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Toquinho lança ‘A Arte de Viver’

13 de novembro de 2020

Toquinho fez parceria com Paulo César Pinheiro em novo álbum. / Foto: Divulgação

Em “A Arte de Viver”, novo álbum de Toquinho, há dois tipos de rei. Um é aquele idealizado nas histórias românticas que rouba – com consentimento – o coração de sua amada. O outro é um autoritário que, com suas atitudes, acaba por impingir sofrimento ao povo – e este, mais uma vez, tenta dar a volta por cima. Ambos os personagens nasceram das cordas do violão do paulistano Toquinho e das palavras do poeta carioca Paulo César Pinheiro. Os dois assinam todas as 11 canções do disco que chegou às lojas e plataformas digitais no final de semana, em lançamento da gravadora Deck, com produção de Rafael Ramos.

Toquinho e Paulinho (como o compositor é conhecido) já haviam trabalhado juntos em 2000 – embora se conheçam desde os anos 1960 –, quando compuseram a trilha sonora do espetáculo Brasil – Outros 500, com texto de Millôr Fernandes (1923-2012) em comemoração dos 500 anos do Descobrimento do Brasil. Agora, livres de um tema único, eles transitam entre os ensinamentos da vida (como o título do álbum indica), amores feitos e desfeitos e críticas políticas e sociais em músicas que foram criadas em pouco mais de um ano.

Fomos fazendo sem pretensão, música por música, até atingirmos um número de canções que julgamos estar linkadas no nosso DNA. Não pensamos no disco em si, mas nas composições propriamente. A unidade veio com o meu violão, que foi a base de tudo”, diz Toquinho. O trabalho foi feito a distância. Toquinho mandava as canções e Paulinho fazia os versos. “Elas já iam prontas melódica e harmonicamente e as letras que vinham eram irretocáveis. Paulinho é um grande poeta, com muita técnica. Eu nem mandava os temas. Temos um gosto musical muito parecido: música brasileira.”

Essa afinidade fica explícita na faixa Mão de Orfeu, na qual eles homenageiam o violonista Baden Powell (1937-2000), parceiro de Paulinho em sambas como Lapinha, Vou Deitar e Rolar e Cai Dentro. Para Toquinho, Baden é uma “entidade” que o guiou com sua técnica e brasilidade. “Não dá para esquecer o seu violão vadio gemer”, diz um dos versos da música que traz citações de Samba da Bênção e Deixa, ambas parcerias do músico com Vinicius de Moraes da década de 1960, pouco antes de o Poetinha se tornar parceiro de Toquinho. Ou seja, a vida e a arte dos quatro amarradas pelo fio da música.

A história do rei que, apaixonado, toma o coração da rainha está na modinha Rainha e Rei, uma das canções de amor na qual Toquinho divide o vocal com a cantora Camilla Faustino. A parceria também está em Roda da Sorte, que versa sobre a passagem do tempo e a importância de acompanhar a ciranda da vida. Esse mesmo tema aparece de forma mais descontraída no samba que dá nome ao disco. A Arte de Viver aponta caminhos para levar a vida um pouco menos a sério, sem sofrer em demasia com os reveses que ela apresenta.