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Inhotim chega à Netflix

1 de outubro de 2020

Viewing machine, do dinamarquês Olafur Eliasson, um dos maiores destaques da coleção do museu em Brumadinho. / Foto: Divulgação

Lançada originalmente em 2018, no canal Curta!, a série documental Inhotim – Arte Presente chega ao streaming em bom momento. Disponível na Netflix desde o último dia 15, a produção oferece ao espectador a oportunidade de se aproximar do trabalho e do universo particular de alguns artistas cujas obras figuram na coleção do Instituto de Arte Contemporânea, fechado há seis meses devido à pandemia do novo coronavírus.

Nesta semana, o Inhotim anunciou sua reabertura em 7 de novembro, desde que a crise sanitária no estado esteja sob controle, permitindo o retorno do público à visitação de seus pavilhões e jardins. Ainda que não substitua propriamente o encontro presencial com as obras, a série – premiada no 18º Grande Prêmio do Cinema Brasileiro – funciona como um aprofundamento no universo de alguns criadores.

Os 13 episódios dirigidos pelo cineasta Pedro Urano focam no trabalho de grandes nomes da arte contemporânea, como Claudia Andujar, Giuseppe Penone, Rirkrit Tiravanija, Cildo Meireles, Chris Burden (1946-2015), Miguel Rio Branco, Matthew Barney, Jorge Macchi e Olafur Eliasson. Tunga (1952-2016), personagem do sexto episódio, recebe atenção especial. Sua galeria, True rouge, foi a primeira instalada no instituto, em 2008, e o artista teve um papel central para que o Inhotim se tornasse um museu aberto ao público. Ele foi um dos conselheiros do empresário Bernardo Paz, criador do instituto, e incentivou-o tanto a iniciar a coleção de arte quanto a permitir a visitação ao acervo.

Psicoativa

Produzida em 2016, a série também deve sua realização ao artista pernambucano. O primeiro contato de Pedro com o instituto foi para gravar a instalação da Galeria Psicoativa, em 2011. Uma característica importante da produção é a maneira como ela aborda a perspectiva da arte e do Inhotim diante de questões contemporâneas. O episódio dedicado à fotógrafa Claudia Andujar, por exemplo, aborda os povos indígenas, fonte de inspiração para a obra dela. O episódio exibe a visita de 15 índios à galeria de Inhotim na qual estão as fotos de Andujar.

No capítulo de Cildo Meireles, os temas são as mutações geográficas e fronteiras verticais. O dinamarquês Olafur Eliasson trata da migração de refugiados e das mudanças climáticas. E o tailandês Rirkrit Tiravanija estabelece relações entre o acervo de arte contemporânea e a riqueza botânica de Inhotim. Antes dos episódios dedicados especificamente a artistas que têm obras no Inhotim, a série mostra como são as instalações e o funcionamento do instituto. O primeiro episódio, Arte natureza, explora as relações entre seres biológicos e obras de arte, em conversas com botânicos, curadores e artistas.

O segundo, Curadoria, trata de como surgiu a coleção do Inhotim e do processo de escolha de obras e artistas. Esse episódio traz uma conversa com Bernardo Paz, habitualmente arredio a entrevistas, e alguns dos curadores da instituição. Já no terceiro capítulo, Jardim botânico, o público é conduzido pelo acervo da fauna e da flora do Inhotim, uma rica coleção que transformou o lugar num refúgio para centenas de animais, num ecossistema diverso.

Inhotim – Arte Presente • Série documental em 13 episódios. Direção: Pedro Urano. Disponível na Netflix