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Physical retrata a força feminina

Por Mariane Morisawa Especial

1 de julho de 2021

Rose Byrne vive Sheila Rubin, a personagem principal de Physical. / Foto: Divulgação

É impossível não se lembrar de Jane Fonda ao ver Sheila Rubin (Rose Byrne), a personagem principal de Physical, que já tem três episódios disponíveis na Apple TV+ e que continua com outros sete capítulos estreando todas as sextas-feiras. A atriz, que nos anos 1960 e 1970 foi ativista contra o racismo e a Guerra do Vietnã, virou guru da aeróbica nos anos 1980. Sheila também vai de ativista a rainha da ginástica, mas não se trata de uma biografia de Fonda.

Eu estava interessada em escrever sobre esse período da história para as mulheres, porque foi uma transição muito interessante dos anos 1970 para os 1980”, disse Annie Weisman, criadora da comédia dramática. “Com o fracasso da aprovação da Emenda da Igualdade de Direitos, as mulheres ficaram desiludidas. Há um ressurgimento do conservadorismo.” Weisman viu isso com seus próprios olhos. “Meus pais foram de radicais da Universidade Berkeley a eleitores de Ronald Reagan, deixando a década do ‘nós’ para trás e embarcando na década do ‘eu’.

Para Rose Byrne, foi interessante fazer esse movimento porque ela tinha acabado de interpretar Gloria Steinem na série Mrs. America, que trata justamente da luta pela Emenda da Igualdade de Direitos. “É como se fosse uma série complementar”, disse Byrne. “Claro que Mrs. America é uma história mais ampla, enquanto Physical é mais particular. Mas Sheila é uma mulher do movimento que está decepcionada, porque faz papel de coadjuvante para seu marido, apesar de ele ter valores progressistas. Ela é uma dona de casa. Mas tem ambições, quer ter um lugar à mesa.

Sheila é casada com Danny (Rory Scovel), um professor universitário em San Diego que se candidata a um cargo público com uma pauta progressista de defesa do meio ambiente, mas que vê sua mulher às vezes como um belo enfeite para avançar em seus propósitos. “Infelizmente, é um personagem que conseguimos identificar nos dias de hoje”, disse Scovel. “E faz pensar que não sabemos como nossos heróis, que defendem nossos valores, se comportam dentro de casa.

A libertação e empoderamento de Sheila vêm, curiosamente, da aeróbica, depois de descobrir uma aula de ginástica divertida que acaba virando obsessão. Logo, ela mesma se torna uma estrela da aeróbica. “É interessante como muitas mulheres se tornaram economicamente independentes nesse período. E muitas nesse ambiente de fitness e wellness”, disse Byrne. “Hoje é comum, todo mundo tem uma plataforma, é um criador, um empreendedor. Mas, em 1981, isso estava apenas começando.

Hoje, ninguém se espanta com as Gwyneth Paltrow vendendo estilo de vida baseado em wellness. “Na época, as mulheres não tinham oportunidades de ser donas de negócios tradicionais”, explicou Weisman. “Sheila está de saco cheio e abraça o poder econômico e empreendedor como forma de libertação.

Os anos 1980, além de tudo, foram tempos de excessos também nas roupas de cores vibrantes e nos cabelos volumosos à base de permanentes. “O mundo era muito divertido. E na série isso se torna uma espécie de Cavalo de Troia, porque dá para brincar com essas imagens e introduzir ideias mais subversivas”, explicou Weisman.