Entretenimento

Guerra por assinantes

Por Fernando Scheller / Especial

12 de Maio de 2020

Foto: Divulgação (Site EBC)

Enquanto os estúdios de cinema ainda tentam contabilizar a extensão dos prejuízos, outro braço da indústria do entretenimento – os serviços de streaming – têm visto um horizonte azul à frente. Isso porque, mesmo depois do fim da pandemia de covid-19, as pessoas deverão continuar passando mais tempo em casa, demandando conteúdo para as horas de folga. Os resultados da Netflix e da Disney+ mostram que há apetite por um cardápio ainda mais variado de conteúdos.

A Disney+, que já atingiu 50 milhões de assinantes desde seu lançamento em novembro, nos EUA, não se intimidou pelo “lockdown” e continuou pisando no acelerador para estrear em novos mercados europeus, onde o sucesso em terras americanas se repete. Segundo a revista The Hollywood Repórter, um dos poucos obstáculos à Disney+ veio da França, onde o lançamento foi adiado para evitar sobrecarga na rede de internet. A Disney+ deve chegar ao Brasil no segundo semestre.

A chegada da todo-poderosa Disney não afetou a Netflix. No primeiro trimestre, a gigante adicionou 15,8 milhões de usuários à sua base – mais do que o dobro das expectativas, em um efeito direto da pandemia. A empresa, na semana passada, passou o Magazine Luiza como a marca mais admirada durante a quarentena no Brasil, de acordo com pesquisa da consultoria HSR. Prova de que o cliente está valorizando a “companhia” de séries e filmes da Netflix nesses tempos difíceis.
Embora vários outros serviços estejam disponíveis nos Estados Unidos – como Hulu (também da Disney), All Access (da rede CBS) e Peacock (da NBC), o próximo grande player global a chegar é o HBO Max – serviço de streaming que se venda como “HBO e muito mais”. Chega aos EUA com a clientela embutida de quem já assina a HBO na TV a cabo ou usa o serviço HBO Go (que será descontinuado e substituído pelo HBO Max, que tem bem mais conteúdo).

Com estreia marcada para o dia 27 nos EUA, o HBO Max inclui, além de todo o catálogo do canal que lhe dá nome e é conhecido por conteúdos premium, a oferta histórica da Warner, incluindo filmes clássicos. O novo serviço é a primeira grande consequência da compra da WarnerMedia pela AT&T.

Após forte lobby capitaneado pela AT&T, que envolveu até o deputado federal Eduardo Bolsonaro (filho do presidente Jair Bolsonaro), a compra da WarnerMedia foi aprovada no Brasil. Há dez dias, o grupo passou a controlar 100% da operação nacional. Era o passo que faltava para que o HBO Max possa chegar ao País, que ainda não tem data para ocorrer.

Quem navega pela HBO Go brasileira já pode perceber evidências do catálogo mais variado que a HBO Max oferecerá no futuro. Hoje, séries voltadas ao público adolescente – como “Katy Keene” – ou baseadas no universo DC Comics, como “Batwoman”, já estão disponíveis. Ambas foram produzidas para o canal CW, que pertence à Warner é conhecido por seu conteúdo voltado aos jovens.

A tendência de consumo de entretenimento em casa fez a Universal Pictures decidir lançar em formato digital vários dos filmes que exibiria no cinema nos próximos meses – ao contrário do que fizeram outros estúdios, que adiaram os filmes à medida que os cinemas se mantêm fechados.