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Filme chileno busca o Oscar

Por Mariane Morisawa Especial

29 de janeiro de 2021

No chileno ‘Agente Duplo’, viúvo que se infiltra em casa de repouso. / Foto: Divulgação

O Chile é outro país que decidiu apostar num documentário para tentar uma vaguinha entre os candidatos ao Oscar de filme internacional. Agente Duplo, de Maite Alberdi foi exibido na competição de documentários internacionais no Sundance Festival e já está disponível no Brasil, no Globoplay.

O longa-metragem é no mínimo original em sua premissa, tendo como personagem principal e guia um viúvo recente que se infiltra numa casa de repouso para idosos para checar o tratamento de uma das moradoras, a pedido de um investigador particular contratado pela filha dela.  “Eu queria fazer um documentário noir sobre um detetive particular”, disse Alberdi em entrevista ao Estadão por videoconferência.

Nunca vi um documentário sobre um investigador desses, então minha pergunta era o que acontecia na realidade com essa figura de um território da ficção.

Somente um detetive particular contatado permitiu que ela filmasse suas atividades, Rómulo Aitken.

Fiquei impressionada como muitos casos não faziam sentido para mim, com pais querendo seguir os filhos, universidades seguindo professores.” Mas aí apareceu o caso da casa de repouso. A filha queria checar se a mãe estava sendo bem tratada. E Alberdi viu ali a oportunidade que procurava, por já ter feito filmes com pessoas idosas antes.

O investigador normalmente contratado para casos assim não estava disponível, e Romulo teve de fazer um teste para homens entre 80 e 90 anos que pudessem ter esse papel. Imediatamente, Sergio Chamy, que tinha ficado viúvo fazia pouco tempo, pareceu o candidato ideal – pelo menos para Alberdi. “Eu não sabia exatamente como seria, mas ele tinha uma energia diferente”, disse a cineasta.

Eu me apaixonei, porque Sergio era tão espontâneo, se conectava facilmente com os outros, era engraçado, sincero, inteligente. Muito cineasta de ficção diz que sabe quando é o ator certo assim que ele ou ela aparece, e aqui foi assim. Tive de implorar para o Romulo contratá-lo.

Sergio não era o melhor para coletar informações, tinha dificuldades até mesmo em mandar mensagens de voz no WhatsApp e discrição não era seu forte, o que rende cenas divertidas.

Mas ele foi maravilhoso. Por causa dele, a perspectiva do filme mudou completamente”, lembrou a diretora.

No princípio, ela achou que ia fazer um filme de denúncia sobre as más condições numa casa de repouso. Mas depois percebeu que não havia nada de errado com o lugar, e Sergio tinha se tornado um narrador da vida na velhice. Maite Alberdi se sentiu culpada de ter mentido à direção do estabelecimento ao dizer que fazia um filme sobre a velhice.

Mas eles viram o filme e não tiveram objeções. Porque, no fim das contas, seu documentário é, sim, sobre a velhice e também sobre esses locais que se tornaram essenciais na vida moderna.

Antigamente, não era comum ter parentes nesses locais. Os avós moravam com os filhos e netos. Mas hoje moramos em casas menores, onde não há espaço para eles muitas vezes. Precisamos das casas de repouso”, explicou Alberdi