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Razões do sucesso da série ‘Ted Lasso’

Mariane Morisawa/ Especial

7 de outubro de 2021

Ted Lasso chega ao fim da 2ª temporada, nesta sexta, 8, como fenômeno pop

O sucesso de Ted Lasso não foi imediato. Algumas das primeiras críticas, na época do lançamento da primeira temporada, em agosto de 2020, acharam a série “meh” (desinteressante). O público também não correu para ver o show sobre um treinador de futebol americano otimista, contratado por um time inglês do nosso futebol. Mas, aos poucos, o programa do Apple TV+ conquistou fãs famosos e não famosos, a crítica e, duas semanas atrás, 7 dos 20 Emmys a que concorreu, incluindo melhor série, ator (Jason Sudeikis), ator coadjuvante (Brett Goldstein) e atriz coadjuvante (Hannah Waddingham). Ted Lasso chega ao fim da 2ª temporada, nesta sexta, 8, como fenômeno pop, com fãs apaixonados que a descrevem como a série certa para o momento certo.

Ted Lasso, que começou como uma comédia de 30 minutos, aparentemente leve e despretensiosa, foi mostrando sua verdadeira face na segunda temporada, com episódios que chegam aos 50 minutos, como o 12º e último. Mas havia sementes de problemas plantados na primeira temporada, sobre saúde mental, sentimento de inferioridade e relações difíceis com os pais, que foram desenvolvidos na segunda, sem medo de trazer as lágrimas junto com as risadas.

E esse pode ser o segredo de seu apelo, segundo Daniel Martins de Barros, professor colaborador do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP e colunista do Estadão. “A série é agridoce, refletindo a realidade, que pode ser dura, e mesmo assim ter risadas e conexão com os outros”, disse em entrevista. “Ouvimos na pandemia que não era possível rir, que era um momento só de dor. Mas a vida é essa complexidade de sentimentos conflitantes que a série retrata. Isso gera identificação. É mais ou menos como se a pessoa visse e pensasse que bom que posso ficar alegre mesmo na tristeza. Não é preciso escolher.”

Nesses 19 meses de lutos pessoais e coletivos, de perdas de diversas naturezas, a ficção de Ted Lasso burlou nossas defesas. “De repente, você se vê chorando copiosamente, lamentando a perda de um personagem, ou se condoendo da dor dele, quando na verdade aquilo reflete a sua própria dor”, disse Martins de Barros.

Claro que os criadores não tinham como imaginar que a série estrearia no meio de uma pandemia e se tornaria a única companhia de milhares de pessoas. Mas, antes mesmo da covid-19, o mundo estava dividido, com muito espaço para o ódio e pouco para a compreensão.
Como a abertura da série já indica, a atitude positiva de Ted Lasso mesmo em momentos de conflito e tristeza espalha-se. “Se alguém na sala está de mau humor, você fica também. A gentileza e a generosidade também são contagiantes”, afirmou o psiquiatra. “A série não diz para negarmos a tristeza e sermos felizes. Ela diz: Seja feliz apesar dos pesares.”