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He-Man volta em série na Netflix

Rodrigo Fonseca/ Especial

24 de julho de 2021

Herói da clássica animação dos anos 1980, He-Man se tornou um fenômeno

Celebrizado no imaginário da cultura pop dos anos 1980 pelo grito “Pelos poderes de Grayskull, eu tenho a força!”, no vozeirão do dublador Garcia Jr., o personagem He-Man está de volta, agora repaginado numa série animada inédita da Netflix, imunizada contra todo e qualquer sexismo do passado e com estreia neste final de semana. É uma estreia que conta com Mark Hamill, o eterno Luke Skywalker, interpretando o vilão Esqueleto, na versão original. E essa volta do desenho baseado numa linha de brinquedos da Mattel – bonecos transformados em animação num projeto do produtor Lou Scheimer (1928-2013), exibido originalmente de 1983 a 1985, nos Estados Unidos – traz a grife nerd de um cineasta autoral na direção: o americano Kevin Smith.

Responsável por marcos do cinema indie como Procura-se Amy (1997), o realizador de 50 anos – hoje envolvido no desenvolvimento da terceira parte de O Balconista, de 1994 – é o diretor responsável pelo retorno de He-Man em Mestres do Universo: Salvando Eternia (Masters of the Universe: Revelation). Mas a trama dá mais protagonismo à guerreira Teela que, nos EUA, ganhou a voz de Sarah Michelle Gellar, do seriado Buffy: A Caça-Vampiros. É ela quem vai empreender a jornada atrás da Espada do Poder, após o sumiço do campeão de Eternia, nessa reabertura do Castelo de Grayskull para as plataformas digitais, tendo um especialista da animação, Robert David (de Max Steel), como produtor executivo.

“Não se trata de redesenhar Teela, pois seu brio guerreiro já estava lá. Era só uma questão de valorizar e honrar toda a bravura que ela sempre demonstrou, deixando a personagem seguir seu destino”, explica David em entrevista via Zoom ao Estadão, explicando que a série da década de 1980 já apostava em mulheres empoderadas. “Basta vocês se lembrarem da Feiticeira. Ninguém era mais poderosa que ela. Era ela quem tinha o caminho da magia.”

Mágica é a palavra essencial aos roteiros dirigidos por Smith, pois o que move os episódios é uma cruzada em prol do que havia de metafísico em Eternia. Logo nos minutos iniciais, uma peleja entre Esqueleto e He-Man (lá fora, a voz é de Chris Wood, o Mon-El de Supergirl; aqui a dublagem é de Glauco Marques) termina em uma espécie de desaparição de ambos, o que põe em xeque a vigência de tudo o que existe de místico em Eternia, criando um processo mecanicista que ameaça afogar aquela realidade em uma era de tecnologia, avessa a tudo o que é metafísico – inclusive valores afetivos. Em meio a essa ameaça, Teela – que se afastou do reino e de seu pai, o misto de inventor e soldado Mentor, para trilhar uma espécie de caminho de samurai – é convocada para salvar seu mundo. A seu lado, há dois velhos conhecidos do público: o tigre Pacato (alter ego do Gato Guerreiro) e o mago Gorpo (Orko nos Estados Unidos), famoso entre os fãs brasileiros pela voz de Mário Jorge (um dos grandes dubladores do País) e pela musiquinha O Bem Vence o Mal, Espanta o Temporal.