Entretenimento Destaques

Streaming domina Emmy pela primeira vez

21 de setembro de 2021

Série “The Crown”, do Netflix, venceu na categoria de melhor drama na 73º edição do Emmy

A cerimônia do 73º Emmy, na noite de domingo, consolidou o streaming como a maior força criativa da televisão americana, com uma inédita tríplice coroa da premiação. A Netflix ficou com os prêmios de melhor drama (The Crown) e minissérie ou antologia (O Gambito da Rainha), e o Apple TV+ com o troféu de comédia (Ted Lasso). E isso apenas quatro anos depois de o Hulu se tornar pioneiro entre os streamings, ganhando pela primeira vez um dos Emmys principais – melhor drama, por O Conto de Aia, em 2017.

A festa também teve outros marcos. A Netflix superou a arquirrival HBO, vencedora de cinco das dez disputas anteriores de melhor drama do ano e de seis das dez competições prévias de melhor minissérie ou antologia (a categoria mudou de nome algumas vezes ao longo do tempo). Sua supremacia vem também em cima do declínio da AMC, produtora de Mad Men e Breaking Bad, e da presença menos marcante da FX, que passou pela fusão da Fox com a Disney. No total, a Netflix levou 44 prêmios (somando com o Creative Arts Emmy), contra 19 da HBO/HBO Max.

Os prêmios foram justos? Mais ou menos. The Crown não tinha ganhado com suas três temporadas anteriores e é uma das maiores produções na televisão hoje, com bons roteiros e grandes atuações. Agora, precisava vencer também roteiro, direção e prêmios em todas as categorias de atuação? Não. Tobias Menzies é excelente, mas é chocante que o Emmy não tenha ido para Michael K. Williams. Não por sua morte, que aconteceu depois do fechamento da votação, mas por causa de seu trabalho em Lovecraft Country, uma série ambiciosa, ainda que imperfeita. Fora seu currículo em algumas das melhores séries da história, como The Wire.

Entre as comédias, Ted Lasso tinha a concorrência forte de Hacks, da HBO Max, com quem acabou dividindo os prêmios da noite. Enquanto Hacks ganhou roteiro, direção e atriz para Jean Smart, um dos troféus mais merecidos da noite, Ted Lasso ficou com ator (Jason Sudeikis), ator coadjuvante (Brett Goldstein), atriz coadjuvante (Hannah Waddingham) e comédia. As duas são das melhores coisas da televisão atualmente, mas Ted Lasso ganha na ousadia.

No caso de O Gambito da Rainha, que levou não só melhor minissérie, antologia ou filme para televisão, mas também direção, é duro de defender. A categoria tem sido a mais disputada nos últimos anos, tanto que agora fecha a festa. Desta vez não era diferente. A série da Netflix sobre uma jovem enxadrista que vence em um ambiente machista graças a seu talento e aparentemente à sua beleza era de longe a menos interessante das concorrentes (Mare of Easttown, I May Destroy You, The Underground Railroad e WandaVision). E isso porque Small Axe, a antologia de Steve McQueen, ficou inexplicavelmente de fora dos indicados, enquanto Hamilton, uma peça musical brilhante, mas não um filme para TV, ocupou diversas categorias. O Gambito da Rainha tem uma produção bonita, belos figurinos, uma atriz eficiente no papel principal, mas é isso. É claramente uma série sobre uma mulher, feita por homens.