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‘Música para Morrer de Amor’

5 de setembro de 2020

Filme é uma adaptação de premiada peça de teatro que já está nas plataformas de streaming. / Foto: Divulgação

Desde que a peça Música para Cortar os Pulsos, de Rafael Gomes, estreou em 2010, muita coisa pode ter mudado nas formas de se representar o amor. Outras permaneceram iguais. É essa complexidade que o diretor transporta agora para o cinema, em Música para Morrer de Amor, adaptação escrita e dirigida por ele de seu espetáculo, premiado pela Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) como melhor peça jovem. Depois de circular por festivais no ano passado, o longa chega aos serviços de vídeo sob demanda.

Rafael Gomes afirma que a ponte entre o palco e a tela existe porque a peça nunca se encerrou. “A origem, há 10 anos, funcionou como um intenso laboratório, em múltiplos sentidos. A peça fez mais sucesso do que poderíamos imaginar. Ela durou muito tempo viva, jamais parou de existir. A experiência de troca com diversas plateias, em três anos de apresentações, foi nos dando a certeza e o incentivo para retomar constantemente esses assuntos”, argumenta. A continuidade passa também por uma lacuna temática.

Notamos a carência muito grande de uma dramaturgia brasileira que fale para o público pós-adolescente, dos 20 e poucos aos 30 anos, sobre vida interior, afetividade, emoção. Poucos filmes se debruçam centralmente sobre esses assuntos, com tudo acontecendo dentro de uma lógica de sexualidade bem resolvida e fluida”, afirma o cineasta e dramaturgo.

Os atores Mayara Constantino e Victor Mendes, nos papéis de Izabela e Ricardo, acompanham o diretor nessa ponte entre o teatro e o cinema. A forte amizade entre os dois é interrompida quando ela decide morar com o namorado Gabriel (Ícaro Silva), que parte o coração da jovem ao se mudar de cidade e frustrar os planos tanto de casamento quanto de atuação do casal na peça Romeu & Julieta. Surge, então, Felipe (Caio Horowicz), por quem Ricardo se apaixona, mas que acaba se interessando por Isabela.

A melodramática teia amorosa, que conta com outros personagens, aborda a diversidade e a complexidade das relações afetivas nestes tempos marcados pela mediação das redes sociais e pela fluidez amorosa. No meio de tudo isso, surge outro elemento fundamental: a música. Além da trilha sonora, as cenas contam com a presença pontual de Milton Nascimento, Maria Gadu, Tim Bernardes e Clarice Falcão, entre outros, trazendo canções visualmente representadas como parte dos diálogos. A música é o grande elo entre tantos amores.

No teatro, tocava a música, mas havia uma instância, que era a citação como medida de como a música está presente em nossos imaginário e cotidiano. O desafio foi dar corpo a ela na transposição para o cinema”, explica Rafael Gomes.

A ideia encenada nos palcos há 10 anos foi adaptada para a tela. O diretor e roteirista destaca a adequação para diálogos presenciais daquilo que era relatado, num tempo passado, por cada personagem isolado no texto teatral.

Isso dá ao personagem outra consciência. No passado, o raciocínio já está elaborado anteriormente. Na cena do filme, aquilo é quente e se dá no momento, possibilitando a criação de conflitos, pois há a contraposição de ideias por um interlocutor.

MÚSICA PARA MORRER DE AMOR. Filme de Rafael Gomes, com Mayara Constantino, Victor Mendes, Ícaro Silva e Caio Horowicz. Disponível no Now, Vivo Play e Oi Play