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Humor a toda prova

15 de setembro de 2020

Diretor de ‘Minha Mãe É Uma Peça’, André Pellenz lança no streaming ‘Espetaculares’, uma comédia road movie. / Foto: Divulgação

Uma Peça, o primeiro da série, e embora Paulo Gustavo tenha virado a maior bilheteria do cinema brasileiro – um fenômeno! –, Pellenz reconhece sua marca no filme. “Sou louco por comédias italianas e coloquei muitas referências lá dentro.” Depois veio Detetives do Prédio Azul, numa outra faixa de público, mas que também foi um belo sucesso. Só os dois fizeram mais de 6 milhões de espectadores.

Pellenz tinha um novo filme para estrear, mas foi atropelado pela pandemia do novo coronavírus. “Os Espetaculares” deveria ter estreado em junho, mas aí parou tudo. Com a reabertura das salas em Manaus, o filme estreou, e foi bem. Por aqui, já está no streaming. Aborda o universo do stand up. Teve um ponto de partida curioso. Ele tem filho de 12 anos, o Artur. “Um dia estava conversando com ele e perguntei o que achava de ter um pai diretor de cinema. Se era normal para ele. A resposta me surpreendeu. “Não, não é normal.” Eu era diferente de todos os pais de amigos dele. Fiquei com aquilo martelando em minha cabeça.”

E esclarece: “Tenho um projeto grande, inspirado numa história real de minha família. Meu pai tinha um irmão que foi tentar a vida no garimpo do Pará. Ele morreu por lá e o meu pai foi buscar o corpo. Atravessou o Brasil inteiro com o caixão para enterrar meu tio em Santa Rosa, no Rio Grande do Sul. O filme, 830 Litros, conta as histórias dessa viagem.

Meio parecido com o cubano Guantamera, de Tomás Gutiérrez Alea e Juan Carlos Tabío, não é? Com certeza, até porque Pellenz diz que o filme não será propriamente uma comédia, mas um road movie. “Um choque brutal de cultura, de Norte a Sul do Brasil, até as raízes da colonização alemã no Rio Grande do Sul.”

Foi aí, no vácuo do 830 Litros, que Os Espetaculares começou a nascer.

O cinema conta muitas histórias de crianças e adolescentes, mas não na faixa de 12 anos, do meu filho. Também queria muito fazer um filme com o Paulo Mathias Jr., que é um ator maravilhoso e um cara muito bom. Todos os diretores o conhecem e o admiram. É um cara fácil de trabalhar.  No início, não sabíamos, a Sílvia (produtora) e eu, que filme queríamos fazer, se uma ficção ou documentário. Havia a vontade de fazer um filme sobre quem faz humor. Nosso comediante, ao contrário do Paulinho, é difícil de trabalhar. Tem esse filho de 12 anos. O filme começou a andar. Agregamos o Rafael Portugal, que está num momento muito bom da carreira dele, como um cara que não gosta de comédia. O concurso de stand up terminou vindo naturalmente.

Os concorrentes são cômicos de stand-up de verdade.

É a forma mais pura de humor que existe. O sujeito, ou a mulher, não importa o gênero, está lá sem cenário, até sem personagem, só ele, ou ela, diante do público. É uma coisa minimalista, e às vezes o que funciona no palco não pode ser transferido para a tela, porque não funciona. Um cômico sem graça é uma coisa constrangedora, horrível.” Como diretor, Pellenz tem um discurso bastante crítico.