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Hard une mundos opostos

Alessandro Giannini / Especial

21 de Maio de 2020

A atriz Natalia Lage na série Hard, da HBO. / Foto: Divulgação

Em “Hard”, série brasileira no canal HBO e na HBO GO, uma mulher da elite, bem nascida e educada, assume o comando de um negócio que lida com pornografia e consegue revolucioná-lo. Narrada em clave de humor, essa história une mundos opostos e desafia vários preconceitos e tabus. Ainda assim, garantem os criadores, a pornografia aqui funciona como um meio para falar de protagonismo feminino em um universo carregado de estereótipos, e não como um fim em si mesmo.

Coproduzida pela HBO Latin America e a Gullane Entretenimento, “Hard” é a adaptação de um programa homônimo francês, que foi ao ar originalmente entre 2015 e 2018. E traz para a realidade brasileira a história de uma advogada que recebe como herança do marido, morto subitamente em um acidente doméstico, uma produtora de filmes pornográficos. A primeira temporada tem seis episódios de meia hora cada.

Nosso objetivo era fazer uma comédia de costumes”, diz Roberto Rios, vice-presidente de produções originais da HBO Latin America.

Pornografia tem um quê de humor, porque lida com aspectos tabus da nossa vida. Uma questão importante na adaptação é que os ‘roteiristes’ (porque há profissionais homens e mulheres) tomaram muitos cuidados para serem profundamente justos ao lidar com o tema, e não defendê-lo nem torná-lo grosseiro.

Escrita por Danilo Gullane, Juliana Rosenthal, Patricia Leme, Mariana Zatz e Laura Villar, “Hard” conta a história de Sofia (Natália Lage), uma advogada que renunciou à carreira para cuidar da família. De uma hora para outra, sua vida perfeita de classe média alta desmorona ao descobrir que o marido morto mantinha uma produtora de filmes pornô por trás de uma empresa de fachada. Bela, recatada e do lar, ela se vê em meio a um mundo com o qual não tinha nenhuma intimidade e sobre o qual cultivava muito preconceito. O elenco conta ainda com Denise Del Vecchio, Martha Nowill, Julio Machado e Fernando Alves Pinto no elenco.

Natália conta que, para interpretar Sofia, fez o habitual percurso da preparação para o papel, o que incluiu a leitura do roteiro, pesquisas sobre a indústria pornográfica e a busca de filmes e documentários sobre o tema. Mas o mais importante, diz a atriz, foi se colocar no lugar de sua personagem e assumir os próprios preconceitos diante de algo que ela mesma mal conhecia.

Botamos na frente dessa história os aspectos mais humanos da Sofia”, diz o produtor Fabiano Gullane, que faz uma participação especial como Alex, marido da protagonista – o personagem morre logo no início do primeiro episódio.

Vamos mergulhando na história dela de um jeito muito delicado e equilibrado, porque aos poucos ela acaba querendo transformar aquilo em um negócio mais humano, mais diverso e representativo. A pornografia é estruturante na série, mas virou mais um ambiente para acompanharmos a evolução daqueles personagens todos.

Seguindo uma tradição da emissora, “Hard” terá um podcast acoplado à exibição de cada episódio, na HBO GO, no site da HBO e nas principais plataformas. A ideia é aprofundar temas abordados ao longo das histórias e falar sobre aspectos criativos, contar bastidores da produção e outras curiosidades. Com apresentação de Vinicius Calderoni, participarão das rodas a atriz Natália Lage, o diretor Rodrigo Meirelles e Luiza Campos, diretora dos episódios 4 e 5.