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Frejat lança “Ao Redor do Precipício”

1 de julho de 2020

Foto: Divulgação

Ao deixar o Barão Vermelho, em 2017, Frejat se colocou no campo contrário ao que um dia esteve quando Cazuza resolveu sair do grupo, em 1985, para seguir sua vida, sua agenda e seus flertes com a música brasileira sem ter mais de submetê-los ao consenso. Frejat saiu oficialmente em paz com os outros integrantes, alegando incompatibilidade de datas e expectativas resolvidas com civilidade, e passou a degustar as ideias de um primeiro álbum solo.

Depois de o próprio Barão Vermelho lançar o primeiro disco sem Frejat, com Rodrigo Suricato fazendo a voz principal, Frejat lança seu primeiro álbum sem a banda que fundou, em 1981, há quase 40 anos.

As duas manobras da vida em torno do Barão, a primeira o deixando no lugar de um personagem tão forte quanto Cazuza e a segunda o fazendo sair sem levar a marca que fortalece por quatro décadas, acabaram por colocar em teste, mesmo em momentos diferentes, atributos que, se não fossem sólidos, já o teriam derretido. Muitos grupos se foram assim, quando seus líderes morreram. Só para ficar nos anos 80, não houve Legião Urbana sem Renato Russo e não haveria Paralamas sem Herbert Vianna, mas houve Barão sem Cazuza e Frejat conservase bem sem Barão.

Frejat não muda a história dos outros com Ao Redor do Precipício, o álbum que lança agora com o quarteto de produtores Kassin, Humberto Barros, Maurício Negão e ele mesmo, mas avança na própria, aos 58 anos, com uma solidez de caráter artístico que não tem sido comum nos precipícios a seu redor. Apesar de tantos nomes dirigindo uma sonoridade mais ao passado das ideias que ainda funcionam ou ao pseudofuturo de um som que talvez nem se torne futuro, nada ecoa mais do que um jeito de pensar canção que, algo diz a quem escuta, só pode ter saído de Frejat.

Quando se ouve Pergunta Urgente, que foi trabalhada como um dos singles antes do lançamento, algo faz pensar que se trata de uma autoria de Frejat. Mas não. Quem criou a música foi o monge budista Luis Nenung, que a enviou para o cantor em 2015. Como nada acontecia, o próprio Nenung a lançou em 2019, em seu álbum Incendeia a Tua Aldeia. “Essa quase fica de fora”, conta Frejat.

Ela foi mandada por ele, que tinha uma banda que gravava pelo selo do Dado Villa-Lobos. Eu havia me esquecido completamente, e acabei me lembrando quando estava reunindo material para o álbum.

E é com tudo o que ela não tem, nada que a queira tirar dos lugares quentes e comuns das grandes canções, o detalhe que a torna poderosa.

O tempo traz dilemas e, na música, não é diferente. Afinal, seguir os sinais das transformações ou a história que se escreveu?

Eu não quis ficar preso ao passado, mas ao mesmo tempo não quis também soar moderninho. Não soar retrô, mas também não soar como os mais novos, como algo forçado”, diz Frejat.

Não deixa de ser uma racionalização, uma preocupação que ele não teria se tivesse 25 anos. E talvez seja aí, quando soa como se tivesse 25, sem preocupações com o passado ou com o futuro, que ele consiga ser o melhor dos Frejats.