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‘Oxigênio’ traz tensão claustrófobica

22 de Maio de 2021

Cena do filme ‘Oxigênio’, de Alexandre Aja, com Mélanie Laurent. / Foto: Divulgação

Desde o embate de sua postura com a cultura popular em Alta Tensão, de 2003, filme sobre um assassino e a exploração lésbica, o diretor de filmes de horror Alexandre Aja dirigiu grandes produções em língua inglesa: remakes de The Hills Have Eyes (que, no Brasil, ganhou o título de Viagem Maldita) e Maníaco, além da bombástica comédia de horror Piranha 3D.
Oxigênio, filmado no verão de 2020 no ápice da pandemia do coronavírus, atualmente disponível em streaming na Netflix, é a volta do diretor ao cinema francês. Também mostra que o diretor pode fazer algo bem melhor com um roteiro mínimo (escrito por Christie LaBlanc).

O longa está ambientado quase inteiramente em uma câmara criogênica pouco maior do que um caixão. E acompanha uma mulher (Mélanie Laurent) depois que solavancos produzidos por um defeito a despertam do hiper sono. Presa e com os níveis de oxigênio oscilantes, ela precisa aprender a trabalhar com a máquina, controlada por um computador, uma Inteligência Artificial (IA) sinistra e no entanto agradável, chamada Milo (cuja locução é feita pelo ator Mathieu Almaric), a fim de escapar.

A premissa é simples, mas este roteiro repleto de reviravoltas de LeBlanc dá a Laurent uma ampla oportunidade para brilhar. Em razão do set limitado, o filme depende da capacidade de interpretação da atriz, e ela corajosamente passar da euforia ao terror e à determinação. Aja mantém a tensão o tempo todo, usando as convenções do horror – e algum sobressalto barato – para chocar comumente o público e chamar a sua atenção. Embora Oxigênio seja mais um thriller do que um filme de horror, tais manipulações mantêm as tensões em alta, embora o seu roteiro force à credulidade.


Pesadelo

O filme prende imediatamente a atenção desde a abertura, lançando os espectadores em um pesadelo claustrofóbico. Quando a protagonista acorda totalmente, deve lutar para sair de um saco de proteção. Introduzido pelo som de um batimento cardíaco e por imagens de ratos de laboratório deformados, as primeiras tomadas do rosto de Laurent prometem algo monstruoso que deve estar por trás de tudo isto.

As suas feições são alongadas por luzes vermelhas e a sua respiração fraca parece mais de um animal do que de um ser humano. Quando o seu rosto se torna visível, seus dedos rompem o casulo semelhante ao de Alien que dilacera o peito da atriz. O efeito é horrível, desorienta os espectadores que imediatamente aderem à direção confusa do filme.

Oxigênio é um filme definido pela falta de espaço. Os seus departamentos de arte e de animação construíram habilmente uma câmara criogênica, ao mesmo tempo visualmente agradável e necessariamente aterrorizante. O computador de bordo Milo é apresentado como um círculo tipo Siri de ondas pulsantes, que ocasionalmente oferece outras interfaces para Laurent navegar.

Oxigênio é o raro filme de gênero suficientemente contido para fazer sucesso no streaming. E fará com você coloque os seus fones de ouvido na outra extremidade da sala de estar por um pouco mais de tempo – ou pelo menos fará com que você agradeça por ter toda uma sala para atravessar.