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Mallu Magalhães volta com ‘Esperança’

30 de junho de 2021

Mallu Magalhães segue dedicada a ritmos brasileiros, como o samba e a bossa nova

Dos 28 anos que tem de vida, a cantora Mallu Magalhães passou mais da metade diante do público que assistiu ao desenvolvimento artístico de alguém que, aos 15, era considerada a nova promessa da música brasileira. Ainda jovem, ela soube usar isso a seu favor e consolidou um particular jeito de ver o mundo – e, consequentemente, fazer música – como a marca registrada de todos os seus álbuns, até mesmo do recém-lançado “Esperança”, quinto da carreira que coloca fim a um jejum de quatro anos sem lançamentos inéditos.

Gravado ao longo de 2019 em Lisboa, onde Mallu mora com o marido, o músico Marcelo Camelo, e a filha do casal, Luísa, de 5 anos, o disco estava pronto quando a pandemia obrigou quase o mundo todo a ficar em casa.

Originalmente intitulado “Felicidade”, o trabalho estava programado para março de 2020. Durante o último ano, o lançamento foi sucessivamente adiado na esperança – com o perdão pelo trocadilho – por dias melhores. Como eles ainda não chegaram, a cantora decidiu lançá-lo, sem aviso prévio, no dia 15 de junho.

Pelas redes sociais ela provou que está atenta ao que ocorre no Brasil, apesar de viver na Europa. “Sei que agora ainda não está tudo bem. Até porque, vencido o vírus, ainda enfrentaremos as sequelas sociais que já começam a aparecer, sobretudo para aqueles que já estavam em situação vulnerável. Não, definitivamente, não estamos nadando em rosas”, escreveu.

Mallu acredita que este é o momento certo de lançar o álbum, embora ainda não possa sair em turnê ou divulgá-lo da maneira como gostaria. “Agora, já sinto que faz sentido dar o que tenho de melhor, tentar oferecer uma espécie de alívio e de carinho. E assim, curiosamente, a pergunta sobre o lançamento do álbum deságua na realidade da pandemia, na declaração de amor, saudade e, claro, esperança.”

Toda essa cautela em anunciar a chegada do novo trabalho parece ser a maneira que ela encontrou de blindar o novo trabalho de críticas na internet. Desde que se mudou para Portugal, em 2013, Mallu Magalhães é cobrada por supostamente ignorar a realidade brasileira por conta do tom escapista de suas canções. A questão ficou séria depois do lançamento do clipe de “Você não presta”, em 2017, produção acusada de reforçar estereótipos racistas.

Minimalismo

Na época, a cantora estava no ciclo de divulgação de seu quarto disco, “Vem” (2017), no qual ela mostrava ter atingido maturidade artística e poética para transitar por diferentes gêneros e escrever boas canções. Quatro anos depois, ela prova, com “Esperança”, que não perdeu essas habilidades e que decidiu tratá-las com uma abordagem minimalista, quase caseira, como soam seus dois primeiros discos, ambos intitulados “Mallu Magalhães”, lançados em 2008 e 2009.

Produzido por Mário Caldato Jr. e pela própria cantora, “Esperança” é o irmão “calminho” de “Vem”. Não há novidade nos arranjos, Mallu segue dedicada a ritmos brasileiros, como o samba e a bossa nova. Ela retoma o hábito de cantar em diferentes línguas – algo que não fazia desde o ótimo “Pitanga” (2011) – e flerta com uma abordagem lúdica dos temas que canta, fazendo sua música apropriada para todas as idades.