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Radcliffe em Fuga de Pretória

21 de outubro de 2020

Daniel Radcliffe e Daniel Webber são protagonistas do filme de Francis Annan. / Foto: Divulgação

Desde pequeno, o diretor Francis Annan ouvia falar de política – seu avô foi um dos juízes da Suprema Corte e presidente do Parlamento de Gana, e viajava o mundo representando seu país. Ele ia à África do Sul e voltava contando essas histórias absurdas sobre os sul-africanos negros.

Imagino que era como os países da Europa Ocidental olhavam para a então Checoslováquia, por exemplo. É um país tão próximo e, ao mesmo tempo, tão distante”, disse Annan em entrevista.

Então, quando ele ouviu a história de Tim Jenkin e Stephen Lee, dois sul-africanos brancos que fugiram do presídio depois de condenados por ajudar na luta contra o apartheid, o regime de segregação racial na África do Sul, em 1979, a identificação foi imediata.

Era um ângulo novo na história, porque normalmente em filmes sobre o apartheid vemos pessoas africanas com Kalashnikov, boinas. Não pensamos em brancos de classe média”, contou Annan.

Assim nasceu o longa-metragem Fuga de Pretória, que está em cartaz em algumas cidades onde os cinemas reabriram e que será exibido na TNT na sexta, 23, às 22h30. Baseado nas memórias de Jenkin, conta com Daniel Radcliffe no papel principal e Daniel Webber como Stephen Lee. Ele tinha duas rotas possíveis: fazer um filme de prisão ou um longa sobre a fuga. Ele optou pelo segundo, destacando a estratégia utilizada para escapar, tão trabalhosa quanto brilhante. O cineasta assistiu a quase 60 filmes para inspiração, mas ficou mais encantado com dois: Um Condenado à Morte Escapou (1956), de Robert Bresson, e A Um Passo da Liberdade (1960), de Jacques Becker.

Eu gostei da simplicidade e da intensidade dos dois”, disse Annan. “Claro que Fuga de Pretória é uma produção mais Hollywood, mais comercial, mas ainda assim há essas influências europeias.” Annan se encontrou algumas vezes com Jenkin e Lee para captar outros detalhes da história. Uns dias antes da filmagem, que acabou tendo de ser na Austrália e não na África do Sul por questões de financiamento, o diretor e os atores se reuniram num cinema em Londres para fazer uma videoconferência com Jenkin.

“Eles conversaram por uma hora e meia”, contou Annan. Algumas das informações foram parar no roteiro, por exemplo, quando Jenkin precisa esconder objetos numa cavidade corporal.  “Daniel Radcliffe e eu íamos interpretar a dor e o desconforto, mas Jenkin disse que, na verdade, era bem fácil, nem dava para notar. Então, essa informação foi muito preciosa”, disse o cineasta, com ar divertido.

Jenkin também visitou o set. Um terceiro personagem, que fugiu da prisão de Pretória com Jenkin e Lee, preferiu não participar do filme e por isso seu nome foi trocado para Leonard Fontaine (Mark Leonard Winter).

Basicamente tudo o que acontece ao personagem Fontaine aconteceu de verdade. Ele é um cara muito bacana, cheio de energia, como aparece no filme. Mas disse que não queria remexer o passado, e que tudo bem se trocássemos seu nome, da sua mulher e do filho. Claro que em cinco segundos de pesquisa dá para saber quem é.