É preciso ter muita responsabilidade com o voto dado. O federalismo é algo que tem que ser revisto. Digo que isso vai ser aprimorado. A força do representante político é insubstituível. A região precisa estar atenta e gente boa de serviço, que gosta da região, mas é preciso fazer política boa e completa. Torço muito para que os eleitos cumpram bem. Se eu puder ajudar, estarei junto.

FM – Exercendo hoje um importante cargo na República, de Presidente do Sebrae, tem planos de nas Eleições 2022 voltar à Câmara Federal ou ir além dela?

Melles – Sou focado. Vou repetir, hoje não penso nisso, mas a representação da região deve ser muito bem escolhida. Deestatura política. Hoje, o Sebrae vale um ministério ou até mais, tem uma representação e capilaridade no Brasil. O bom do Sebrae é que nenhum de nós, dos que passaram, usaram a instituição politicamente. Acho que isso tem que ser preservado, é uma agência de desenvolvimento. Se alguém quiser fazer uso político, não deve estar lá, ou se está, está equivocado.

FM – Se surgir o convite para cargo eletivo?

Melles – Desde o relacionamento que tenho com Bolsonaro, FHC, Temer, e os ministros que foram e são amigos. Essa relação não tem preço, meu melhor capital, quando vem capitaneado. Fui para a Câmara para representar o café, que hoje está largado. Nunca esperei virar presidente do Sebrae, muitos brincam que eu fiz a carreira para estar lá. Estou muito feliz de estar no Sebrae e ajudar o micro e pequeno.