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‘Mank’ é o raio-x de Hollywood

17 de dezembro de 2020

Gary Oldman é Herman J. Mankiewicz, roteirista que brigou com Orson Welles pela autoria de Cidadão Kane. / Foto: Divulgação

Aposta da Netflix para a temporada de premiações que se aproxima com o início de 2021, Mank chegou à plataforma de streaming em 19 de novembro. Desde então, o filme dirigido por David Fincher tem chamado a atenção não só pela reconstrução de época – a produção se passa na década de 1930 –, mas também pelo enredo, que remonta a um dos maiores clássicos do cinema.

Porém, Mank não pode ser definido simplesmente como um filme sobre a controversa criação de Cidadão Kane (1941), dirigido por Orson Welles. O longa de 131 minutos aborda também a política em Hollywood e como diversos jogos de poder ajudaram a forjar a indústria cinematográfica norte-americana em suas primeiras décadas.

Para isso, conta a história do roteirista Herman J. Mankiewicz (Gary Oldman) – o Mank do título –, que percebe o quanto a sétima arte foi pervertida por pessoas poderosas que a usam por interesse próprio. Ele decide se vingar ao fazer um longa inspirado em William Randolph Hearst (Charles Dance), o poderoso magnata da mídia.

Mank lida com a questão sobre quem é o verdadeiro responsável pelo filme: Mankiewicz ou Orson Welles, personagem interpretado por Tom Burke? Oficialmente, o primeiro é creditado como corroteirista, enquanto o outro é corroteirista, diretor, produtor e ator.

Como já deixa claro o título, o filme tende para o lado de Mank. Na verdade, ninguém questiona o envolvimento do roteirista na obra, mas o quanto da genialidade do filme é fruto da mente de Mankiewicz. Uma cena põe uma espécie de “ponto final” nesta questão. Nela, o roteirista diz que a mágica do filme é a combinação do que ele escreveu com o que Welles fez a partir disso.

Entre as décadas de 1920 e 1930, Herman J. Mankiewicz era um dos roteiristas mais benquistos de Hollywood. Quando a indústria cinematográfica iniciou a transição do filme mudo para o filme falado, ele se estabeleceu como um dos profissionais mais procurados pelos estúdios.

No auge da carreira, Mank conheceu Charles Lederer, integrante do seleto grupo de produtores da indústria do cinema. Por intermédio dele, o roteirista estabeleceu relações próximas com a atriz Marion Davies (no filme de Fincher, vivida por Amanda Seyfried) e Hearst.

Nos jantares e festas que passou a frequentar em Hollywood, Mank se tornou amigo de Orson Welles. Depois disso, os dois rapidamente começaram a planejar a história que deu origem a Cidadão Kane. A princípio, Mank concordou em não receber os créditos pelo filme. Com o passar do tempo, mudou de ideia, insistiu para que seu nome fosse associado ao projeto. Por fim, Welles atendeu ao pedido e creditou o roteirista pela trama do longa.

A Netflix está empenhada em conquistar a estatueta de Melhor filme. Depois de bater na trave com Roma (2018), de Alfonso Cuarón, e fracassar com O irlandês (2019), de Martin Scorsese, e História de um casamento (2019), de Noah Baumbach, pode ser que em 2021 esta história mude.

MANK. l Direção: David Fincher. Com Gary Oldman, Charles Dance, Amanda Seyfried e Tom Burke. Em cartaz na Netflix