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O Louvre de portas abertas

9 de julho de 2020

O Museu do Louvre não fechava as suas portas por um período tão prolongado desde 2ª Guerra Mundial. / Foto: Divulgação

Depois de três meses e meio de confinamento, o Louvre de Paris, o museu mais visitado do mundo, reabriu, nesta semana, as portas, mas com a queda do turismo provocada pela pandemia, o número de visitantes foi reduzido e, sobretudo, de moradores da cidade.

Alguns visitantes aguardavam, de máscara, na fila pouco antes da abertura, às 9h. Um cartaz informava que não havia mais ingressos para o dia. Por motivos de saúde, o museu pretende receber apenas 7.000 pessoas por dia. Antes da pandemia eram 30.000, anunciou o presidente da instituição, JeanLuc Martínez.

“Estava com muita saudade, havia cinco meses que não visitava”, afirmou à AFP Elodie Berta, guia especializada em obras de “street art”. “Paris não pode viver sem cultura”, acrescentou a parisiense, visivelmente emocionada.

Esta é nossa quinta ou sexta vez no Louvre. Mas nunca conseguimos ver a Mona Lisa, devido ao grande número de visitantes, mas desta vez esperamos observá-la”, disse Helene Ngarnim, moradora da cidade, ao lado dos dois filhos adolescentes.

De acordo com números oficiais, 75% do público habitual do Louvre é formado por estrangeiros, especialmente americanos, chineses, sul-coreanos, japoneses e brasileiros. Nas primeiras semanas de reabertura, no entanto, o museu espera receber principalmente franceses e cidadãos dos países europeus vizinhos.

O Museu do Louvre não fechava as suas portas por um período tão prolongado desde a Segunda Guerra Mundial. Depois de registrar mais de ¤ 40 milhões (US$ 45 milhões) de perdas por causa do confinamento, a direção prevê três anos difíceis, levando em consideração que o número de ingressos vendidos em 2020 ficará muito abaixo do recorde de mais de 10 milhões registrado em 2018 e dos 9,6 milhões do ano passado.

O dispositivo para receber os visitantes foi estudado para evitar qualquer incidente sanitário que possa obrigar o museu a fechar novamente. Martínez explicou que o Louvre pode suprimir algumas faixas de horário, caso aconteça algum problema.

Mas a direção está confiante porque os espaços no museu são muito amplos. Todos os visitantes com mais de 11 anos devem usar máscara já a partir da fila de entrada.

Mona Lisa, Vitória de Samotrácia, A Liberdade Guiando o Povo, A Balsa da Medusa, A Vênus de Milo: diversas maravilhas do Louvre podem ser admiradas, mas 30% das coleções não estarão acessíveis em um primeiro momento, como esculturas francesas da Idade Média e renascentistas e as artes da África, Ásia, Oceania e Américas.

Mas ainda há muito por ver: mais de 30.000 obras em um espaço de 45.000 m². E sem o grande fluxo habitual, o público aproveitará uma visita mais tranquila. Setas da cor azul indicam o percurso a seguir e as pessoas não poderão retornar em sua trajetória. Marcas no chão pretendem evitar aglomerações em pontos estratégicos.